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Mais caro da Copa de 2014, estádio Mané Garrincha tem déficit de R$ 11,7 milhões

10.10.2015
 
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BRASILIA/BRASIL - Em Brasilia, capital federal, o estádio Mané Garrincha foi o mais caro da Copa do Mundo realizada em 2014 no Brasil, também conhecida como a "Copa da Vergonha" face à derrota vergonhosa para a Alemanha por 7 a 1.

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Apesar dos valores e da grandeza de 70 mil lugares na capital federal, que não possui times na série A do campeonato brasileiro, o estádio tem déficit de R$ 11,7 milhões desde que começou a funcionar. Para otimizar o espaço, secretarias do Governo do Distrito Federal mudaram para o local, que também recebe eventos e até pelada de futebol feminino da Marcha das Margaridas.

Sem grandes eventos esportivos na agenda, o Mané Garrincha recebe eventos dos mais diversos tipos. A partir de hoje, por exemplo, o estádio servirá de alojamento para mulheres de todo o país que desembarcarão no Distrito Federal para a 5ª Marcha das Margaridas. O evento anual vinculado ao Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) reúne moradoras do campo, das florestas e das águas.

A cerimônia de abertura terá um palco montado sobre o gramado retocado há pouco tempo. Conforme informações do jornal Correio Braziliense, a pedido dos organizadores da Marcha das Margaridas, o gramado será loteado em quatro partes para a realização de uma pelada de futebol feminino depois da cerimônia de abertura.

"Não é bem um torneio, faz parte da agenda cultural da Marcha das Margaridas. Vai ter um palco no centro e a bola vai rolar depois do início do evento", explica ao Correio a secretária das mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhares na Agricultura (Contag), Alessandra da Costa Lunas. "A única exigência dos administradores do estádio é que as mulheres usem chuteira". A pelada de futebol feminino terá cinco times, um de cada região do país.

Além dos eventos inusitados, para avançar na meta de redução de custos, sugerida no Pacto por Brasília, o governo distrital decidiu cortar gastos com aluguéis de imóveis. Cerca de 400 servidores das Secretarias de Estado de Economia e Desenvolvimento Sustentável, de Desenvolvimento Humano e Social e do Esporte e Lazer foram transferidos para as instalações do Estádio Mané Garrincha.

"Os servidores utilizam estacionamento e entrada privativos. Não há interferência nos eventos da arena. A medida vai diminuir as despesas da máquina pública em cerca de R$14,5 milhões por ano", explica o governo.

O "Estádio Nacional de Brasília" tem custo de R$ 700 mil por mês. Dessa forma, desde que foi inaugurado, em maio de 2013, já consumiu R$ 18,2 milhões. De acordo com a Secretaria de Turismo do Distrito Federal os gastos são com energia, limpeza, reposição de peças, pequenos reparos, "entre outros serviços, gerados pelo uso contínuo do espaço".

O Mané Garrincha recolheu aos cofres públicos cerca de R$ 6,5 milhões em taxas de ocupação pelos eventos realizados desde a inauguração. De lá pra cá, segundo a secretaria, a arena recebeu diversos eventos, entre eles 62 duas partidas de futebol e 55 shows, eventos institucionais e culturais.

De acordo com o Tribunal de Contas do Distrito Federal, o investimento total no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha foi de R$ 1,7 bilhão. A Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal - Terracap foi responsável pela construção do Estádio Nacional.

Apesar dos números grandiosos da Secretaria de Turismo, o déficit mostra que os eventos não são suficientes para colocar em dia a situação financeira do estádio. No começo do mês, o Flamengo desistiu de receber o Santos no Mané Garrincha e registrou o maior público presente do Campeonato Brasileiro no Maracanã (61.421).

O Avaí recebeu oferta de R$ 700 mil da empresa de marketing esportivo do ex-jogador Roni para mandar o jogo do último sábado (8) na capital federal, mas rejeitou e atuou na Ressacada. O time catarinense venceu o Fluminense, de Ronaldinho Gaúcho, por um a zero com o apoio da torcida.

Além disso, os próprios times brasilienses não têm interesse no estádio. O Gama mandará todos os próximos jogos da Série D no Bezerrão.

Gramado novo por quase R$ 5 mil ao dia

A maior preocupação neste tipo de evento é com o estado do gramado. O "tapete verde" foi alvo de críticas por parte dos técnicos Paulo Autuori, René Simões e Levir Culpi. De acordo com a Secretaria de Turismo, o gramado passa por tratamento constante para atender ao calendário de jogos e eventos.

"O processo licitatório, para a manutenção do gramado, seguiu os trâmites legais e foi finalizado em junho deste ano", explicou. A empresa vencedora do certame foi a GreanLeaf. O contrato tem o valor de R$ 1.149.595,16 por um período de 240 dias.

Depois das críticas, o gramado da arena foi substituído da grama de verão para a grama de inverno devida à mudança de estação. Esse procedimento é adotado nos principais estádios do mundo.

Na última partida oficial no Mané Garrincha, o técnico do Vasco, Celso Roth, e o atacante do São Paulo, Alexandre Pato, fizeram elogios ao trabalho de revitalização. "Quando o campo é bom, a bola rola. O gramado está em ótima condição de jogo e a gente conseguiu impor o nosso futebol", avaliou Pato.

O treinador cruz-maltino acrescentou. "O São Paulo foi superior, ainda mais em um gramado maravilhoso como esse, com a qualidade do gramado". O Flamengo, por exemplo, jogará ao menos duas partidas do segundo turno no Mané Garrincha e o gramado pode ser novamente prejudicado.

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU


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