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Brasil: Controle aéreo normalizado

29.07.2007
 
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Brasil: Controle aéreo normalizado

"Não há mais atrasos por problemas de controle aéreo", diz DECEA

Em entrevista ao Em Questão, o brigadeiro afirmou que o sistema de controle do tráfego de aviões no País é seguro, que estão sendo formados novos controladores para suprir a atual deficiência desses profissionais e que os equipamentos estão dentro das normas de funcionamento previstas. Responsável pelos quatro Cindactas (Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo) do País, o brigadeiro Ramon Cardoso, formado pela Academia da Força Aérea em 1971, está no comando do DECEA desde novembro do ano passado.


Em Questão - Qual a situação hoje do controle do tráfego aéreo no País?


Major Brigadeiro Ramon Cardoso - Nós temos duas variáveis em relação ao controle aéreo. A primeira é relativa ao volume de tráfego, que teve crescimento muito grande, inclusive maior que a média mundial. É processo que se vem desenvolvendo há vários anos. O segundo aspecto é quanto a nossa capacidade. Temos condições de controlar todos os vôos que queiram ser realizados no nosso espaço aéreo no que se refere a consoles, radares, sistemas de comunicação. Nossa limitação é no número de controladores que conseguimos pôr em operação simultaneamente. E isso faz com que haja espaçamento de vôos.


EQ - O que está sendo feito para suprir essa deficiência? As novas contratações de controladores vão resolver o problema?


Maj Brig A Cardoso - Recebemos autorização para fazer a contratação de controladores que já se haviam aposentado. Esses controladores estão sendo contratados para suprir um pouco a nossa deficiência. E também estamos ampliando a formação desses técnicos de modo que até o final de 2008 nós tenhamos formado aproximadamente 600 novos controladores para assumir as funções em todo o Brasil e suprir nossa necessidade atual.


EQ - Como está a relação com os controladores?


Maj Brig A Cardoso - Colocamos as pessoas que tinham comportamento inadequado fora das áreas de controle. Obviamente, houve todo um desgaste entre os controladores e os oficiais diante de tudo o que aconteceu. Mas, ao mesmo tempo, temos de dar apoio a todos os outros controladores que estão trabalhando muito bem para que a gente tenha o controle do tráfego aéreo seguro.


EQ - Quantos controladores há hoje?


Maj Brig A Carsoso - Cerca de 2.500 controladores no Brasil, dos quais 2.100 militares e 400 civis. Esse é o total de controladores existentes para cumprir todas as atividades. Não só o controle da aviação civil, mas também a parte de defesa aérea.


EQ - Qual é o tempo que leva para formar um controlador?


Maj Brig A Cardoso - O curso básico é de um ano. Depois disso, nós temos outra fase de especialização, que varia de acordo com o órgão operacional onde o controlador vai trabalhar. É importante registrar que trabalhamos para diminuir o tempo de formação especializada, sem prejuízo da qualidade, e aí teríamos os novos controladores entrando mais cedo em operação.


EQ - Os equipamentos dos Cindactas estão em ordem?


Maj Brig A Cardoso - Os equipamentos são instalados com expectativa de uso de aproximadamente 10 anos. Nós temos dois sistemas que estão na hora de trocar: o de Curitiba fica pronto em outubro deste ano. A substituição do de Recife começa a partir do término do serviço feito em Curitiba, de modo que aquele esteja pronto em outubro do ano que vem. Em relação aos radares, todos estão em ordem. Estamos fazendo a última modernização para prorrogar o tempo de vida deles por mais 10 anos. Na parte de comunicação, estamos substituindo alguns equipamentos, que estão chegando próximo desse limite de vida útil de 10 anos.


EQ - Não há, portanto, problemas com equipamentos?


Maj Brig A Cardoso - Não temos problemas com equipamentos. Nós temos planejamento de substituição e à medida que recebemos os recursos orçamentários estamos cumprindo essa substituição, que inclusive já estava planejada. Não é coisa nova. O documento que fez esse planejamento foi de 2005. Então, nós estamos realmente cumprindo o que já estava planejado anteriormente.


EQ - O que é possível dizer sobre a ocorrência no Cindacta 4? (Na sexta-feira passada, houve pane elétrica no Cindacta 4, em Manaus, que prejudicou o controle dos vôos na região.)


Maj Brig A Cardoso - Existe uma investigação em curso. Mas tudo leva a crer que nós tivemos ali um erro da pessoa que estava executando o serviço, erro humano. O técnico que estava executando os procedimentos o fez de maneira errônea. Estamos fazendo avaliação técnica daquela ocorrência e também sindicância para sabermos se o erro foi intencional ou não.


EQ - Quais os parâmetros internacionais de controle aéreo que o Brasil segue?


Maj Brig A Cardoso - Os estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional, que tem 188 países filiados. Ela estabelece critérios, procedimentos e recomendações,que são cumpridos por nós aqui no Brasil. Atendemos perfeitamente aos requisitos internacionais, tanto de segurança quanto de operação de equipamentos e de sistemas.

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