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Vigília em homenagem à Luna – Todos contra a homofobia!

26.03.2008
 
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Em Espanha, o processo leva um ano e meio. Aqui em Portugal, chega a levar dez anos. E dez anos por quê? Porque o sistema médico está feito para fazer uma pessoa duvidar e desistir. O próprio sistema médico quer obrigar as pessoas a ser homens ou mulheres, e quando chega uma pessoa que se assume como algo diferente, que diz que não é homem ou mulher mas quer mudar o seu corpo, o médico diz “Então não é transsexual e por isso não pode”. E a pessoa vai acabar por fazer a transformação clandestinamente ou no estrangeiro, que exige muito dinheiro, ou então vai optar por tomar hormonas e sem assistência médica, que é extremamente perigoso.

Por isso é normal encontrarmos uma grande parte destas pessoas na prostituição. Outras não…e as pessoas ficariam espantadas se soubessem quantas das pessoas que as rodeiam no dia a dia, quer homens, quer mulheres, são de facto transsexuais…e nunca ficam a saber. No caso da transformação de uma mulher por exemplo, cresce-lhe a massa muscular, cresce-lhe a barba, esteticamente são mais homens do que muitos homens porque foram construídos.

Entre estas pessoas, transsexuais, vulneráveis, se encontrava a Luna, assassinada no dia 28 de Fevereiro este ano.

Sim, dois anos depois da morte da Gisberta no Porto. Haverá uma vigília em homenagem à Luna na quarta-feira dia 26 de Março, no Conde Redondo em Lisboa, no cruzamento com a Rua Gonçalo Crespo, às 19 horas. Ficámos mortificados com a cobertura mediática do caso. No caso da Luna, houve indiferença. Uma semana depois do seu assassinato no dia 28 de Fevereiro, não havia informação. Há aqui o risco de banalização da morte de transexuais ou de outras pessoas marginalizadas, como as trabalhadoras do sexo, como se a sua marginalização ou a sua diferença fossem em si,  uma permissão para matar.

Quando a cobertura se concentrava mais nas características físicas da pessoa, se era homem ou se era mulher, se tinha pénis, se não tinha pénis, do que questionar as causas daquela morte e porque foi aquela pessoa naquela vulnerabilidade particular em que foi morta… é uma banalização do assassinato que cria a noção de uma permissão para matar.

A imprensa focou nos supostos bandos de criminosos que controlam a prostituição naquela zona

Nós trabalhamos com estas pessoas. O crime organizado concentra-se nas boites, mas na rua não. De forma geral, as pessoas estão por conta própria.

E qual é o trabalho das Panteras? O que fazem concretamente?

Além das acções que desenvolvemos para despertar a consciencialização social, chegamos às várias zonas em que a prostituição é praticada e trabalhamos com pessoas que praticam a nível particular, dando apoio informativo, distribuindo panfletos informativos sobre cuidados de saúde, sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis. Damos apoio material – distribuímos preservativos masculinos e femininos e gel e prestamos serviços de apoio, facilitando acesso a um advogado, ajudando pessoas que têm problemas com acesso aos serviços de saúde ou judiciais.

Qual é a causa da sua motivação?

O que está em causa é a liberdade fundamental das pessoas exprimirem e viverem a sua opção sexual, bem como a sua identidade de género. O direito de cada pessoa a ser-se na sua plenitude, sem que as suas características pessoais, estas ou outras, determinem discriminações e diferenças sociais

Sérgio VITORINO

Panteras Rosa

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

Quarta-feira dia 26 de Março haverá uma vigília em homenagem à Luna às 19.00 no Conde Redondo, Lisboa. Cruzamento com a Rua Gonçalves Crespo.

Ler mais sobre as acções das Panteras Rosa

http://panterasrosa.blogspot.com/

http://www.panterasrosa.com/

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