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VII Cimeira da CPLP: De Comunidade a Bloco

26.07.2008
 
VII Cimeira da CPLP: De Comunidade a Bloco

Ainda não se vê nada mais do que um simples fórum para expressar boas intenções, trocar abraços entre velhos amigos e servir de palco para jantares e almoços sumptuosos, enquanto a CPLP ainda não conseguiu arrancar com projectos concretos, se fala muito e se faz pouco…mas promete.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa está a acordar. Há ainda muito pouco tempo, o sítio na Internet da CPLP era desactualizada e qualquer tentativa de angariar informação deste organismo encontrava uma muralha de silêncio. Hoje, o sítio www.cplp.org é um belíssimo retrato dos grandes passos que foram feitos nos últimos anos, enquanto que a colaboração com a imprensa em geral e com a PRAVDA.Ru em particular tem sido notório da parte dos responsáveis pela comunicação na sede da CPLP em Lisboa.

Falta fazer muito mais; por exemplo, a CPLP ainda não colocou sequer uma caneta em São Tomé e Príncipe – mas na VII Cimeira da CPLP em Lisboa no dia 25 de Julho se sentiu que esta Comunidade ganha massa crítica, ganha forma e poderá estar rumo a uma presença de grande peso na comunidade internacional, passando de Comunidade a Bloco.

Se Portugal foi outrora o grande desenhador desta comunidade pelos seus Encontros (não se pode “descobrir” o que já existira e o que nunca foi coberto), hoje o Brasil é a grande estrela no palco da CPLP – e cada vez mais, na comunidade internacional.

Na sua bagagem, Brasil traz consigo numerosos acordos de desenvolvimento com países africanos (não só os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), traz consigo um enorme potencial em termos da produção de energia (etanol) e as possibilidades desta fonte de riqueza para os PALOPs, traz consigo uma nova abordagem para uma Nova Ordem Mundial multipolar, pelo qual a Federação Russa tem lutado há tanto tempo.

Fundamental nesta Nova Ordem é o Bloco BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e a CPLP pode, e deve, servir de vitrina para expor o direito do Brasil a um lugar permanente do Conselho de Segurança na ONU e porventura a presença do Brasil, da Índia e China num G11, já que a população destes países constitui sensivelmente um terço da população mundial (enquanto Canadá, com 33 milhões de pessoas, faz parte do G8 e França, com 64 milhões, tem direito a veto no Conselho de Segurança).

Uma comunidade crescente

De grande importância é o cariz quinético deste Bloco emergente. Teodoro Obiang Nguema, Presidente do Guiné Equatorial, que tem estatuto de observador (juntamente com as Ilhas Maurícias e Senegal), declarou à saída da Cimeira ontem a intenção do seu país passar a membro de pleno direito, processo que está na agenda da Presidência portuguesa da CPLP (2008 – 2010) que iniciou ontem. Fica para a Presidência angolana (2010 – 2012) o pedido do Marrocos para o estatuto de observador, embora não se pode esquecer que este país tem ainda de resolver a questão de Saará Ocidental, país que anexou em 1975, (e onde enviou centenas de milhar dos seus cidadãos para alterar em seu favor o equilíbrio político-social ao custo do povo Saraui).

Vantagens individuais e colectivas

A CPLP representa uma oportunidade única para os seus estados membros estenderem seus laços comerciais, políticos e culturais entre a costa ocidental do Atlântico na América Latina, passando por Europa, África do Norte, Ocidental, Central e Austral, da costa Ocidental do Oceano Índico ao lado Ocidental do Pacífico.

Além disso, a CPLP já deu mostras do seu peso em termos de constituir um Bloco de grande influência, na negociação da independência de Timor Leste (membro da CPLP desde 2002) e na resolução de várias crises em Guiné-Bissau.

A CPLP representa para cada estado membro uma base de identidade colectiva, ganhando força não só pelas sinergias inerentes mas também pela oportunidade de exportar as características individuais de cada um dos seus oito membros.

Prioridades

Tendo resolvido a questão das diferentes versões da língua portuguesa no Acordo Ortográfico recentemente promulgado em Portugal, este tema surge como grande prioridade na Presidência portuguesa. Será desta que ao Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) vai ser atribuído poderes e financiamento adequado para fazer algo?

A criação da Universidade Luso-Africano-Brasileira promete criar laços de união entre os povos da CPLP e vários projectos associados à língua e ao estudo vão com certeza ser realizadas a curto prazo (bibliotecas reais e virtuais, escolas, canal de TV, centros culturais). Se a língua e a cultura são os espelhos escolhidos para reflectir a crescente importância da CPLP na comunidade mundial, então quanto mais cedo passarem as palavras a acções, melhor.

Então poderá ser concretizado o enorme potencial desta Comunidade, tornando-se um Bloco de peso no palco internacional. A primeira pedra a ser lançada poderá ser na área de energia, no Fórum sobre Energias Renováveis e Protecção do Meio Ambiente em Outubro de 2008. Quanto a mais iniciativas deste género, não há limites. Só se pode acreditar na capacidade do potencial humano nesta comunidade tão especial.

Nele, reside a resposta sobre se a CPLP vai permanecer sempre uma Comunidade-Clube de amigos, ou um Bloco com voz e projecção internacional.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

Director e Chefe de Redacção

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