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Calor mata em Portugal

21.07.2006
 
Calor mata em Portugal

A onda de calor que atingiu Portugal durante 11 dias, entre 7 e 18 de Julho, pode ter provocado vítimas mas ainda não são conhecidos os números oficiais, comunicou a Direcção-Geral de Saúde. Algumas pessoas, em especial idosos, não resistiram aos efeitos das altas temperaturas e acabaram por morrer sem terem ido aos serviços de urgência dos hospitais. As temperaturas atingiram valores muito elevados durante um longo período, uma situação que não era registada há mais de 65 anos.

José Robalo, subdirector-geral de Saúde, disse não ter dúvidas de que as temperaturas registadas entre 7 a 18 de Julho causaram mortes. “[A onda de calor] teve impacto na mortalidade. Muitas pessoas que morreram tinham patologias associadas e entraram em descompensação.”

Sobre a contagem do número de mortes atribuídas ao calor prolongado por vários dias, José Robalo diz que “só será possível dispor de dados estatísticos dentro de dois meses”, após a avaliação global dos óbitos registados pelas 67 conservatórias do Registo Civil existentes em Portugal.

O efeito do calor na saúde das pessoas foi mais sentido nas zonas de Beja, Portalegre e Faro, embora o número de urgências hospitalares tenha aumentado, e muito, em todo o país durante esses dias. Durante os fins-de-semana manteve-se a afluência а s urgências, quando é costume verificar-se diminuição da procura.

O aumento das temperaturas de ano para ano obrigou as autoridades à definição de um plano de contingência para minimizar os efeitos da canícula em mortalidade e morbilidade. Entrou em vigor em 2004, depois de o calor do Verão de 2003 ter provocado mais de 2000 mortes no País. O subdirector de saúde diz que neste ano o modelo sofreu ligeiras adaptações, dando aos centros regionais de saúde pública maior autonomia para actuar consoante as características de cada região. Além disso, garante, "há uma maior articulação com as entidades sociais, como os lares de idosos". Cada centro tem uma lista dos estabelecimentos existentes e pode evacuá-los para zonas climatizadas - como centros comerciais - caso o calor atinja valores preocupantes. O que, explica José Robalo, não foi feito ainda este ano.

Para avaliar o impacto do calor, a DGS prepara-se para avançar com estudos em várias urgências hospitalares, com o objectivo de avaliar o impacto do calor em pessoas que não tinham doenças à partida. José Robalo diz que as unidades ainda não estão definidas, mas as conclusões desta avaliação serão integradas no balanço do Verão deste ano.

Agora que o pior parece já ter passado em Portugal, o calor aflige a Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e também, do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos. Só na Europa já morreram 15 pessoas. Em França, onde se registaram nove óbitos, a onda de calor pode durar mais três semanas.


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