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Portugal, Terrorismo Social e Governo pela Folha Excel

30.09.2012
 
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O que acontece em Portugal há um ano pode ser descrito em duas palavras: Terrorismo Social, a antítese de democracia social. A tradução disso é a marcha de um milhão de pessoas em Portugal há duas semanas (um décimo da população) e a manifestação de ontem pelos Sindicatos que tornaram o Terreiro do Paço em Lisboa no Terreiro do Povo.

Em 21 de junho 2011 Pedro Coelho tornou-se primeiro-ministro de Portugal, num governo de coalizão/coligação entre o seu PSD (social-democratas) e o CDS-PP, (conservador, cristãos-democratas), liderado por Paulo Portas. Como de costume, um governo PSD logo se tornou sinônimo de tensões sociais; como de costume, políticas de laboratório foram implementadas, levando, como de costume, a sociedade portuguesa ao ponto de ruptura. Bem-vindos ao Terrorismo Social.

O pano de fundo atras da situação catastrófica para a sociedade portuguesa é muito simples de ver: a má governação pelos (apenas) três partidos no poder desde a Revolução de 1974, nomeadamente o PSD, CDS-PP e do PS (socialistas, em nome só). Estes três partidos, particularmente o PSD e, especialmente, sob a liderança do atual presidente, Aníbal Silva, pouco ou nada fizeram para melhorar a competitividade de Portugal, não fizeram praticamente nada para reestruturar a economia de Portugal sem suas províncias coloniais (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste) e fizeram absolutamente nada para preparar Portugal para o desafio europeu.

Na verdade, esses (des)governos destruíram as poucas ferramentas que Portugal (só europeu) teve, vendendo os indústrias, destruindo a sua agricultura, afundando as suas frotas pesqueiras, enquanto os primeiros-ministros tiveram orgasmos quando a União Europeia deu um tapinha na cabeça deles e chamou-os bons alunos. Era uma questão de ver qual deles se virou e baixou as calças mais rápidamente, enquanto os activos de Portugal foram vendidos. Foram atentados de terrorismo social, que afetam o presente e o futuro.

Bem-vindos ao governo terrorista social, governação atravês de planilhas de Excel, onde a linha de fundo ignora totalmente o custo humano e social das políticas implementadas por políticos profissionais que nunca fizeram um dia de trabalho nas suas vidas, que não têm noção sobre a realidade das pessoas e que nunca tiveram de colocar comida na mesa, no final do dia, existindo com uma pensão miserável, um salário médio português ou estar com o fantasma do desemprego a pairar sobre as suas casas.

O modelo de governação terrorista social por planilhas de Excel diz ao formulador de políticas que o salário médio em Portugal é de cerca de 1.000 euros. Mesmo se esse fosse o caso, que não é, vamos examinar as despesas de um agregado familiar médio: em Grande Lisboa, eu desafio qualquer pessoa a apresentar um esquema de pagamento (modernizado) de renda de menos de 400 Euros, e que é um mínimo absoluto. Pacote de Internet, telefone e TV: 70 Euros; gás e electricidade, 40 Euros casa por mês; água, 25 euros por mês; transporte, 35 euros por mês por pessoa; tributação 24,5% (245 euros), deixando um reles 145 Euro por mês para alimentar uma família (um salário). Com dois ordenados na família, aumenta para 865 Euro o disponível... nesta folha de Excel.

Assim, a folha de Excel diz ao adiantado mental que formula políticas, que acha que isso é um espelho da realidade sócio-econômica do país, que para aumentar mais impostos, a família "média" iria suportar um aumento de imposto de segurança social (TSU) de 11 para 18 %, como o primeiro-ministro, Pedro Coelho, anunciou recentemente, e cinicamente, pouco antes do início de uma partida de futebol. A folha de Excel não diz que, se o salário médio é de 1.000 euros, significa que a maioria das pessoas não ganham esse valor e por isso esse tipo de medidas é insuportável para a maioria da população.

Que qualquer governo possa anunciar tais medidas, e depois insinuar que vai repensar depois de uma décima parte da população ir para as ruas, contestando... e esse governo permanecer no poder, desafia a lógica. É este o pano de fundo paraa manifestação de ontem, em Lisboa, organizada pela CGTP-IN, o principal central de sindicatos em Portugal, que encheu Praça do Comércio, as principais avenidas que levam até esta e a Praça do Rossio acima destas.

A manifestação foi uma vitória dupla: provar que o povo ainda é maciçamente envolvido na luta contra o terrorismo social do PSD / CDS-PP; também fornece uma plataforma para propor medidas alternativas à esquerda, algo que o (des)governo PSD/CDS- PP se recusa a aceitar, escondendo-se atrás de um discurso monótono e arrogante "sem alternativas".

Algumas das propostas para aliviar os efeitos do terrorismo social do governo são simples e claras: do CGTP-IN vem o seguinte: a criação de um imposto de 0,25% sobre as transacções financeiras, gerando um adicional 2 bilhões de Euro; a introdução de um imposto progressivo e indexado sobre as sociedades comerciais de 33,33% para as empresas com um volume de negócios superior a 12,5 milhões de Euro, gerando mais 1 bilhão de Euro; um imposto de 10% sobre os dividendos (gerando 1,6 bilhões de Euro);  políticas adicionais contra a fraude e evasão fiscal (1 bilhão de Euro). Total: 5.600 bilhões de euros, uma alternativa socialmente responsável para as políticas sociais terroristas do governo de Portugal, que aos olhos do mundo, e de qualquer entidade mínimamente inteligente, perdeu o seu direito de governar.

A resposta do (des)governo de Portugal e seus assessores tem sido deplorável, chamando o povo português "Piégas" e "ignorantes", enquanto os lobbies que gravitam atrás deste "governo" alegadamente ficam mais gordos enquanto que o cidadão é esmagado no chão. Todos os governos em Portugal desde 1974, assumiram o cargo com as palavras "Nós vamos pedir mais sacrifícios ao povo português", e em seguida, procederam à implementação de políticas que servem os donos do capital, reduzindo os trabalhadores à miséria, à escravidão, e hoje, à fome.

Um epitáfio político nojento para estes três partidos que levaram Portugal, um país de médio porte europeu, na sarjeta, gerido por estrangeiros que não têm qualquer idéia sobre a realidade no campo. Os portugueses, protegidos pela política de esquerda, mais uma vez descobriram o Poder Popular, uma força invencível contra o terrorismo social implementado pela direita política. Se souberem usá-lo, é claro. Ou será um fenónemo efémero ou então um marco histórico.

 

Ao povo português cabe o próximo passo.

Timothy Bancroft-Hinchey
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