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Portugal: 46 mil professores sem colocação

08.09.2008
 
Portugal: 46 mil professores sem colocação

Por Andreia Lobo

Quase 80% dos candidatos ao concurso de contratação docente para o Ensino Básico ficaram sem colocação. A estes professores, resta agora esperar pelas contratações cíclicas. Cerca de 46 mil professores do Ensino Básico ficaram sem colocação no concurso de contratação para o ano lectivo de 2008/2009, destinado a colmatar as necessidades residuais de pessoal docente. Mas ainda há listas publicadas em branco.

Ontem [dia 30 de Agosto], os cerca de 3700 educadores do pré-escolar, candidatos a um horário neste concurso, permaneciam sem saber o seu destino. O mesmo acontecia aos 13 700 professores do 1.º ciclo, condicionados a consultar apenas as listas de ordenação, de exclusão e de não colocação. O EDUCARE.PT analisou as listas divulgadas pela Direcção-Geral de Recursos Humanos de Educação (DGRHE) e fez as contas possíveis ao número de colocados e não colocados. Assim, no 1.º ciclo estima-se que cerca de 89% dos candidatos tenham ficado sem colocação.

 No 2.º ciclo, a percentagem de colocados varia entre o 1%, no grupo de Português e Francês, e os 13%, no grupo de Matemática e Ciências da Natureza. Já no 3.º ciclo, alguns grupos destacam-se com taxas de colocação na ordem dos 76%, é o caso dos professores de Espanhol. Os grupos de Electrotecnia e de Informática são também dos conseguem uma percentagem maior de colocados: 37% e 48%, respectivamente. No entanto, estes valores são excepções ao panorama geral onde a percentagem de professores que conseguem colocação varia entre os 2%, em Educação Tecnológica, e os 16%, a Biologia e Geologia.

Entre os professores do ensino especial para o 1.º e 2.º ciclo, foram colocados 39% dos candidatos. A lista destinada às colocações no 3.º ciclo permanecia em branco, à hora de publicação deste artigo. Candidataram-se a este concurso cerca de 57 mil professores só no Ensino Básico, destes estima-se que tenham sido excluídos aproximadamente 5 mil, um valor próximo do número de colocados que ronda os 6 mil.

O resultado não surpreende as organizações sindicais. A estimativa da Federação Nacional de Professores (FENPROF) apontava para os 50 mil não colocados. Do lado ministerial, ainda as listas não tinham sido publicadas no site da DGRHE, já o Ministério da Educação (ME) adiantava em comunicado: "O número de professores colocados nas escolas portuguesas ascende a 125 mil", uma informação divulgada pela agência Lusa, na noite de 29 de Agosto.

As reacções a este número oficial aconteceram na manhã do dia seguinte em que muitos professores verificavam sem espanto o seu nome na lista dos não colocados. "O ME continua a insistir em não abrir lugares de quadro em número suficiente, a fim de proceder à efectivação de todos aqueles que têm mais do que direito a isso e, no entanto, ano após ano, têm continuado como contratados", contesta um participante no espaço de opinião Fórum da EDUCARE.PT.

Escreve ainda um leitor do site Público.pt, num comentário deixado a esta mesma notícia da Lusa publicada na secção online "Última Hora" daquele jornal: "As declarações da Ministra estão perfeitamente desenquadradas da publicação das listas definitivas, o que ela disse já podia ter dito em Julho, com os mesmos números, pelo que a notícia avançada na altura que foi destina-se obviamente a enganar os portugueses".

Lê-se ainda na "Blogosfera": "Mais uma vez o ME faz demagogia, anunciando a colocação de 125 mil professores, o que não corresponde à verdade. Nesta altura só foram colocados professores contratados e aqueles que concorreram a um destacamento, uma opção que é cada vez mais dificultada. No total, trata-se de poucos milhares, já que o concurso a sério apenas ocorrerá no próximo ano, depois de cumpridos três anos sobre as colocações realizadas no último", escreve Telmo Bértolo, professor e autor do blog www.partilhadosaber.blogspot.com. Dos protestos virtuais para os reais, o dia de hoje está a ser consagrado à manifestação.

A FENPROF quer mostrar a realidade para lá dos números divulgados pelo ME. Os protestos acontecem, por isso, nas proximidades dos centros de emprego de várias cidades do país e inserem-se na jornada de luta sindical contra o desemprego na classe docente.


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