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Duplicam os casos de trabalhadores Portugueses escravizados em Espanha

26.04.2010
 
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Duplicam os casos de trabalhadores Portugueses escravizados em Espanha

Constatado que está que a igualdade entre os estados membros da UE não passou de mera propaganda, em Espanha continuamos a verificar como os trabalhadores Portugueses, na sua maioria itinerantes, precários, constituem cada vez mais a mão-de-obra barata que necessita este País para atenuar as devastadoras consequências da conivência com os desígnios do imperialismo.


Fomentado o retorno de muitos emigrantes oriundos de países geográfica e culturalmente mais distantes que o nosso, recorrendo em alguns casos à mentira, mas, fundamentalmente, destinando medidas e verbas para incentivar economicamente esse regresso, ao mesmo tempo que tergiversavam através da mais demagógica manipulação informativa a realidade desses que serviram a estratégia da direita, que, quando no governo, apostou fortemente nos emigrantes como factor de contenção salarial, o actual ministro do trabalho e imigração do governo “Socialista” espanhol, Celestino Corbacho, veio há dias reforçar o discurso xenófobo no qual apostam os partidos nacionalistas, particularmente depois do aprofundar das dificuldades económicas que padece Espanha, proferindo em meios de comunicação como “Rádio Punto” afirmações como: “-Todos os emigrantes que queiram vir trabalhar a Espanha, que eliminem essa questão da sua agenda imediatamente.”


Assim, partidos como Convergencia i unió, que governou durante muitos anos a Catalunya, criticam agora os emigrantes portugueses que semanalmente viajam a Barcelona para trabalhar na construção do hospital de Reus, subcontratados para o “Ayuntamiento”, ou Município dessa localidade (como informa a agência EFE), aproveitando-se este da situação para a qual atiraram o país os sucessivos governos lusos da pseudo-alternância. Nessa linha, não sendo este um caso excepcional, também na Galiza, e por motivos diversos, a “CIG”, confederação intersindical galega, aponta o dedo às Câmaras, acusando-as de não contemplar outro aspecto que não a margem de benefício das empresas empreiteiras, enquanto estas integram nos seus quadros mais de 90% de mão-de-obra vinda de Portugal, tirando vantagem do baixo nível de exigência desses trabalhadores.


Em suma, mais que indícios que apontem no sentido da clivagem socioeconómica entre os 7 países europeus com poder decisão e os restantes que gradualmente parecem assumir a imposição da sua dependência, no caso específico de Portugal deparamo-nos de novo com situações que nos transportam ao obscurantismo de outros momentos da vida nacional, reflectindo o cariz neoliberal do governo de Sócrates e de outros, como o PSD ou o CDS, que, desaproveitados que foram os fundos de coesão para reestruturação da nossa infra-estrutura, sobretudo durante a governação de Cavaco Silva, permitem que nos encontremos, hoje, com noticias que provam a dimensão da tragédia pela qual atravessa actualmente o Povo português e que o obriga a abandonar o seu país. Como exemplo poderemos ler no “Noticias de Burgos”:


“Exploravam portugueses por 20€ ao mês e mantinham-nos enclausurados.
Seis cidadãos portugueses foram detidos na sequência de uma operação da “Guardia Civil”, nas comarcas de “Ribera del Duero” e “Esgueva”, contra a contratação de mão-de-obra irregular estrangeira para tarefas agrícolas. Em dois quartos de duas residências diferentes, propriedades desta banda, as autoridades concluíram que dormiam dezoito trabalhadores aos quais se lhes pagava com alimentação, vestuário, cama e, 20€ mensais, encontrando-se os mesmos desprovidos de documentação devido ao facto desta lhes ter sido retirada pelos agora detidos.”
Não sendo a única noticia que podemos ler sobre a dimensão das perversas políticas adoptadas em Portugal, ainda em Novembro também o DN publicava:


Rede de sequestradores foi identificada pela PJ, mas estão todos em Espanha e ainda ninguém foi detido.


Nove portugueses foram vítimas:


Aliciados por salários atractivos, são levados para Espanha para trabalharem nos campos agrícolas. Do lado de lá da fronteira começa o tormento. Os angariadores ficam com o dinheiro pago pelos empregadores, prendem as vítimas, retiram-lhes a documentação e impedem-nos de fugir. Uma destas redes acabou desmantelada pela PJ da Guarda, mas nenhum dos sete sequestrados será, a breve prazo, presente à justiça portuguesa. O líder da rede está preso em Espanha, à ordem de outro processo, e os outros elementos da rede estão apenas identificados. “No conjunto são nove vítimas que foram aliciadas a trabalhar em Espanha. Quando começaram a trabalhar, em jornadas de mais de 15 horas, ficaram sem documentos, dinheiro e no final do dia eram fechados e alguns acorrentados”, disse a fonte da PJ.


Um destes trabalhadores conseguiu fugir das “agressões permanentes e contou o sucedido, que deu origem à investigação”. Este homem queixou-se de ter sido transportado por outro português para Espanha, onde “era obrigado a fazer trabalhos agrícolas numa quinta da região de Castilla y Leon”, adiantou a PJ em comunicado. Em Espanha, o homem “trabalhou de sol a sol, em condições degradantes, sem qualquer remuneração e chegou a estar acorrentado”. Do relato deste trabalhador constam ainda agressões de que terão sido vítimas “nove trabalhadores, todos de origem portuguesa e angariados para trabalhar em Espanha”.

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