Pravda.ru

CPLP » Brasil

No Brasil, dois capitães da polícia, um deles juiz militar, presos por roubo e formação de quadrilha

30.08.2010
 
Pages: 123
No Brasil, dois capitães da polícia, um deles juiz militar, presos por roubo e formação de quadrilha

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Correspondente do Pravda

O grande equívoco do Direito é a falta de credibilidade no que diz o acusado, por ser um suposto criminoso; e a total credibilidade no que diz um policial, por ser da mesma forma um suposto agente da Lei. Entretanto, vezes ocorrem que, ao final, pela inquietude mental e espiritual de um Justo, Fiel e Verdadeiro Juiz, o acusado torna-se vítima inocente e o agente da Lei um criminoso hediondo.

RIO DE JANEIRO - BRASIL - Dois capitães da Polícia Militar do Rio de Janeiro, um deles exercendo a função de juiz da Auditoria Militar, foram presos, em flagrante, com mais oito pessoas, na madrugada do último dia 27/8, roubando cabos de fibra ótica de telefonia da Oi e da Internet, na Praia de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, e autuados pela Polícia Civil por roubo e formação de quadrilha.

A quadrilha de ladrões, da qual os dois oficiais da Polícia Militar faziam parte, estava sendo investigada pela Polícia Civil há dois meses, através de interceptações telefônicas, e chegou a obter, segundo a polícia, um lucro mensal da ordem de R$400 Mil, chegando a um total de R$ 2,5 milhões.

Segundo as investigações, os dois oficiais da Polícia Militar faziam parte da quadrilha e davam cobertura no roubo de cabos de fibra ótica, chagando a ter um lucro de R$ 400 mil, por mês. As ações criminosas da quadrilha, comandada pelos dois capitães, vinham sendo feitas a mais de um ano.

De acordo com o delegado Alan Luxardo os bandidos atuavam em diversos pontos da cidade e não apenas em Botafogo, onde foram presos. Os capitães Lauro Moura Catarino e Marcelo Queiróz dos Anjos eram os cabeças da quadrilha e faziam a segurança dos seus comparsas enquanto estes retiravam os cabos de fibra ótica.

Os dois oficiais da Polícia Militar utilizavam suas fardas militares e viaturas da corporação durante o roubo. O ex-policial militar Valter dos Santos, que também integrava a quadrilha, foi expulso da corporação em 1997 por extorsão, e João Fernando dos Santos foi banido por roubo, porte ilegal de arma e até sequestro.

A dupla de militares bandidos, por ser oficiais da Policia Militar, está presa no Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, Zona Norte do Rio de Janeiro, certamente com todas as regalias que a patente militar lhes oferece.

De acordo com o delegado Alan Luxardo, os furtos eram feitos sempre à noite, com o apoio e proteção dos dois policiais militares: “Em geral todas as pessoas que cometem crimes sempre negam, mas de qualquer maneira nós tivemos a afirmação deles de quer realmente estavam fazendo isso há algum tempo e que eram responsáveis até mesmo pelo encontro com o receptador e pela segurança da ação de subtração”.

O comandante geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, coronel Mario Sergio Duarte, disse que deseja ver os dois capitães ladrões expulsos da polícia.

De acordo com comunicado da Polícia Militar enviado à imprensa, o coronel não vai esperar a conclusão das investigações por parte da Polícia Civil porque as evidências em relação à má conduta dos dois capitães da PM são muito fortes e indicam a relação deles com o crime.

Em um dos trechos, o comunicado diz que "o comandante geral ordenou que o caso seja tratado com máxima prioridade porque é inadmissível que policiais pagos com dinheiro público para proteger a população e os bens privados e públicos sejam covardemente seus dilapidadores".

Segundo policiais da 9ª Delegacia de Polícia Civil, que investiga o caso, os capitães davam cobertura à ação criminosa da quadrilha, que utilizava um caminhão credenciado e equipamentos de uma empresa de telefonia para furtar os cabos de fibra ótica.

O delegado Ivan Luxardo explicou que, em cada ação, a quadrilha conseguiu entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. Mensalmente, os rendimentos do bando chegariam aos R$ 400 mil, segundo a polícia.

No momento da prisão, os dois oficiais da Polícia Militar davam cobertura ao roubo dos demais membros da quadrilha, identificados como José Fernando dos Santos, Alexandre Xavier do Nascimento, Arlindo Pereira Gomes, Carlos William Rodrigues Belo, Denílson Luís Brazão do Nascimento, Cristiano Martins Mendes e Walter Luís Virgílio dos Santos. Entre os presos, também está o ex-soldado da Polícia Militar Válter Dias Filho, expulso da corporação há 13 anos por corrupção.

A própria Polícia Militar confirmou que um dos oficiais presos, Lauro Moura Catarino, é capitão da Auditoria Militar, responsável pelo julgamento dos policiais militares acusados de receber propina do caso Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, que morreu atropelado no dia 20 de julho deste ano.

O capitão Lauro Moura Catarino era juiz militar responsável pelo julgamento dos policiais militares Marcelo José Leal Martins e Marcelo Bigon acusados de receber propina para liberar o atropelador do músico Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, e falsificar o boletim de ocorrência sobre o episódio.

No dia 26/8, poucas horas antes de ser preso, por roubo e formação de quadrilha, o capitão Lauro Moura Catarino participou da audiência da Auditoria Militar em que os policiais militares Marcelo José Leal Martins e Marcelo Bigon, acusados de corrupção, foram ouvidos.

Pages: 123

Loading. Please wait...

Fotos popular