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Gilgate: Lei Desportiva 1 Estado de Direito 0

01.09.2006
 
Pages: 12

Na reunião de hoje entre Laurentino Dias, Secretário de Estado da Juventude e Desporto, Gilberto Madaíl , Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e Valentim Loureiro, Presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, foi decidido invocar o “interesse público” dando à Federação o direito de resolver o caso seguindo os regulamentos internos regidos pela lei desportiva. Lei de Desporto 1 Estado de Direito 0.

Observações

Para começar, se Belenenses se sentir bem a manter-se eventualmente na Primeira Liga através de malabarismos de escritório, muito bem. Caso Gil Vicente ficar despromovido, espera-se que na próxima época, seja o clube de Barcelos a subir de divisão e o clube lisboeta a descer. Seria o zénite da justiça.

Foi o próprio Belenenses que há duas décadas (1987) foi envolvido num caso semelhante (da utilização irregular de um jogador) e foi então decidido aumentar de 16 para 20 o número de clubes na Primeira Divisão para satisfazer todas as partes lesadas. Neste caso, por quê não manter Belenenses e Gil Vicente e repescar Leixões, mantendo os 18 clubes por mais um ano até resolver definitivamente onde termina a lei desportiva e onde começa a lei comum?

Em segundo lugar, como é possível que a lei desportiva/FIFA/A Federação Portuguesa de Futebol e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional tenham arrecadado tanto poder, pondo em questão a actuação e o âmbito da lei comum? Com que direito pode a FIFA ou a Federação impedir qualquer instância portuguesa de utilizar os tribunais da lei quando bem entender? Como é que se pode chamar “interesse público” a um processo que sobrepõe a lei desportiva sobre as instâncias legais de um Estado de Direito que levou centenas de anos de devido processo a constituir?

Em terceiro lugar, fica clara a noção que o interesse público é que o campeonato de futebol proceda tão rapidamente quanto possível, dado que já não há novidades na Casa Pia, já que a classe política (bocejo) reentrou a vai fazer dos seus, já que temos de volta o Jardel, Graças a Deus, n’é?, a animar o campeonato, mostrando que o Jardel não morreu e que ainda sabe marcar golos à Jardel. Mas que fantástico! Fica clara a noção que o que interessa é que o FC Porto, SL Benfica e Sporting CP estejam na Liga dos Campeões para servirem de dons sebastiões muito mais do que cortar as asas aos execráveis dirigentes desportivos que deixaram que o caso surgisse. Fica clara a noção que o caso Gilgate prove definitivamente que Portugal não é um Estado de Direito, mas sim um local mal frequentado por uma laia de mafiosos que fazem o que querem, como querem e quando querem. Viva o Futebol e que se lixe Portugal e os portugueses!

Se a lei comum tivesse mais poder e se os execráveis “dirigentes desportivos” tivessem menos regalias e interesses investidos, haveria mais respeito pelo futebol e pode afirmar-se com toda a sinceridade que o futebol e o desporto em geral assumiriam a sua posição de direito, como Desporto e actividades de lazer e não alguma espécie de espectro que degola e consome tudo à sua volta como um buraco negro, um cancro que corrompe e corrói o tecido da sociedade moderna, não só em Portugal.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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