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Portugal: 10ª Convenção do PEV

27.05.2006
 
Pages: 1234
Portugal: 10ª Convenção do PEV

Partido Ecologista “Os Verdes”

10ª Convenção Nacional Ecológica

(26 e 27 de Maio de 2006)

Balanço da Intervenção Política 2003/2006

Boa noite Companheiros e amigos.

No começo desta 10ª Convenção Nacional Ecológica, importa em jeito de balanço lançar um olhar sobre os acontecimentos que marcaram a cena Internacional, a vida de Portugal e a acção do Partido Ecologista “Os Verdes” desde a 9ª Convenção realizada em Maio de 2003.

Foram três anos repletos de acontecimentos, de mudanças, que motivaram e suscitaram uma forte e empenhada resposta por parte d’”Os Verdes” determinados a lutar em prol dum modelo diferente de desenvolvimento, de uma forma diferente de estar na política, como na vida, certos que a via ecologista, pelos valores que assume, pelas causas que defende, pela razão clara que a sustenta, muito tem a dar ao Planeta Terra, nossa casa, e também concretamente a Portugal, à realidade do nosso país.

Neste balanço, que me cabe a mim, com esta intervenção, necessariamente incompleta e imperfeita, apenas dar o primeiro passo, ou o pontapé de saída, e que se pretende participado e complementado com o debate que logicamente se seguirá, importará certamente relembrar alguns acontecimentos internacionais, naturalmente os momentos chave na situação eco-política nacional, mas também qual foi o nosso papel enquanto Partido Político que somos.

Onde fomos, o que dissemos, o que fizemos, como estivemos, mas também aonde não conseguimos (ainda) chegar, ou o que nos faltou para atingir os objectivos a que nos propusemos. Um balanço que deve ser crítico, transparente e lúcido mas que não pode ser totalmente desapaixonado, porque as razões do coração, do querer, da vontade de fazer das dificuldades inspiração para continuar a lutar pelo que consideramos correcto, também faz parte desta caminhada que fazemos juntos e à qual desejamos que outros, muitos outros, companheiros se juntem.

Porque assumimos que a intervenção no mundo, num mundo em que a par de toda a beleza que ele tem para nos oferecer também coexistem muitas coisas que gostaríamos de mudar, para melhor, se deve fazer de uma forma activa, participativa e colectiva. Porque faz todo o sentido sermos um Partido Político, com uma matriz ecologista e de valores sociais de esquerda, dois planos que não fazem sentido um sem o outro, o que assumimos de viva voz, com orgulho e com a convicção da importância fundamental do papel que temos desempenhado, ainda que alguns possam considerar modesto já ninguém lhe fica indiferente, e que queremos continuar a desempenhar, de forma interventiva, criativa e alternativa na sociedade portuguesa ocupando um lugar, no espectro político nacional, que sem dúvida alguma faz falta e faz a diferença.

E é cada vez mais importante fazer a diferença. Fazer a diferença num mundo em que a lógica global do lucro, do consumismo e do imediatismo tudo arrasta à sua frente sem consideração pelas reais necessidades dos povos ou dos ecossistemas;

Fazer a diferença num mundo em que em nome da segurança e da ameaça do terrorismo, se erguem barreiras culturais, se faz sobrepor o medo ao diálogo, se acentuam ideias, conceitos e discursos xenófobos e em nome de securitarismos se restringem direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos;

Fazer a diferença também numa Europa, agora alargada a 25, onde, depois do fracassado processo da constituição europeia, por ter sido rejeitada em dois referendos consecutivos, preconizando um modelo de submissão dos estados mais pequenos face aos grandes, uma submissão dos valores sociais aos interesses económicos e coma qual se corria o risco de não serem tidas em atenção as especificidades e realidades distintas de cada parceiro, continua a ser importante insistir num modelo distinto que aposte na cooperação e solidariedade voluntária entre estados e povos livres e soberanos.

A ocupação do Iraque, ilegítima face ao primado do direito internacional, que já provocou cerca de 25.000 mortos (na sua maioria civis, incluindo mulheres e crianças) desde o seu início, prosseguiu ao longo deste período e prossegue ainda hoje, mesmo depois de caída a máscara e a peruca do falso pretexto das Armas de destruição em massa, que afinal não existiam, para esconder sórdidos interesses económicos e jogos de estratégia geopolítica de dominação global do petróleo, com pesadas consequências sociais e ambientais, e que ameaça agora alastrar a outros países como assistimos mais recentemente com a crise do nuclear no Irão.

As diversas formas de manifestação pacífica e os Fóruns Sociais, quer o Mundial quer o Europeu, nos quais Os Verdes têm participado activa e empenhadamente, constituem, por contraponto, uma resposta de quem se recusa a baixar os braços e uma janela de esperança, de encontro e participação num espaço internacional, na diversidade social, cultural e política, na busca de respostas e soluções para os desafios do presente e alternativas aos ditames da OMC ou de uma globalização controlada pelo G8, na defesa intransigente da paz, do desarmamento, dos valores da igualdade e solidariedade mundiais.

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