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Scolari: Alma e Coração de Portugal

19.06.2008
 
Scolari: Alma e Coração de Portugal

Lá vão cinco anos e três campeonatos. Confrontando Portugal 2002, no fim do Mundial Coreia-Japão, com o Portugal 2008, com três presenças nas três mais importantes competições no desporto, uma presença na final UEFA 2004, uma presença no semi-final FIFA 2006 e uma eliminação com honra nos quartos-de-final UEFA 2008 por 2-3 frente a uma Alemanha poderosíssima, se desenha o epitáfio desportivo de Luís Felipe Scolari, frente à selecção portuguesa.

Basta ver a equipa nacional de Portugal em 2002, a chegar da Coreia-Japão no meio de assobios, cartazes “geração de merda” nas mãos de adeptos decepcionados e desiludidos, insultos, vaias, acompanhado por um sem-fim de “histórias” de aquilo que supostamente aconteceu em terras asiáticas, que nem vale a pena lembrar aqui.

Basta ver a equipa nacional de Portugal em 2008, depois da chegada do sargentão Scolari a 12 de Fevereiro de 2003. 74 jogos – 42 vitórias, 18 empates e 14 derrotas, 144 golos marcados e 62 sofridos, o seleccionador com mais jogos disputados, o seleccionador com mais vitórias conseguidas, o seleccionador que levou Portugal às fases finais de três grandes eventos no desporto mundial.

E cheguemos a uma conclusão.

Em Portugal, haverá aqueles que gostarão de lembrar do caso Dragutinovic, porque há sempre aqueles que gostam de remexer no caixote de lixo para ver se encontram algo para justificar a noção da importância e validez própria. No entanto, no caixote de lixo de Scolari, há uma escaramuça de três segundos e há para contrabalançar 6660 minutos de futebol em que apenas 18% do empenho era negativo (14 derrotas em 74 jogos).

Mas haverá um país inteiro a lembrar do final da UEFA 2004, do semi-final da FIFA 2006 e do quarto-de-final da UEFA 2008 com muito orgulho. Para os que quiserem criticar Scolari, quem, desde Otto Glória (brasileiro) em 1966 (terceiro lugar no mundial da Inglaterra) conseguiu algo semelhante?

Scolari deixa Portugal muito mais forte. Futebolisticamente, deixa uma equipa que acredita em si, que espera, e não só deseja, chegar às fases finais dos campeonatos, deixa um grupo de jogadores sem pequenos vedetismos e com o espírito de trabalho em equipa. Socialmente, deixa um público inteiramente solidário com a sua equipa.

Foi Scolari, um brasileiro, que pós o povo português a pendurar as bandeiras nacionais nas varandas, foi Scolari que fez o povo português acreditar na sua equipa de futebol – quer que se goste ou não, um porta-estandarte da nação.

E foi esta mistura de brasileiros na equipa técnica, os luso-brasileiros Pepe e Deco em campo e vários jogadores portugueses de ascendência africana, juntamente com os portugueses de ascendência europeu, que fizeram brilhar a estrela da CPLP. Portugal está bem quando está com, e não contra, os espaços que influenciou e estes estão bem quando estão com Portugal.

Acontece algo. Acontece magia. Acontece o especial, o não descritível.

E foi Scolari que despertou uma magia não descritível em Portugal, entre os portugueses, e deixou seu legado como o treinador que mais êxito teve a frente da selecção nacional de futebol. Este é que foi o “especial”.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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