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Ramos-Horta recupera

11.02.2008
 
Ramos-Horta recupera

Tentativa de decapitar órgãos governamentais em Timor Leste, com um duplo atentado contra o Presidente José Ramos-Horta e o Prmeiro Ministro Xanana Gusmão, foi previsível num país onde a violência tem marcado os primeiros anos da sua história, desde a sua independência em 2002.

Às 4.30 hora local, dois carros estacionaram à porta da residência do Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, em Dili. O grupo, liderado pelo Major Reinaldo, saiu, conseguiu entrar em casa, assassinando um dos seguranças do Presidente, que foi ferido com dois tiros no lado/zona do estômago, e no braço. Reinaldo foi morto na troca de tiros.

Foi levado ao hospital australiano em Dili e de seguida para Darwin, Austrália, onde está fora do estado crítico, de acordo com as declarações da equipa médica.

Entretanto, outro ataque, liderado pelo Tenente Gastão Salsinha foi efectuado contra o Primeiro Ministro, Xanana Gusmão, que conseguiu sair ileso quando o veículo onde seguia foi emboscado, voltando ao capital e declarando pouco depois que a situação estava sob controlo. Esta versão dos eventos ainda está por confirmar mas parece a mais plausível.

Esta situação foi previsível. Durante a última semana, as forças rebeldes de Reinaldo foram envolvidas numa confrontação com tropas australianas e uma explosão numa base militar. Reinaldo foi o líder dos revoltosos que instauram o caos no país em Abril/Maio de 2006, em confrontos em que morreram 37 pessoas e 155.000 foram deslocadas. Reinaldo foi preso mas escapou e depois refugiou-se nas montanhas com seu grupo de rebeldes. Em Novembro, prometeu fazer um golpe de estado se o Governo não acedesse às exigências dos soldados rebeldes que tomaram armas com ele.

Estado de alerta máxima

Foi decretado um estado de alerta máxima não só em Dili mas em todo o país, com recolher obrigatório durante 48 horas. As ruas estão desertas, excepto forças policiais. Reina uma calma e silêncio, que alguns declaram ser a calma antes da tempestade.

A situação demonstra mais uma vez a necessidade da força internacional – foi no início de Fevereiro que a segurança na cidade capital foi entregue à polícia timorense.

As causas

A situação de caos que levou à invasão pelas tropas indonésias nos anos 70 tem estado a ameaçar reaparecer desde a independência do país em 2002. Grupos armados fazem o que querem, há corrupção, há pobreza, há desemprego e a capacidade de actuação do Governo tem sido cada vez menor.

A morte de Reinaldo poderá ser o fim de um ciclo mas há cada vez mais pessoas em Dili a dizerem que temem que será o início de mais uma espiral de violência que tem assombrado este, o país mais novo da comunidade internacional.

Lao MENDES

PRAVDA.Ru

DILI TIMOR LESTE


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