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A longa marcha das desigualdades - 3 Portugal, desastre periférico e pasto de ladrões (1995- ...)

10.09.2018
 

 

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A longa marcha das desigualdades - 3 Portugal, desastre periférico e pasto de ladrões (1995- ...)

Portugal, desastre periférico[1] e pasto de ladrões (1995- ...)

O país mais pobre da Europa ocidental é dominado por capitais externos, vai pulando entre bolhas imobiliárias e alimenta uma classe política constituída por corruptos e aves canoras.

O que sobra é um território desertificado, atravessado pelas redes das multinacionais e onde o sistema financeiro montou uma renda ancorada em dívida.

  

1 - Tempos de muita tempestade e pouca bonança

  

Depois do chamado Buzinão da Ponte[2], Cavaco enceta, em 1995, a sua falhada caminhada para aceder à presidência da República contra Jorge Sampaio e, entretanto deixa o seu PSD para um baço e frágil - Fernando Nogueira[3]. O PS, dirigido por Guterres, ganha as eleições desse ano, assegurando a sós, a posse do governo e essa reminiscência monárquica chamada presidência da República.

Cavaco tinha pensado reduzir a dívida pública através das receitas das privatizações e que não conseguiu e os deficits[4] continuaram, como norma dos governos seguintes, até hoje, a despeito da intervenção saneadora (?) da troika, de mais uma rodada de privatizações e de apoios financeiros externos. No final do período cavaquista (1995), o PIB apresenta um crescimento nominal de 4.7 vezes e a dívida pública aumenta 5.9 vezes, com um concomitante aumento do peso desta no total do PIB. Em 1995, a dívida pública correspondia a 58.3% do PIB, muito próximo, portanto do máximo de 60% que viria a ser imposto pelo Pacto de Estabilidade e Convergência (PEC), de 1997, para a entrada na moeda única da UE.

Essas privatizações não sanaram as contas públicas nem criaram grupos económicos, sobretudo porque os antigos donos, mesmo nos casos em que se reapoderaram das empresas nacionalizadas em 1975, logo trataram de as vender a capitais estrangeiros ou a mudar radicalmente de negócio. É paradigmático o caso do grupo Melo cujo patriarca, o grande "capitão da indústria", preferiu à banca e à indústria, as rendas das portagens ou a área da saúde, beneficiando de um mercado (?) com rentabilidade assegurada pelo orçamento; uma versão atualizada de protecionismo e de dependência dos favores do Estado, vigentes no tempo do fascismo.

O governo Guterres herda a crise de 1993/95 mas, já na sua fase descendente. Aponta como prioridades, a sua paixão pela educação[5], a imitação do "tigre celta" (Irlanda), a sociedade da informação e a preparação para o euro, sobretudo esta, que obriga à redução dos deficits para os valores mais baixos depois do 25 de Abril, o mesmo acontecendo com a dívida pública que passa de 58.3% do PIB em 1995 para 50.3% em 2000; voltando a crescer acentuadamente a partir daí. As elevadas receitas das privatizações e alguma criatividade contabilística[6] na construção do deficit permitem esses resultados.

A subida do petróleo em 1999 e a crise dos dotcom, com o rebentamento da volúpia tecnológica nos EUA, são dificuldades que coincidem com a entrada no euro. A partir daí assiste-se à escalada do deficit e da dívida, enquanto os bancos lusos, esgotada a poupança interna, se endividam perante os grandes bancos europeus, para alimentarem a bolha imobiliária e a correspondente corrupção, na construção do Parque das Nações, na Expo-98 e a demente deriva de crédito para consumo.

O euro surge em 1999 em transferências e cheques, depois de já funcionar como unidade monetária escritural e, em 2002 inicia o seu curso como moeda corrente, no seguimento do PEC - Pacto de Estabilidade e Crescimento) que estabelece aumentos de 3% para o PIB e uma dívida pública inferior a 60% do PIB, que o "bom aluno" português procurou cumprir. Como é evidente, numa área económica integrada, uma moeda única[7] tem vantagens como se vem observando e observará a partir da Grã-Bretanha, se se concretizar o Brexit (e nas condições em que isso ocorra); esperando Trump que as coisas corram mal para que a Grã-Bretanha se torne a sua testa de ponte na Europa.

Em 2002, após o descalabro nas eleições autárquicas, Guterres demite-se de primeiro-ministro e de chefe do PS, sucedendo-lhe Durão Barroso, num governo PSD/CDS que consegue agravar muitos indicadores em 2003 (decréscimo do PIB, aumento do desemprego, consumo privado ou público a decair, bem como a FBCF). Refira-se, por curiosidade, que o valor real do PIB em 2012/14 se viria a situar abaixo do valor de 2003, por ação da troika e do sinistro duo Passos/Portas, apostados em ..."ir além da troika". Durão brilhou no papel de estalajadeiro na cimeira das Lajes, onde Bush (filho), Blair e Aznar decidiram avançar para a segunda guerra no Iraque, em 2003. Com os méritos de bom estalajadeiro e mau primeiro-ministro, aproveitou o convite para presidente da Comissão Europeia, cargo que exerceu durante dez anos, sem brilho e, monitorizado por Blair, enquanto este facínora esteve em cena; seguiu depois para lobista da Goldman Sachs junto das instituições europeias.

Ler na íntegra e original

http://grazia-tanta.blogspot.com/

 


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