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05.10.2006
 
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Naufrágio perto de São Tomé

04.10.2006- Pravda.ru (São Tomé) É mais um episódio dramático que tem marcado a ligação marítima entre as ilhas de São Tomé e Príncipe. A embarcação denominada Marisol, que transportava 40 passageiros e carga da ilha do Príncipe para São Tomé, naufragou na madrugada do último sábado, já perto do destino.

Faltavam 25 milhas para chegar à São Tomé, quando o mar revolto decidiu engolir a pequena embarcação. A sorte, apenas a sorte, permitiu que os 40 passageiros e os 6 membros da tripulação, fossem resgatados por um barco cargueiro, que deus terá colocado naquela rota.

Lágrimas, muitas lágrimas mesmo, e gritos de aflição de quem estava a navegar na sombra da morte, durante várias horas. Após a intensa luta pela vida no meio do mar revolto, durante a madrugada do último sábado, os 40 passageiros incluindo 7 crianças, pisaram finalmente terra firme. Era o porto de São Tomé. Os abraços dos familiares que souberam da notícia e acorreram ao porto, ficaram molhados de lágrimas.

Uma das passageiras com uma filha de 3 anos nas costas, contou para o Pravda.ru , que orou intensamente durante toda a madrugada, agarrada numa bóia de salvamento. Deus, segundo a passageira ouviu as suas preces. Só assim justifica a sua presença e da sua filha no porto de São Tomé ainda com vida. O barco cargueiro que transportava contentores para São Tomé, surgiu no meio das ondas como uma benção divida, explica a passageira. Foi a salvação para as 46 pessoas cuja a vida estava agarrada a uma mesma bóia de salvamento. O barco marisol já tinha sido engolido pelo mar.

O comandante da pequena embarcação, confessou que o marisol fazia a ligação entre as duas ilhas, acompanhado de uma moto-bomba. Equipamento que era utilizado para expelir a água que normalmente inundava o barco. Na madrugada fatídica a máquina estoirou «Se a moto-bomba não estoirasse chegaríamos a São Tomé. A água começou a entrar e não tínhamos outra solução. O mar estava agitado, cada vez que as ondas vinham a água entrava para o barco. Não havia excesso de peso», afirmou Simão Andreza.

A pequena embarcação transportava dentre outras mercadorias, produtos agrícolas da ilha do Príncipe para serem expostos na feira agrícola de São Tomé, alusiva as festividades do dia da nacionalização das roças, 30 de Setembro. Tudo foi engolido pelo mar. Os tripulantes se aperceberam rapidamente do perigo. «Quando eles chamaram-me a dizer que estávamos fodidos, desculpe pela expressão, eu pensei que era brincadeira porque somos habituados a brincar sempre. Mas quando regressaram da casa das máquinas, disseram-me que não tínhamos hipóteses. Mesmo assim andamos quase uma hora. Há 25 milhas começamos a ver São Tomé, mas não tínhamos hipóteses de continuar», precisou o Comandante.

Todos abandonaram o barco, até chegar o socorro. «Decidimos tirar a balsa e lançar a água, primeiro foram as crianças, depois as mulheres e nós a tripulação fomos os últimos a saltar para a balsa. Então o barco ficou aí na sua gincana, e nós na nossa. Quando eram três horas da manhã vimos este barco, lançamos a bengala de foguetes e pararam. Ficaram aí até as 5 da manhã. Fizeram duas curvas para nos ver bem, e pararam. Lançaram-nos os cabos e puxamos até chegar a bordo», explicou Simão Andreza.

Várias dezenas de São-tomenses já perderam a vida na ligação marítima entre as duas ilhas e entre estas e o vizinho Gabão. A navegação é feita em barcos que não oferecem mínimas condições de segurança. São embarcações vocacionadas para a pesca, com cascos de madeira, que são automaticamente convertidos em cargueiros. Para além do barco marissol, o mar do Príncipe já engoliu a lancha Elisabete, que assegurava a ligação entre as ilhas, e mais outras duas embarcações cuja a designação o Pravda.ru desconhece. A maior tragédia aconteceu com o barco Babanzelê, na travessia do Gabão para São Tomé, tendo provocado várias vítimas mortais.

Dois dias antes do naufrágio do Marisol, outra embarcação denominada "Tereze", bastante conhecida na ligação São Tomé e Príncipe e vice versa, foi socorrida a tempo, numa altura em que estava prestes a afundar-se com vários bidões de combustível, no caminho para a ilha do Príncipe.

O mais grave é que as autoridades são-tomenses ainda não conseguiram dotar o pais de meios capazes de dar resposta rápida a situações de acidentes no mar. O comandante do barco marisol, garante que tinha todo o sistema de comunicação em funcionamento.

«Mas íamos falar com quem? Chamamos São Tomé e ninguém respondia. A capitania dos portos não tem rádio.» concluiu, o comandante da embarcação naufragada.

46 pessoas poderiam morrer no mar a ver a ilha de São Tomé, que por sua vez não conseguia reagir para os socorrer. Os sucessivos governos do país prometeram sempre que iriam melhorar a ligação entre as duas ilhas, comprando uma nova embarcação. No entanto o barco alegadamente comprado na Alemanha nunca chegou ao porto de São Tomé. Fontes do Pravda.ru dizem que se trata de um monte de ferro velho, que não corresponde ao valor de compra que foi anunciado ao país.

Governo são-tomense já tem luz verde

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