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Cavaco e Alzheimer, Poço e Fonte, BPN e Aldeia da Coelha

20.01.2011
 

Será que eu tenho a doença de Alzheimer? É que se me perguntarem o que fez o senhor Aníbal Silva como Presidente de Portugal, não me lembro. Porém, a minha memória dos eventos dos anos 80 me parece muito nítida. Será que eu tenho a doença de Alzheimer?

Primeiro, vamos dar nome à coisa. O nome do Presidente de Portugal é Aníbal Silva. De onde veio esse "Cavaco"? Há quem me sugeriu que o próprio cultivou o segundo apelido "Cavaco Silva" porque os do PSD, seu partido, têm a mania de tentarem parecer aquilo que não são. Um amigo até me disse que houve momentos em que estava a pensar em usar um "e", Cavaco e Silva, para ver se pegava.

Nada de estraordinário. Em Portugal, afinal, há quem mude o nome da terra natal, trocando a palavra "poço" por "fonte". Por exemplo, Fonte de Boliqueime. Em termos políticos, Aníbal Silva será um poço ou uma fonte?

Devo admitir que minha memória a curto prazo, em relação ao Presidente Silva, está péssima, levando-me a perguntar mesmo se eu terei a doença de Alzheimer. O que fez o Presidente de Portugal nestes cinco longos anos, desde Janeiro de 2006? Não me lembro.

Mas me lembro de aquilo que fez quando era primeiro-ministro, entre 1985 e 1995, precisamente os anos em que biliões e biliões de escudos, ou na altura, ECUs, jorraram pelas fronteiras dentro. Quantos ECUs passaram pelas suas mãos? Não me lembro porém o que aconteceu a estes biliões. Nem sei onde foram. É que foram tão bem empregues durante aquela década crítica ao futuro de Portugal, que hoje em dia o país está na lamúria em que está.

Me lembro de três eventos, quando as autoridades carregavam contra os portugueses, em Marinha Grande (mulheres espancadas selvaticamente pelos policiais), na Ponte 25 de Abril, que na altura mais parecia uma zona de guerra, e na Praça do Comércio, onde comeram todos e todas que lá passavam, incluindo uma senhora de setenta e tal anos. Bastão na cabeça. Três eventos que fizeram uma clivagem na sociedade portuguesa nos anos do primeiro-ministro Aníbal Silva, anos em que as consultas de psicologia e psiquiatria aumentaram, há quem diga em flecha.

Me lembro que em 2006, quando foi eleito por uma escassa maioria do eleitorado português, que Aníbal Silva dizia que tinha uma certa visão de Portugal. Cinco anos depois, será que a sua Presidência rendeu o mesmo que o seu longo executivo? Se aquilo que vemos hoje é a sua visão de Portugal, entendemos muito bem como geriu aquele dinheiro que veio da CE na altura, que era para preparar o país a ser competitivo, não estar atrás da Malta e praticamente todos os países membros da UE em termos de desenvolvimento e produtividade.

Me lembro que Aníbal Silva tem problemas de dicção com certas palavras, e que tem particular dificuldade em iterar a palavra "progresso". Ele diz "pogreth" como se tratasse da letra "c" na palavra estación, em castelhado, ou o "th" em inglês na palavra "theatre". Pogreth.

Me lembro da frase "O pogreth do povo português no espaço económico europeu". Frases, ar quente, nada de substância, nada de concreto, fantasias. Um teatro, ou um circo com falta de um palhaço. E o que diria o psicanalista Freud acerca de uma pessoa que nem consegue dizer a palavra "progresso"?

Aníbal Silva, o Presidente que, dizem alguns, entra nas reuniões internacionais mudo e sai calado. Agora dizem que não é arrogante, foi mal entendido. É tímido. Pois, o homem é tímido. ´Tadinho, n'é?

Será que uma pessoa que diz que raramente se engana e costuma ter razão, é uma pessoa tímida, ou uma pessoa que demonstra uma tamanha arrogância?

Finalmente, eu costumava dizer e pensar que os portugueses tinham uma maturidade política muito avançada e bem enraizada, especialmente numa democracia que floresce só desde 1974, graças aos membros dos partidos bem mais à esquerda do que aquele defendido por Aníbal Silva.

Mas o que eu ouço são frases absurdas como "Bem, ninguém gosta dele, mas vamos votar no Cavaco porque não há mais ninguém". Dá vontade de começar a dar bofetadas. Há seis candidatos, alguns melhor posicionados e preparados que outros, para assumir as funções de Presidente. Afinal, o que faz o Presidente? O que fez o Presidente Silva? Dizer que não estava de acordo com a união entre casais homossexuais, mas em fim, acabou por dizer que sim?

Uma pessoa com convicção (e minha opinião pessoal não é aqui chamada, mas sou a favor) ou está a favor, ou está contra. Não diz que está contra, mas vota a favor.

O Presidente cessante, é verdade, não tem má figura. Aníbal Silva apresenta-se com aquela polegada da manga da camisa por baixo do casaco. Pestaneja muito, simulando a parecença de actividade mental. Mas tem história política e executiva. Quem foi o responsável por Portugal quando entrou aqueles rios de dinheiro? Com que competência preparou o país para o desafio europeu? E esta uma certa visão para Portugal?

É isso que se vê?

Então se os portugueses votarem em Presidente Aníbal Silva "porque não há mais ninguém", peço muita desculpa mas de maturidade política não têm nada. Têm é uma doença chamada estagnação política e é precisamente por isso que o país está parado há tanto tempo. Votam sempre nos mesmos porque não têm a visão de experimentar algo diferente. E competente.

Os portugueses são políticamente mal informados e tímidos, limitados até dizer chega, presos entre dois partidos, dois regimes e dois cliques de elitistas que levaram Portugal ao ponto em que se situa. Porquê querem, só eles sabem.

Comparando os currículos executivos de Francisco Lopes e Aníbal Silva, o primeiro deixa trabalho feito, competência, rigor, responsabilidade e alicerces bem fundamentadas, o segundo, frases de ocasião e quê mais? Comparando os currículos culturais de Manuel Alegre e Aníbal Silva, que quando era Primeiro Ministro admitia que nem sequer sabia quantos cânticos tinha Os Lusíadas, nada a dizer. Comparando os currículos de Fernando Nobre e Aníbal Silva em termos de construção de um bem público, de trabalho concreto, de coragem e garra, é como comparar o Sol com a sombra.

Se os portugueses querem um Presidente executivo, um Presidente cultural ou um Presidente empreendedor, já são três opções kilómetros à frente do seu "tímido", ineficaz e inepto Aníbal Silva, fonte de palavras e poço em que se afundou o futuro de Portugal há vinte anos.

E vão votar nele? Mais valia votar no Grupo SLN/BPN e comprar casa na Aldeia da Coelha, sem se lembrar onde estava a escritura, claro. Será que tenho a doença de Alzheimer?

Timofei Belov

 


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