Pravda.ru

CPLP » Portugal

Portugal: 10ª Convenção do PEV

27.05.2006
 
Pages: 1234

O Partido Ecologista Os Verdes, no seio da grande família do partidos verdes europeus, e agora também no Partido Verde Europeu entretanto formalizado, tem assumido as suas responsabilidades e uma intervenção própria, sem renunciar aos seus princípios e valores, procurando pontes de entendimento, partilhando experiências e preocupações e participando de grandes campanhas levadas a cabo em conjunto com grande sucesso e impacto como as relativas à Segurança Alimentar e às Alterações Climáticas.

Em relação às alterações climáticas, já consideradas o flagelo deste Século, é de assinalar o momento da ratificação do protocolo de Quioto por parte da Rússia que levou, finalmente, à entrada em vigor do mesmo, deixando os Estados Unidos ainda mais isolados na cegueira e obstinação do Presidente Bush por um lado, e originando a que Portugal, com responsabilidades a repartir pelos sucessivos Governos de direita e do PS que andaram literalmente a dormir, sem qualquer desculpa, pelo menos desde da Conferência do Rio em 1992, apesar das permanentes chamadas de alerta e propostas feitas pelos Verdes, se visse numa situação de incumprimento com graves consequências, implicando a necessidade de comprar direitos de emissão de carbono com todas as implicações negativas advenientes, quer no desperdício de divisas que deveriam ser aproveitadas no desenvolvimento de mecanismos de produção limpa e na modernização do nosso tecido produtivo e energético, quer no aumento de preços de bens e serviços resultantes das taxas de carbono e consequentemente no aumento do custo de vida dos portugueses e perda de competitividade das nossas empresas.

No plano interno muita coisa mudou. Tivemos neste espaço de tempo nada mais, nada menos do que 5 actos eleitorais (aliás todos os que a nossa Constituição da República prevê), incluindo uma mudança de Governo de direita sem eleições e uma posterior dissolução da Assembleia da República.

Em 13 de Junho de 2004, Os Verdes concorreram às Eleições para o Parlamento Europeu alertando para as contradições das políticas europeias que, por tantas vezes se encontrarem desajustadas da nossa realidade, originaram desequilíbrios, depauperaram a nossa Agricultura e o nosso tecido produtivo e acentuaram a nossa dependência do exterior, advogando por outro lado a necessidade de eleger deputados europeus das listas da CDU capazes de defender uma outra Europa e salvaguardar os interesses nacionais.

O convite feito a Durão Barroso para encabeçar a Comissão Europeia, leva à queda do Governo de coligação PSD/PP, e à formação de um novo Governo de direita sem eleições intercalares liderado por Santana Lopes. Contudo o desgaste de três anos de políticas de Governos de direita, absolutamente obcecadas pelo Défice das contas públicas, em cujo altar sacrificavam os interesses dos cidadãos e trabalhadores portugueses, associada a sucessivos episódios de incompetência e de má Governação, levam à dissolução da Assembleia da República, decidida no fim de Novembro de 2004 e à convocação de eleições legislativas antecipadas que tiveram lugar em Fevereiro de 2005.

O povo português, claramente farto das receitas da direita, dá nessas eleições uma clara vitória às forças políticas da esquerda que vêem reforçada a sua presença e se tornam maioritárias no Parlamento, com destaque para a Coligação Democrática Unitária, em cujas listas Os Verdes concorreram, operando uma clara recuperação e reforço do projecto que representa.

Infelizmente estas eleições legislativas trouxeram igualmente a vitória absoluta ao Partido Socialista e, com ela, desde cedo, a arrogância e prepotência do novo Governo de José Sócrates, e a desilusão do povo português que acreditara numa mudança à esquerda nas políticas a prosseguir mas acabou por se defrontar, afinal com a já costumeira quebra de promessas eleitorais, o aumento dos impostos, os ataques à função pública e aos direitos sociais (incluindo os mais fundamentais como na saúde e na educação), o retorno da co-incineração, e a continuidade, no essencial, sempre em nome do Défice, das mesmas políticas que a direita vinha prosseguindo.

Em Outubro de 2005 a participação dos Verdes nas eleições autárquicas caracterizou-se por um franco reforço no número de candidatos ecologistas nas listas da CDU, com candidatos em cerca de 80 concelhos dos 18 Distritos do país e da Madeira e pelo aumento de cabeças de lista da nossa responsabilidade aos diferentes órgãos autárquicos. Na senda da velha máxima ecologista “Pensar Global, Agir Local”, e entendendo como fundamental o trabalho político nos órgãos autárquicos, quer pela sua proximidade às populações e aos problemas ambientais e de desenvolvimento que as afectam, quer pela sua importância em termos do ordenamento do território e do combate às assimetrias regionais, condição essencial para um correcto e equilibrado desenvolvimento sustentável a todos os níveis, Os Verdes empenharam-se em fazer desse momento da vida política nacional, também um momento de afirmação da mensagem ecologista.

Também nestas eleições, assistimos ao reforço do Partido, com muitos novos companheiros e amigos que vieram enriquecer e fortalecer o nosso projecto, o que contribuiu decisivamente para os bons resultados alcançados que demonstraram que a CDU está bem viva e actuante e pronta para a assumir as suas responsabilidades e responder aos apelos e alertas que constantemente nos chegam das populações que em nós depositam a sua confiança e reconhecem aos Verdes a capacidade e persistência de ajudar a procurar a resolução dos problemas que os afectam.

Com a vitória (pela primeira vez em 32 anos de Democracia) do candidato da direita Cavaco Silva, nas eleições para a presidência da república, e com a linha de rumo que tem sido seguida pelo Governo do PS de Sócrates, adivinham-se anos difíceis mas que simultaneamente apelam a uma grande intervenção e reforço do projecto alternativo ecologista.

Pages: 1234

Loading. Please wait...

Fotos popular