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Mais uma mulher transexual morta

28.07.2008
 
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Mais uma mulher transexual morta

Há precisamente um mês celebrou-de o 39º aniversário do início dos motins na Christopher Street . A triste e revoltante notícia de que hoje damos conta vem sublinhar a importância e actualidade da luta contra os preconceitos e discriminações (deliberadas ou inconscientes).


Segue abaixo o texto do manifesto conjunto de vários colectivos e organizações da Península Ibérica em resposta a mais uma agressão (fatal) a uma mulher transexual.


Recordamos que a discriminação (legal e social) que fragilizou Rosa Pazos foi, grosso modo, a mesma que afectou Luna (Fev '08) e Gisberta (Fev '06).


Para mais informação sugerimos a consulta da página http://en.wikipedia.org/wiki/Transphobia .


Informamos que estão já previstas concentrações nas seguintes cidades durante o dia de hoje (28 de Julho):
BARCELONA - 18:00 - frente a la sede de Delegación de Gobierno
BILBO - 19:30 - Plaza Circular Abando
DONOSTI - 19:30 - frente al Boulevar
GASTÉIZ - 19:30 - Plaza de la Virgen Blanca


MADRID - 18:00 - frente a la sede de la Fiscalía General del Estado (c/ Fortuny, nº 4, Colón)
SANTIAGO DE COMPOSTELA - 20:00 - Praça do Toural
CORUNHA - 21:00 - no Obelisco
ZARAGOZA - 19:30 - Plaza de España
SEVILLA - 20:00 - Plaza Barzola

Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGayTransfobia
http://panterasrosa.blogspot.com/


Na passada sexta-feira 11 de Julho, Rosa Pazos, activista transexual, de 47 anos, foi encontrada morta no seu domicílio de Sevilha. Após a autópsia o Instituto Anatómico Forense emitiu um comunicado onde se afirmava que Rosa fora vítima de esfaqueamento.


Os grupos e colectivos signatários deste manifesto exigem com carácter de urgência:


1) O esclarecimento dos factos que rodeiam a morte de Rosa Pazos com a maior brevidade, a fim de evitar difamações sobre as causas associadas à sua morte e respeitar a dor já sentida por familiares, amigas/os e companheiras/os de Rosa.


2) A intervenção do Fiscal Geral do Estado, Cándido Conde Pumpido, para exigir e agilizar o esclarecimento dos factos.


3) O tratamento do processo sob condições de máximo respeito pela dignidade da falecida e de quem a rodeia, tanto por parte das instituições policiais e judiciais envolvidas no processo como pelos meios de comunicação, cujo trabalho "informativo" sobre o caso de Rosa até o momento se revelou extremamente ofensivo e transfóbico, como se vem denunciando desde que foi divulgada a notícia. O respeito pela identidade de Rosa e pela intimidade da sua pessoa é contrário ao sensacionalismo dos meios de comunicação e ao discurso discriminatório com que até à data se tem abordado a notícia.


Ao mesmo tempo denunciamos a enorme transfobia que rodeou a vida de Rosa, assim como o facto de lhe ter sido negado o direito à alteração da documentação e o acesso às cirurgias por o sistema de saúde entender que uma pessoa com um diagnóstico de esquizofrenia ou qualquer outra "doença mental" não pode decidir sobre o seu próprio corpo ou a sua identidade de género. Essa era a denúncia de Rosa e sem dúvida também a nossa.


Exigimos que a Administração Pública assuma a sua responsabilidade e trabalhe para a integração social e laboral das pessoas trans. Exigimos um trabalho sério, à altura da gravidade e da importância da situação: não queremos mais remendos nem meias-tintas, acreditamos firmemente que a maneira de evitar este tipo de situações é trabalhar directamente a partir da raiz do problema e fazê-lo sem desculpas.

Não é uma proposta séria nem consequente aquela que aprova uma "lei de identidade de género" para evitar a discriminação e ao mesmo tempo trata como doente quem expressa uma identidade de género diferente da maioritária. Diferente, não por isso patológica. Reivindicamos que se trabalhe para desconstruir os estereótipos que associam as identidades trans ao bizarro, ao monstruoso e ao perverso, trabalhamos para destruir todas essas mensagens que geram ódio e nos convertem em excluíd@s sociais.

Denunciamos mais uma vez a extrema vulnerabilidade do nosso colectivo e a mais que alarmante frequência com que nos deparamos com casos de pessoas trans mortas em circunstâncias estranhas.


Reivindicamos, mais uma vez, que a luta contra a transfobia é uma luta de tod@s, é um compromisso de quem quer construir uma sociedade diferente. Que a única maneira de acabar com estas discriminações e violências visíveis nas ruas das nossas cidades, nos despedimentos, na exclusão, nas agressões verbais e físicas é identificá-las no nosso ambiente mais próximo e denunciá-las a cada momento. Porque, ainda que desde os movimentos sociais lutemos para acabar com estes assassinatos, a verdadeira luta está nas nossas ruas, nos nossos bairros, nas nossas escadas, onde em cada dia se vive a violência.


Por tudo isto os grupos abaixo-assinados convocam todas as pessoas para na próxima segunda-feira 28 de Julho, às 18 horas, se juntarem às concentrações que terão lugar nas diversas cidades com o fim de exigir umha investigação transparente e de rigor e o fim da transfobia que tem acompanhado o tratamento do caso da morte de Rosa Pazos.

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