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Palavras para quê?

22.09.2008
 
Palavras para quê?

São Tomé e Príncipe: Após mais um acidente nos mares de S. Tomé e Príncipe em que dezenas de familias santomenses perderam a vida, ouviu-se um coro de lamentações dos principais dirigentes politicos.

 

Uns porque “a culpa não pode morrer solteira”, outros pedindo “que se faça justiça”.

Prontamente o procurador da Republica põe em marcha um plano que culmina com a detenção de pessoas afectas ao navio e à fiscalização dos transportes .

Bom lembrar que QUATRO HORAS DEPOIS DO ALERTA, o socorro insuficiente partiu do porto.

Tirando esta pormenor, nada contra com a acção do procurador, excepto que este se tenha esquecido que a falta de meios para salvamento tem responsáveis, o atraso na resposta ao alerta tem responsáveis, e toda essa situação deve-se só ao mau emprego de bens e dinheiros públicos. Quantas vidas teriam-se salvas se houvesse um PRONTO SOCORRO E CAPAZ?

Conhecendo as dificulidades do cidadão comum santomense para viajar entre as Ilhas, e sabendo que ele simplesmente viaja na ilusão de fazer qualquer negócio que possa garantir a sua sobrevivência, confesso que caso fosse responsável da fiscalização e controlo de navios, dificilmente poria obstáculos àquele individuo.

Não o faria em troca de bens materiais, faria-o por humanismo. A vida só faz sentido se podermos ter um pão para comer e partilhá-lo com os nossos entes queridos.

Sei quanto pode valer aquela viagem ou aquela mercadoria, para aquela pessoa. Experimente viver numa das Ilhas, e sem ter ninguém noutra. Alguém que tenha-se deslocado com míseros dobras em negócios, deixando família do outro lado.

De repente é impossibilitado de regressar por “sine” dias. Não tem onde dormir, não tem comida. O dinheiro aqui e lá esgotou-se. Como olharia quem te impedisse de viajar mesmo em condições desajustadas?

É bom lembrar que de avião o preço é superior ao salário mensal e nem poderia levar os poucos bens adquiridos para negociar. Ao bem da verdade a própria viagame aérea entre às Ilhas já por si é um desafio.

Nessa situação, é difícil olhar os meios e os perigos, tal como fazem milhares de africanos que em desespero de causa tentam atravessar o continente em frágeis pirogas em busca de melhor vida na Europa. Julgam que eles não têm consciência do perigo? Têm.

Ali e acolá a razão é a mesma. São consequências da MÁ GOVERNAÇÃO E ROUBO DA RIQUEZA NACIONAL ou CORRUPÇÃO NA GESTÃO DE BENS PÚBLICOS .

É minha opinião convicta que os verdadeiros responsáveis, são os principais representantes dos orgãos do poder. A gestão danosa de bens públicos, receitas, donativos, ajudas etc, é a raíz do desespero das populações que se aventuram sem olharem meios.

É o governo e a presidência que não têm sabido definir as verdadeiras prioridades para o país lançado por vezes em aventuras onde os coordenadores dos projectos ou pessoas que lhes são afectas são as principais beneficiadas.

Desta maneira, considero que o procurador e outros orgãos da justiça, deveriam chamar aos sucessivos presidentes nacionais e regionais, aos sucessivos ministros de obras públicas e transportes, aos primeiros ministros, e outros mais com pelouros na gestão de fundos e verbas do estado, para conhecerem de facto o que fizeram ao longo destes anos que pudesse evitar o sucedido.

Caros senhores, gastou-se recentemente milhões na construção da doca pesca, o próprio Presidente da República refiriu ter-se gasto, milhões de dólares do petróleo rapidamente, muitos mais milhões foram gastos e ninguém sabe em quê.

Aparece agora seiscentos mil dólares para serem gastos na aquisição apressada de um navio. Aonde estava este dinheiro e porquê só agora ?

Senhor procurador e outros orgãos de soberania, a culpa morrerá solteira, se os principais dirigentes e ex dirigentes não forem pelo menos ouvidos.

PS: Mesmo na situação de desgraça de dezenas de famílias santomenses, o senhor presidente da República, Fradique de Menezes acompanhado de uma comitiva, opta por viajar para Europa e América.

É incompreensível e condenável esta decisão, quando as familias santomenses choram e continuam sem saber do paradeiro do corpo dos seus entes queridos.

De uma coisa estou certo. Um dirigente europeu, americano, ou mesmo um dirigente africano com respeito para com o seu povo suspenderia esta viagem, por mais que o custasse fazer.

21 de Setembro de 2008

Danilo Salvaterra


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