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David Aloni (RENAMO) sobre arrogância de Guebuza

04.09.2007
 
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- A primeira coisa, para se abrir um diálogo, é haver eleições livres, justas e transparentes. É aqui onde começa o diálogo, pelo que quem não é transparente só quer ganhar com base em esquemas. Só dizem que a Renamo ou Dhlakama fala em fraudes; pois, é verdade, não são estórias. Quem ganha eleições com base em esquemas, sejam eles informáticos, sejam de intimidação, à boca das urnas, sejam eles em manipulações de recenseamento, é porque não está seguro.

Temos uma nova Comissão Nacional de Eleições?

- Outra fantochada. Já escrevi sobre a nova CNE, pelo que respeito muito as pessoas que lá estão. Espero que o Professor Doutor Leopoldo da Costa seja coerente com a sua intelectualidade, que se distancie do comportamento da performance daqueles dois reverendos que apareceram misteriosamente por obra da Frelimo. Eram fantoches. Aquela composição em si é sugestiva, pelo que, sugere-nos que pode haver uma jogada qualquer. Temos seis, naturais de Maputo, três, naturais de Gaza, dois, de Inhambane, um, de Tete e, um, da Zambézia. Querem manter o poder no sul? As três províncias do sul o que representam em relação às sete?. Não sei se o total da população de Nampula não supera a do sul todo, particularmente Maputo. Faço esta analise com muita preocupação e mágoa, porque sou patriota. Estiveram reunidos, recentemente, a apreciar “a estratégia da revolução verde”. Temos a jatropha, a luta contra a pobreza e agora a revolução verde. São palavrões bonitos e tudo conversa. Agora se me disser que está a lutar por maior riqueza, isso posso acreditar. Estão a deixar o povo moçambicano a vegetar. Uns dizem que o povo moçambicano é pacifico, eu digo que não é pacifico, é passivo de mais, até um dia. Temos chefes que dão cinco mil meticais aos filhos para esbanjarem ao fim de semana, enquanto o trabalhador mal ganha o salário mínimo. Onde está a justiça social de que tanto se fala? Onde está a distribuição equitativa da riqueza nacional? Se eu fosse Presidente, não abriria a boca, ficaria pasmado perante a desgraça e miséria que enferma os moçambicanos, em vez de dizer que “a pobreza está a fragilizar-se”.

Sente que o Conselho de Estado é um órgão moribundo?

- Não há vontade política para que este órgão funcione, de facto. Há quem pense que eu quero que se reúna o Conselho de Estado (CE). Negativo. Quanto mais tempo livre me dão, melhor para mim, de forma a ocupar-me de outras coisas, e se calhar, ate mais importantes para o Pais. Outros pensam que o membro do CE ganha 50 mil meticais, o que não é verdade, pois, nem um cêntimo de dólar recebem para fazer cantar um cego. Há que se respeitar o preceituado na Lei-Mãe. A tragédia de Malhazine e o crime violento que tomou conta do País, são motivos suficientes para se convocar o CE. O actual Chefe de Estado é prepotente e arrogante. Se quisesse ver o País a andar, havia de ouvir aqueles velhos que perfazem o CE. Mas ele se intitula sabichão e omnisciente. Como sabe, nós só reunimos uma única vez, para tratarmos da questão do regimento interno, cartão de identificação, e de lá a esta parte, não sabemos o que se passa com o CE. Ele diz que Moçambique está a mudar. Sim, está a mudar, mas para o abismo. Moçambique está a regredir em termos de democracia.

Tirando a questão da sua saúde, vozes há que dizem que Dr. Aloni está a ser isolado no seu partido...

- Não é verdade. Na Renamo há democracia. Sou membro do Conselho Nacional, e lá digo aquilo que penso e ninguém me trava a palavra. Igualmente, estou no governo sombra, onde ocupo a pasta de ministro da Indústria e Comércio. Tenho liberdade de pensar e dizer o que eu quiser na Renamo. Portanto, não estou isolado.

Fala-se na figura de David Aloni ou Davis Simango como os prováveis sucessores de Afonso Dhlakama. Pensa em candidatar-se?

- Recuso-me a ocupar esse lugar, porque a idade já não me permite correr. Deixo este tipo de cargos para jovens, porque a vida deste País está nas mãos da juventude.

Acha que a liderança de Afonso Dhlakama chegou ao fim?

-Recuso-me a responder a essa pergunta.

Na qualidade de ministro “sombra” da Indústria e Comércio, qual é o comentário que faz em torno da integração económica na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral?

- É sobejamente visível que vamos ser engolidos, até porque já o estamos. Houve uma precipitação em se querer meter neste processo, sem fazer um sério trabalho de casa. Em que sector vamos ser competitivos, se não se produz nada competitivo? Faliram os sectores têxteis e do caju, onde havia sinais de nos impormos na região. É claro que se a Renamo governasse, tudo faria para revitalizar estes sectores. Podíamos criar formas de actualizar, em formação e capacitação, o exército de trabalhadores que tanto produziu quando estava no activo. Podíamos criar formas competitivas de produção de batata como as produzidas em Moamba e em Angónia. São saídas viáveis...

*(nelo_mz@yahoo.com.br)

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