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Timor Leste: Todos se reclamam e quem tem razão?

12.04.2007
 
Timor Leste: Todos se reclamam e quem tem razão?

 Seria demais esperar um processo digno? Depois da independência de Timor Leste, que custou sangue, suor e lágrimas de tanta gente, uma vitória garantida através dos feitos heróicos de Xanana Gusmão, os FALINTIL e intervenientes estrangeiros – destaque para Portugal – o clima no país mais novo do mundo tem descido a pique, dando lugar a comentários do tipo “Se é assim que vamos comportar-nos, dão razão à Indonésia invadir outra vez”. E mais uma vez se vê pela cidade de Dili, grupos de fiéis a rezarem pela paz e bem-estar, fazendo vigílias com velas e cruzes. Será que merecem esses políticos?

Por isso não surpreende se o primeiro voto democrático numa eleição presidencial desde 2002, organizado por Timor Leste, se chegasse a este ponto: resultados provisórios da CNE (Comissão Nacional de Eleições) refutados por todos os lados, e o próprio Primeiro-Ministro (Ramos-Horta) a pedir uma recontagem.

Os resultados provisórios dão o primeiro lugar ao líder do Parlamento e representante da FRETILIN, Francisco Guterres “Lu-Olo” (28.79%); segundo para Primeiro-Ministro, candidato Independente, José Ramos-Horta (22,6%), e terceiro (18,5%) para Fernando “Lasama” de Araújo, ex-líder da RENETIL, ex-preso político em Cipinang e representante do PD, Partido Democrático.

Todos se reclamam e quem tem razão?

Entretanto, todos reclamam. Os observadores europeus, embora tenham elogiado de forma geral o clima de calma, dizem agora que é preciso saber a taxa de votação para calcular aonde estão uns 165.000 votos – serão nulos? Os resultados provisórios apontam para 357.766 votos num universo de 522.933.

Lasama e mais quatro candidatos pediram à CNE o congelamento do processo de contagem, e o Primeiro-Ministro, o candidato Ramos-Horta, falando de “alegações sérias” por investigar, considera “normal haver uma nova contagem”. O candidato independente apontou que a votação da FRETILIN (candidato Lu-Olo) desceu de 60% para menos que 30% do voto, e acrescentou que perto de 150.000 pessoas não votaram porque não havia condições. A insinuação em algumas partes é que a FRETILIN, bem organizada e mobilizando os seus votantes nas áreas de apoio, zonas rurais, terá aproveitado ao máximo do caos em que este processo decorreu, aproveitando um clima de persuasão para que muitas pessoas fossem impedidas de votar. No entanto, onde estão as provas?

Finalmente, o ex-Primeiro-Ministro Mari Alkatiri enviou bocas irónicas na direcção do porta-voz da CNE, Padre Martinho Gusmão, dizendo que “Hoje em dia eles também fazem milagres”.

No final da tarde de quinta-feira, a CNE recusou o pedido de uma recontagem, remetendo o processo ao Tribunal de Recurso. “Se o tribunal disser que terá de haver uma recontagem, faremos,” disse Padre Martinho, que declarou que está quase certo que uma segunda volta, no dia 8 de Maio, será entre Lu-Olo e Ramos-Horta.

Em vez de virem ao público com as suas reclamações, os políticos deveriam utilizar as instituições próprias para as suas queixas e estas devem organizar o processo conforme a Constituição e a Lei. No entanto, as instituições em Timor-Leste deixaram agora bem claro que nem uma bebedeira colectiva entre alcoólicos crónicos numa taberna onde a bebida era de graça, conseguiriam organizar.

Lao MENDES

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DILI TIMOR LESTE


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