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Lisboa: Faleceu Prof. Simões Santos

18.09.2007
 
Pages: 12
Lisboa: Faleceu Prof. Simões Santos

Nasceu no dia 30 do mês de Janeiro de 1932, em Cacia – Aveiro. O Prof. Simões dos Santos que muitos apelidam como sendo “o Pai da Medicina Dentária Portuguesa”, licenciou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, no ano de 1959 e, após o serviço militar em Angola, fez carreira hospitalar no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Foi o 1º Director da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa de 1991 a 2002. Em 2005 recebeu a condecoração de Grande Oficial da Ordem de Mérito.

Após a missa de corpo presente que tem lugar na próxima quarta-feira, 19, às 14.30h, na Igreja São João de Deus, em Lisboa, o funeral do Prof. Simões dos Santos prossegue para o cemitério do Alto de São João.

Resumo Biográfico

PROF. ARMANDO SIMÕES DOS SANTOS

Nasceu no dia 30 do mês de Janeiro de 1932, em Cacia – Aveiro.

Voz morna, presença afável, o fumo aromático de algumas cigarrilhas fumadas sem pressa, faziam parte do “cenário” que ilustrava qualquer conversa com o Prof. Simões dos Santos que muitos apelidam como sendo “o Pai da Medicina Dentária Portuguesa”. Director da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa de 1991a 2002.

Em 2005 recebeu a condecoração de GRANDE OFICIAL DA ORDEM DE MÉRITO.


Licenciado em Medicina em 1959 pela Universidade de Coimbra, uma opção que, no seu dizer, talvez reflicta uma forma de homenagear o tio Dr. Armando Simões, por quem nutria uma grande estima e admiração, o Prof. Simões dos Santos veio a especializar-se, um tanto surpreendentemente até por si próprio, em estomatologia.

No dia em que terminou a licenciatura, não se tinha decidido sobre qualquer tipo de projecto para o imediato. Talvez por isso, no dia seguinte resolveu visitar um amigo em Lisboa, o Dr. Aurélio Gonçalves Tavares, então a estagiar no Serviço de Estomatologia do Hospital de Santa Maria. À data, e por falecimento do Dr. Fernandes Cruz , fundador do Serviço, este estava sob a responsabilidade da Drª Ana Júlia de Barros Marinhas, uma entusiasta, que amável e insistentemente o convidou a ficar para poder conhecer a estomatologia. De muito bom grado, apesar de reticente inicialmente, aceitou o convite.

Não lhe foi difícil perceber, e isto ao contrário de muitas outras opiniões, que a estomatologia era efectivamente uma ciência que carecia de muito empenho e dedicação para ser aprendida. Dedicou-se e empenhou-se a tal ponto, que durante mais de dois anos consecutivos trabalhava, comia e dormia no Hospital de Santa Maria. Foi um período da sua vida pautado por alguns sacrifícios e um ritmo de trabalho realmente intenso.

Mais tarde fez exame da especialidade à Ordem dos Médicos, e a convite do director clínico do hospital ocupou o cargo de responsável pela Consulta de Estomatologia.

Em 1963 foi mobilizado para a guerra colonial e partiu para Angola. Aqui criou um serviço de cirurgia maxilo-facial no Hospital Militar de Luanda (em colaboração com o grande amigo Dr. Alberto Vitorino Marques, companheiro “daquela guerra” como aliás de muitas outras noutras oportunidades ao longo da vida).

Regressado a Portugal Continental, o Prof. encontrou um novo panorama: ”senti que a estomatologia que tinha conhecido estava muito distante da que agora se praticava no mundo”,

Adquiriu formação actualizada em Espanha, França, Dinamarca e Suécia, o que lhe proporcionou conhecer grandes figuras da ciência médica estomatológica, e estabelecer fortes laços de amizade. Já a par da evolução que entretanto a estomatologia sofrera, tendo regressado ao Hospital de Santa Maria, fez a minha carreira hospitalar, atingindo o grau de Médico Graduado e depois Chefe de Clínica.

Após a revolução de 1974, o Dr. Bação Leal, distinto médico estomatologista prestigiado dentro e fora do país, tirando partido das suas fortes influências pessoais, ”convenceu” o Governo a criar o ensino organizado da Medicina Dentária em Portugal. Sempre com convocatórias endereçadas a todos os estomatologistas do País através da Sociedade Portuguesa de Estomatologia, mais tarde por proposta do Pof. Simões dos Santos, transformada em Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária.

Pelo decreto-lei n.º 282/75, de 6 de Junho, foi criada a Escola Superior de Medicina Dentária de Lisboa, e, simultaneamente, nomeada a comissão instaladora.

Ainda em 1974 foi convidado pelo Prof. Sólon Galvão Filho, a frequentar um curso de especialização em prótese dentária, na Universidade de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

Regressado do Brasil, partiu para a Noruega para dar corpo à manifesta vontade do governo norueguês apoiar a instalação e início do ensino regular da Medicina Dentária, preparando os treze estomatologistas que se ofereceram para protagonizar esta aventura da criação do ensino da Medicina Dentária em Lisboa.

Em 1976 é nomeado Presidente da Comissão Instaladora, cargo que manteve até 1991, data da integração da Escola na Universidade de Lisboa, passando desde então a designar-se Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa e eleito seu Director o Prof. Simões dos Santos.

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