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Cabo Verde: 32 anos da Independência

05.07.2007
 
Cabo Verde: 32 anos da Independência

"Público", o jornal português divulga uma análise hoje sobre Cabo Verde, passados 32 anos da Independência. Intitulado "Cabo Verde, a encruzilhada e o momento decisivo", o artigo mostra as opiniões dos cabo-verdianos sobre a actual conjuntura nacional, marcada por um crescimento rápido da economia e do turismo e por muitas indefinições em diversos níveis, desde a cultura à família. Também o "New York Times" publicou, no passado dia 28, uma análise sobre Cabo Verde, "o arquipélago onde o fenómeno migratório mostra todas as suas faces".

O artigo explica como o turismo se está a desenvolver, falando da "massificação no Sal" e do "turismo de qualidade em Santo Antão". Depois procura analisar alguns dos problemas sociais do país (criminalidade, migração, crianças de rua e droga), dando voz, por exemplo, ao ministro da Administração Interna, que afirma: “Não temos capacidade para aguentar o ritmo desta combinação entre país de trânsito e de destino da migração irregular”.

Sublinha a jornalista, no entanto, que apesar do muito caminho a percorrer "Cabo Verde ocupa a 106ª posição do Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas", sendo o "líder do ranking entre os Estados africanos, quase duas dezenas de posições à frente da África do Sul".

 No que se refere a cultura nacional, assinala o fecho do cinema Éden Park, "naquela que é considerada a meca cultural de Cabo Verde". "É inevitável perguntar por que é que o cinema deixou de fazer parte dos interesses de gentes que nascem com a arte e fazem dela a sua forma de estar", escreve o "Público". Tenta ainda perceber porque há tanto debate em volta da oficialização do crioulo e sobre a pertença a África ou à Europa (o cabo-verdiano "’não pode dizer que é europeu e não quer dizer que é africano’, analisa a jurista Maria João Novais").

 O "New York Times", que no dia 28 de Junho publicou um longo artigo sobre os efeitos da migração em Cabo Verde, vê o país como "o pequeno território" onde quase todos os fenómenos/efeitos migratórios acontecem. "Emigrar começou por ser uma necessidade e tornou-se depois parte essencial do DNA dos cabo-verdianos. No Mindelo, pode-se jantar no café Portugal, beber um copo no Bar Argentina e caminhar ao longo da Avenida da Holanda", conta o NYT.

 O jornal norte-americano, no artigo intitulado "In a World on the Move, a Tiny Land Strains to Cope" (em português, "Num mundo em movimento, um pequeno território tenta vencer as dificuldades") relata pequenas histórias de cabo-verdianos, que têm familiares no estrangeiro, que desejam emigrar (“Temos aqui um cabo-verdiano que cortaria o braço direito para poder voltar aos EUA", conta Manuel Gomes), e as dificuldades que enfrentam, cada vez mais, para conseguir vistos ou trabalho na Europa e EUA.

 Ao analisar a encruzilhada de migrações que é parte da alma cabo-verdiana, o jornalista Jason DeParle fala das consequências da migração para as famílias (um aspecto ainda negligenciado pelos estudiosos da matéria em Cabo Verde). Conclui que a emigração pode "estimular a união familiar", mas "destrói também os laços familiares".

 Jorgen Carling, um geógrafo norueguês, explica ao jornal norte-americano que "admira a capacidade de Cabo Verde se inventar a si próprio como nação sem fronteiras", mas vê também na migração uma fonte de muitos problemas.

 "Pode enfraquecer os relacionamentos, encurtar a vida dos casamentos e promover a indiferença entre estudantes e trabalhadores. A expectativa de viver das remessas e a perspectiva de sair um dia do país pode alienar os cabo-verdianos do quotidiano", analisa.

 Na sua perspectiva, Cabo Verde "é uma amostra das contradições e fricções próprias da migração global que vive o mundo". "Está numa transição dramática - por um lado, é muito dependente da emigração e, por outro, tenta singrar num mundo em que as fronteiras se fecham cada vez mais".

 

Fonte A Semana online


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