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A Argentina cancelou o amistoso que faria contra Israel

10.06.2018
 
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A Argentina cancelou o amistoso que faria contra Israel

 

A Argentina cancelou o amistoso que faria contra Israel, antes da Copa do Mundo, em Jerusalém, nas comemorações dos 70 anos de criação do estado judeu, depois de forte pressão da comunidade árabe de Jerusalém, que denunciou que o jogo faria parte do esforço do governo de Israel em justificar sua política expansionista na região.

O estádio, onde seria realizado o jogo, foi construído onde antes havia um povoado árabe, destruído para permitir a construção desse campo de futebol.

No mundo artístico tem sido comum atos de denúncia contra a política de Israel em relação aos árabes. Artistas como Roger Waters, Elvis Costelo e Laurin Hill e até o brasileiro Gilberto Gil cancelaram shows em Israel por motivos políticos.

Existe inclusive hoje um movimento internacional denominado BDS, Boicotes, Desinvestimento e Sanções contra Israel para denunciar a política de apartheid que o governo do país realiza contra os palestinos.

Recorda-se que ações semelhantes no passado desestabilizaram o governo racista da África do Sul. A existência de estado assumidamente religioso, encravado dentro do mundo islâmico e protegido pelos Estados Unidos, é e será sempre uma fonte de conflitos na região.

Nascido após a segunda guerra mundial, quando mundo inteiro ficou abalado pelas revelações do holocausto, onde milhões de judeus foram dizimados pelos nazistas, ele teve o apoio inicial da União Soviética e dos Estados Unidos e a tolerância do Reino Unido, mas seus governos nunca negaram a ambição de ampliar suas fronteiras, através de guerras e limpezas étnicas às custas das terras e das vidas dos palestinos.

Para os que nunca se preocuparam em conhecer os fatos históricos, é bom lembrar que a criação de um estado judeu começou a ser discutida desde o Congresso de Basel de 1897, quando Theodor Hezl lançou o Movimento Sionista. Desde então, vários congressos foram realizados, mas a volta para Israel nunca foi unanimidade entre os judeus, principalmente aqueles já assimilados na Europa, nem onde seria formado esse novo país.

Num desses congressos chegou-se a aprovar, no início do século XX, a escolha da Uganda, então sob o domínio britânico, para ser a nova Israel. Outros lugares cogitados: Birobidjan, na União Soviética (Stalin chegou a concordar com a formação de uma república judaica autônoma no extremo oriente da URSS), a Ilha de Madagascar, a Guiana Britânica e até a Patagônia.

A opção pela Palestina só se tornou real em 1917, a partir da chamada Declaração Balfour. Como necessitava de recursos na sua guerra contra o Império Otomano,, que dominava a Palestina, o Secretário de Assuntos Estrangeiros do Reino Unido, Lord Balfour, negociou com o Barão Rothschild, líder da comunidade judaica um grande empréstimo financeiro em troca do apoio britânico à criação de "um lar judeu" na Palestina, com a ressalva que o novo país deveria respeitar os direitos das populações não judaicas da região, o que , como vimos, não aconteceu

Marino Boeira, jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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