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Maradona, fiel às suas convicções

06.12.2019
 
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Maradona, fiel às suas convicções

Por Andrés Sciapichetti*

Buenos Aires (Prensa Latina) Diego Armando Maradona anunciou que deixa seu cargo de treinador do Gimnasia y Esgrima La Plata, em respaldo ao atual presidente dessa instituição, Gabriel Pellegrino, homem que o contratou que também não seguirá em funções.

 

Maradona, deste jeito, praticaum princípio muito valorado pelos técnicos que se respeitam: ir embora junto com o dirigente que o trouxe.



Proximamente haverá eleições no clube da cidade de La Plata, e nessa conjuntura, Pellegrino, principal dirigente em exercício, buscava a unidade de todas as listas. Contudo, os candidatos opositores do politizado clube da capital daprovíncia de Buenos Aires, desestimaram a unidade, fator que houvesse propiciado a continuidade de Maradona.

Desse jeito, as únicas duasopções eleitorais para o próximo sábado são Salvador Robustellie Mariano Cowen, descendo dacontenda, o oficialismo representado por Pellegrino. Neste âmbito e agindocoerentecom o expressado por ele, Maradona se desvincula de Gimnasia.



Deve ter?se em conta que a imensa maioria, paranãofalar de totalidade dos setores 'gimnasistas' esperavam a continuidade de Diego. Nisto existia absoluto consenso.



Começando pelos jogadores, principaisatores destahistória, e receptores diretos damensagem de Diego. Dois dos referentes do plantel, Lucas Litche Franco Mussis tentaram mudar, semsucesso, a decisão de seu treinador.



Aqueles que conhecem a intimidade dessainstituição, afirmam que na altura de comunicar a suadeterminação aoplantel, até houve lágrimas de parte doex?capitão do selecionado argentino.



No público deGimnasia, revolucionado desde a chegada do 'Homem-Lenda', também existiacoincidência, na sua continuidade, dado que após dum início muito difícil, começavam a aparecer os resultados.



Finalmente e falando em política, daqueles que pujam pelo governo do clube, se entendia que esses sectores também tentariam suster, emqualquer caso, a gestão de Diego como DT.



Contudo,não o puseram na balança na hora de considerar o conceito de unidade, como condição indispensável para seguir adiante com oprocessoencabeçado peloex DT da seleção.



Prevalece o interesse político, oumesmo, as plataformas eleitorais conseguiram que não existisse opção para a unificação das listas. Em política geralmente (saindo do que éGimnasiaeoâmbito do futebol) nunca se sabe realmente que tão próximo ou longe se está, quando se debate o termounidade.



Enxergando brevemente a história e sem irmos tão longe, podemos encontrar alianças que foram verdadeiros engendros. Mas, regressemos ao clube da capital bonaerense. É claro que Maradona tomou a equipe numa altura dramática, enfraquecida com a média de descenso.



Último entre os três que podem perder a categoria, e a 10 pontos doprimeiro que conseguia escapar da zona de queda do divisional. Assim o encontrou Diego.



Oito partidos e depois a situaçãonão tem mudado muito: são 11 os pontos que o diferenciam deRosario Central, que por agora se mantem, mas, atingindo uma melhoria evidente nos resultados.



Isto repara?se nas três vitórias como visitante, conquistadas pela equipe de Maradona (4-0 vsNewell's, 4-2 vsG.Cruze 3-0 vsAldosivi).



Se evidenciou aaparição do conceito de equipe, a diferencia daquelastrês derrotas no início dotrabalho do 'Dez'. Além disso, é preciso ter em conta que nosprimeiros cinco partidos da temporada, préviosa chegada de Maradona, a equipe tinha perdido quatrocompromissose empatado o restante.



Ao todo, sob a órbita de 'Pelusa', foram oito partidos sem empates (três vitorias e cinco derrotas). Hojejá é história. O objetivo de chegar a dezembro com uma equipe melhorada não poderá se cumprir.



Aideia era descontar a maior quantidade possível de pontos e tentar arranjar um pulo de qualidade com alguns reforços, coisa que já se estava falando.



Maradona, que desejava como nenhum outro voltar a trabalhar como DT no futebol argentino, coisa que nãoacontecia desde 1995, anuncia que abandona o cargo emGimnasia, aferrado a um conceito de lealdade, que muitos treinadores desconhecem.



Vai embora com a única direção de um clube argentino que, 24 anos depois, mais uma vez confiou em Maradona como DT, mesmo na altura mais delicada da instituição.



O tempo diráquantos dias passarão até que outro clubeofereça mais uma vez oficialmente o cargo de treinador a Diego Armando Maradona.



*O autor é um destacado jornalista argentino e treinador de futebol. Colaborador de Prensa Latina.

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