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Portugal: Autárquicas 2017 - Nada de novo no final da romaria

16.10.2017
 
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Portugal: Autárquicas 2017 - Nada de novo no final da romaria

Análise: O que se alterou? Os votantes situam-se ao nível de há 35 anos. As oligarquias partidárias mantêm o poder local sob controlo. O PS/PSD continua a dominar a cena autárquica e a chamada esquerda regride, quer através das grandes perdas do PCP/PEV quer pela continuidade da irrelevância autárquica do BE.

Isto resulta de haver uma enorme maioria de ingénuos ou ignorantes que vai tolerando uma minoria de alarves que vive regaladamente, agarrada ao pote.

É todo o modelo de representação que necessita de uma funda remodelação para que se possam chamar democráticos aos processos eleitorais em Portugal.

1 - Leitura histórica dos resultados eleitorais  

A participação em eleições autárquicas para as câmaras revela uma relativa estabilidade no volume dos votos partidarizados e um ligeiro aumento dos votos em brancos e nulos nos últimos momentos eleitorais. A única variável com um dinamismo visível nos quarenta anos de actos eleitorais relativos às câmaras é a que corresponde à abstenção; uma realidade que se verifica também nas eleições para a Assembleia da República, como analisámos, em devido tempo. Sabe-se, em ambos os casos, que nas abstenções estão incluidas centenas de milhar de pessoas ausentes, inexistentes ou inscritas em locais onde não residem há muitos anos; o que constitui uma situação reveladora da particular importância que a classe política dá ao acesso ao pote, em detrimento da transparência democrática.

No capítulo das votações do passado dia 1 observa-se uma quebra do volume de abstenções, porventura relacionado com a descompressão resultante do abrandamento da austeridade e a mudança de governo em 2015. Por outro lado, o voto partidarizado, tendo embora aumentado face ao nível de 2013 revela-se inferior ao de todas as eleições levadas a cabo depois de 1993 e com valores semelhantes aos registados em... 1982; o que revela a grande desafeição da plebe face à classe política.

Quarenta anos de eleições comportam alianças eleitorais várias, temporárias, bem como forças políticas também temporárias, com maior ou menor relevância. Procedemos, em seguida, a algumas agregações para que se consiga uma grande aproximação ao que existe atualmente, para uma maior compreensão da realidade presente e do caudal de situações que através do tempo desembocaram no momento actual; mais precisamente, para o quadro expresso na romaria eleitoral de 1 de outubro.

As diferenças programáticas entre os vários partidos não são vincadas mas apenas construções conjunturais e mediáticas com o objetivo essencial de acesso à chave do pote; as promessas eleitorais constituem bastas vezes um longo cardápio de propostas ridículas ou afirmações redundantes. Damos como exemplo, as comemorações do Dia da Criança ou do 25 de Abril, a promoção de projetos de animação desportiva, a comemoração do aniversário da vila, a valorização do espaço rural, a modernização dos cemitérios, etc; nada que atraia particularmente a população. Qualquer autarca sabe que o que tem tem visibilidade e gera afluência de público são as feiras de calorias e os festivais pimba, com imensos decíbeis emitidos para o ensurdecimento dos presentes. Nesta vacuidade e falta de reais compromissos, devido ao bloqueio da intervenção popular - o presidente da câmara é um soba com poder absoluto - as eleições acabam por ser uma oportunidade de revelar apenas preferências sentimentais, clubísticas, para parte substantiva da multidão dos votantes. 

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