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Brasil: César Benjamin, vice de HH, se afasta do PSOL, atirando

30.10.2006
 
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Brasil: César Benjamin, vice de HH, se afasta do PSOL, atirando

Por Altamiro Borges*

César Benjamin, candidato a vice de Heloísa Helena, sai atirando no PSOL – “para não me comprometer com nenhum besteirol” – e confirma os dilemas deste partido, que aprovou a neutralidade no segundo turno, mas não contém as suas divisões.


César: "Nunca fui do PSOL"

Com um discurso marcadamente de oposição ao governo Lula e com um forte viés moralista, a candidata Heloísa Helena conquistou 6,6 milhões de votos no primeiro turno (6,3% do votos válidos) e projetou uma nova força política no país. Terminado aquele round, porém, a “frente de esquerda” formada para apoiar a ex-senadora sofreu fraturas e seu próprio partido, o PSOL, ingressou numa fase de intenso debate interno.


Muitas perguntas sem resposta


HH prega a neutralidade no segundo turno; algumas correntes do PSOL defenderam o voto nulo e outras tendências e personalidades propuseram que se evite o retrocesso representado por Alckmin. Já no interior da coligação, o PSTU reafirmou seu principismo do voto nulo, enquanto o PCB indicou "voto crítico em Lula".


Os dilemas são muitos e não se restringem apenas ao segundo turno da sucessão. Ninguém sabe ao certo qual será o futuro do partido e da “frente de esquerda”. Qual será, de fato, o programa do PSOL? O de um partido anticapitalista radical ou de uma força antineoliberal? Qual será a sua tática no próximo governo? Reforçará a oposição radical ao presidente Lula, compondo-se com as forças conservadoras? Ou adotará uma postura independente, que demarque com o campo da direita e pressione o governo Lula? Qual será o seu formato organizativo? O de uma frente com várias frações internas ou de um partido centralizado? A “frente” será mantida ou foi apenas uma mera aliança temporária, eleitoral? São inúmeras as dúvidas.


“Combinação de ignorância e arrogância”


No caldeirão deste debate, as declarações de César Benjamin ao jornalista Tales Faria, publicadas na coluna Informe JB, do Jornal do Brasil, poderão ter o efeito de uma bomba de nêutrons. O economista que foi candidato à vice de Heloísa Helena aponta, de maneira incendiaria, os dilemas do PSOL e das forças que lhe deram sustentação. Apesar de longa, vale a pena reproduzi-la para demonstrar os enormes desafios que estas forças enfrentam. Diante da pergunta sobre os boatos de que estaria rompendo com o PSOL, César Benjamin desabafou:


"Não estou propriamente rompendo com o PSOL, pelo simples fato de que nunca fui do PSOL. Assinei a ficha, tempos atrás, a pedidos, para ajudar na campanha pela legalização da nova legenda, mas nunca militei no partido. Fui convidado para a posição de vice da Heloísa e aceitei. Mantive uma participação discreta, basicamente em debates em universidades e instituições, e tentei ajudar pessoalmente a Heloísa de diversas maneiras. Escrevi um documento programático de umas 60 páginas que terminou saindo em meu nome, pois a direção do PSOL é uma rara combinação de ignorância, truculência e arrogância".


Veja mais trechos das declarações no Informe JB (de terça-feira, 24):


“A truculência de pequenos burocratas”


"Depois de uns 40 dias de debates entre eles, dos quais não participei, pois estava em outras atividades, caminhavam para fazer alterações inaceitáveis, que mutilavam o texto e o reduziam a algo inominável. Quando vi o que estava sendo gestado, dei um pulo: a partir do meu trabalho, isso não! Era um desrespeito à inteligência alheia. Daí a decisão de publicar o meu texto na íntegra, com minha assinatura pessoal, de modo a não me comprometer com nenhum besteirol."


"Passada a campanha, acho que em algum momento vou encaminhar minha desfiliação formal, mas não tenho pressa. É mera formalidade, pois, como disse, não milito no partido. Sequer fui chamado a opinar sobre a posição em relação ao segundo turno, o que mostra o nível de truculência desses pequenos burocratas. Vi a posição do PSOL pelos jornais... Eu teria proposto que encaminhássemos cinco ou seis pontos programáticos sérios, de interesse do Brasil, para um debate com o PT. Nem adesão (pois seriam pontos sérios), nem provocação (pois seriam coisas possíveis), pedindo que o PT e o Lula se posicionassem. Como isso não foi feito, temos aí este segundo turno deprimente.


“Resolução em caráter proibitivo”


O desabafo de César Benjamin revela o imbróglio do PSOL. Logo após a confirmação dos resultados do primeiro turno, a candidata Heloísa Helena, com seu estilo personalista e intempestivo, foi em frente. Em discurso no Senado, “proibiu” os filiados do partido de se manifestarem no segundo turno. “Lá na urna, tudo bem. Pode votar em que quiser. Mas publicamente não. Se quiser, tem que ir para o PSDB ou para o PT”. Reforçando sua imagem de “valente”, ela lamentou: “O único detalhe que me dá um mistozinho de frustração é não ter podido enfrentar o Lula num debate. Porque, infelizmente, ele ficou lá sentadinho no seu troninho podre de corrupção, arrogância e covardia. E não teve coragem de ficar pertinho de mim”.

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