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STP: Trinta e três anos de Independência

09.07.2008
 
STP: Trinta e três anos de Independência

Assinala-se no dia 12 de Julho o trigésimo terceiro aniversário da criação formal do país a que se chamou S.Tomé e Príncipe. Na perspectiva dos mentores e lutadores pela independência, não na dos que selvaticamente receberam o poder e que ainda hoje o mantêm, era chegarmos a esta fase da vida do país com menos desigualdade, harmonia e paz.

O sonho vai-se desgorrando a medida que o tempo passa. Se por um lado a comunidade internacional e os principais parceiros de desenvolvimento têm culpa, por outro, pudemos sem medo de errar, imputar a dose maior desta culpa aos santomenses. São estes que sofrem e entretanto recusam a lutar.

Sobre a America Latina, dizia Simón Bolivar, “um povo torna-se decadente quando não reconhece os seu males e nem aceite os seus remédios”. Para a tal decadência caminhamos em S.Tomé e Príncipe.

Há trinta e três anos atrás, apontou-se o dedo ao regime colonial como autor moral e intelectual das desigualdades sociais, e muitos outros males. Hoje, cuja proporção dos males é maior, não se compreende a inércia ou nenhuma vontade de mudar dos homens e mulheres de S.Tomé e Príncipe. A pergunta que se me impõe: Será porque hoje estas condições ou atrocidades estarem a serem cometidas pelo homem preto ao homem preto, que os santomenses se redimiram? Será pela mesma razão que a comunidade internacional e parceiros como Portugal se recusam a ver ?

Pela parte dos santomenses, posso responder. Houve de facto num passado, homens de grande valor e cuja autoridade moral era inquestionável em S.Tomé e Príncipe. Eles não quizeram o poder. Lutaram e deixaram para a juventude da altura. Aquela juventude que hoje tem cinquenta anos ou mais, e que tudo deturpou e ainda hoje continua.

Ela encarregou-se de formar três gerações de gente fraca, e cooptando ocasionalmente alguns mais jovens para garantirem a sua permanência no poder.

Caros santomenses, são três gerações de gentes mal formadas. Não falo de habilitações técnicas. Falo sim daquela educação que forma homens íntegros, humildes. Que valor poderão estas três gerações transmitirem à próxima?

Ainda temos oportunidade para invertermos o rumo. Educando mais e melhor, sermos humildes para aprender com alguns da geração dos nossos pais e avós ainda vivos, cuja autoridade ético-moral são-lhes reconhecida.

Da parte da comunidade internacional incluindo Portugal, não posso responder. Mas existe uma verdade. Não estão preocupados nem incomodados, desde que façam negócios. Felizmente nestes países existem muita gente com S.Tomé e Príncipe no coração.

Em conclusão, caberá aos santomenses procurarem inverter a situação, sendo exigentes, humildes, determinados, e em ultima análise, como disse o símbolo do pacifismo mundial, Mahtma Gandh, “se a opção for entre a cobardia e a violência, escolherei a violência”.

Danilo Salvaterra


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