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RTP, jingoismo e futebol

02.07.2006
 
RTP, jingoismo e futebol

Rádio Televisão Portuguesa é o nome da estação estatal de televisão de Portugal, cujo serviço público durante a Copa foi recusar-se a transmitir os jogos, relegando esse favor ao Sport TV, na TV Cabo, que acompanhou as péssimas transmissões com atitudes de arrogância e monopolismo. Restou à RTP a transmissão da Alemanha de peças absurdas, insultuosas e infantis.

A transmissão no Domingo de manha da parte da RTP-Notícias acerca de um ataque por “ingleses” contra adeptos portugueses “incluindo crianças” que assistiam ao jogo de ontem entre Portugal e Inglaterra chocou a redacção da PRAVDA.Ru de tal maneira que ligámos para nosso correspondente permanente na Alemanha, o jornalista de desportos Aleksei Federov, que porventura assistia a este jogo e estava perto da jornalista da RTP quando esta declarava que estava sob o ataque dos adeptos ingleses. Vamos ver o outro lado da notícia, vamos ver a veracidade das reportagens da RTP, que nem transmitir os jogos é capaz, ao contrário do seu congénere BBC.

Declaração de Aleksei Federov

“Estava perto da equipa da RTP quando fazia a reportagem e nem sabia que estavam a afirmar que estavam a ser atacados por ingleses que atiravam pedras, pois não havia adeptos ingleses na área. Tinha havido um incidente dentro do estádio depois de adeptos portugueses terem atirado sacos com urina e fezes contra um grupo de ingleses, um dos quais rebentou na cabeça de um menino inglês de quatro anos e que provocou a fúria dos pais e posteriormente de um grupo de adeptos que veio a saber. Se havia uma troca de pedras, é muito estranho pois os alemães têm isso tão bem organizado que simplesmente não se encontra mísseis de nenhum tipo fora dos estádios, quanto mais dentro.

“A equipa da RTP começou a correr curiosamente depois da jornalista e outros membros da equipa terem falado com membros do público. De repente, começaram a correr em todas as direcções sem aparentemente haver motivo algum”.

Sacos com urina e fezes

De facto, nem seria acreditável que alguém pudesse pensar num acto tão primário se tal acto de barbaridade não tivesse sido testemunhado dentro do Estádio da Luz durante a UEFA 2004 por jornalistas que nos contactaram e anteriormente durante um jogo entre SL Benfica e Arsenal.

O facto da RTP ter transmitido esta “história” do lançamento de pedras contra crianças portugueses por adeptos ingleses é curioso muito mais porque as histórias e imagens de adeptos ingleses a celebrarem a vitória de Portugal com adeptos portugueses, a dançarem juntos nas ruas, a beberem juntos, estão facilmente visíveis em todos os canais de notícias internacionais.

Se Aleksei Federov não viu algo que a equipa da RTP visse, é possível. Que Aleksei Federov iria inventar uma história acerca de sacos de urina e fezes, quando não se vê esse...hábito...em mais sítio algum, e quando o autor deste artigo já infelizmente o testemunhou há cerca de dez anos, aquando da visita do Arsenal de Londres ao estádio de Benfica, é impossível.

Mas não vamos começar a rotular todos os portugueses de tresloucados e porcos por causa da acção de alguns selvagens, nem vamos pintar todos os adeptos ingleses de vândalos por causa do lançamento de pedras (??). Onde estavam os duzentos e tal membros das equipas da RTP nas ruas de Gelsenkirchen antes e depois do jogo de ontem, quando adeptos ingleses e portugueses estavam a celebrar e dançar juntos nas ruas?

Ou esqueceram desta história ou tinham ordens para não a procurar ou então a redacção em Lisboa tinha instruções para apresentar uma linha deturpada, jingoista e falsa. Que vergonha para uma estação que está supostamente a providenciar um serviço público (que não presta há anos) e que se quiser comparar-se às outras estações, por exemplo, as britânicas, leva com este: todos os jogos deste mundial estão acessíveis na Inglaterra na BBC ou na ITV, estações gratuitas.

Se a estação estatal de TV portuguesa quer apresentar um jogo de futebol como se fosse um feito tão importante, então relega esta nação ao estatuto de Togo, por exemplo, que tem problemas sociais e económicos tão graves que vê no futebol uma saída. Se a estação estatal de TV portuguesa quer pintar todos os ingleses de diabos, então relega o estatuto desta instituição a aquele dos atrasados mentais no interior da Zâmbia ou Botswana que gritem “Bruxo!”, apontando o dedo ao transeunte mais próximo, que a seguir é linchado, regado com gasolina e queimado vivo pela população.

Se a estação estatal de TV portuguesa realça falsidades como fez ontem, sem sequer referir uma única vez aos excelentes elementos que tem a equipa técnica portuguesa, como por exemplo António Gaspar, o fisioterapeuta da selecção, a cuja clínica em Lisboa acedem portugueses a jogar em clubes de nomes sonantes pela Europa fora, porque o nível técnico está muito melhor em Lisboa, diz tudo.

Se a estação estatal de TV portuguesa quiser comparar-se aos outros na Europa, então seria bem começar pelas cifras sócio-económicas de Portugal, já quase na cauda da Europa dos 25, e tirar as devidas conclusões. Eu pessoalmente preferiria levar com uma pedra fictícia de um adepto inglês do que com um saco de mijo e merda de qualquer português.

E já agora, a RTP leva com esta pedra: afinal as únicas vezes que a equipa nacional de futebol consegue alguma coisa são quando manda nela um brasileiro.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru


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