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Eleitos dez "Grandes Portugueses"

16.01.2007
 
Eleitos dez "Grandes Portugueses"

Os dez "Grandes Portugueses" foram encontrados neste fim da semana de onde sairá o maior de sempre. A RTP divulgou a lista de dez, a partir de 100, votada através de SMS e “E-mail”. Dos finalistas, apresentados por ordem alfabética, o único que viveu ainda no século XXI foi Álvaro Cunhal – político que, na escrita, optou pelo pseudónimo de Manuel Tiago –, falecido a 13 de Junho de 2005.

No século passado, destaca-se o poeta Fernando Pessoa, que deu vazáo а sua fértil imaginação recorrendo a vários heterónimos. No mesmo período, os portugueses escolheram António de Oliveira Salazar e Aristides de Sousa Mendes. Recorde-se que o ditador destituiu o diplomata por este ter passado passaportes portugueses a milhares de judeus e ciganos, salvando-os, assim, dos campos de concentração nazis.

A lista prossegue com o primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques; com o infante que deu novos mundos ao Mundo, D. Henrique; com o monarca que assinou o tratado de Tordesilhas, D. Jo г o II; o príncipe dos poetas, Camões; Marqu к s de Pombal, e, ainda, o descobridor do caminho marítimo para a Н ndia, Vasco da Gama.

O sociólogo Manuel Villaverde Cabral diz que a lista dos dez finalistas é "absolutamente conservadora” (...) muito ajuizada, para não dizer extremamente “certinha", escreve Diário de Notícias. "Corresponde aos 'valores seguros' da história portuguesa, o que confere uma espécie de 'objectividade' à lista", diz, adiantando que, como "estão todos mortos e enterrados, já não podem estragar nem melhorar a biografia".

Os nomes que provêm de um passado recente - que "ainda não está sedimentado" e por isso tem uma maior "subjectividade" - levaram a que os votantes se afastassem, "pondo-se no lugar do professor primário que lhes ensinou a pouca história que conhecem.

 Talvez por isso Mário Soares e outros políticos vivos não tenham chegado à final", deduz Villaverde Cabral. Já "as 'imagens' dos mortos é que podem variar conforme a evolução da sociedade", o que explica a presença de Salazar, "mostrando que uma elevada percentagem de pessoas que responderam (...) já chegou ideologicamente àquela posição 'Volta Salazar, estás perdoado!'".

Segundo o sociólogo, "isto diz muito sobre o desempenho e a credibilidade dos políticos pós-25 de Abril, dos quais apenas Álvaro Cunhal - graças certamente aos três volumes da biografia de Pacheco Pereira - mereceu ser recordado".

 Em suma, "Salazar & Cunhal - os heróis-inimigos que simbolizam os 'dois Portugais' do séc. XX, o 'bom' e o 'mau', segundo os gostos das pessoas que assumem uma posição", descodifica Villaverde Cabral, que antevê uma "mobilização a favor e contra Salazar e Cunhal para impedir que qualquer deles ganhe para vergonha dos políticos no activo".

 Veredicto final para o sociólogo: Vasco da Gama ou Camões, "faces da mesma moeda épica", enquanto a surpresa recai sobre Aristides de Sousa Mendes, nomeação que se deve a "uma certa necessidade, da parte de uma sociedade com baixa auto-estima, de afirmar um valor moral reconhecido fora do país".

A votação já reabriu para eleger, entre estas dez personalidades, “Os Grandes Portugueses”, agora apenas por telefone. Além de escolher uma das figuras que fizeram a Hist у ria de Portugal, os telespectadores ter г o de acrescentar ainda dados como a localidade, o sexo e a idade, para, posteriormente, se fazer uma estat н stica do sentido de voto.

 Em Março serão conhecidos os resultados.


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