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Com Dilma ou Aécio, agronegócio ameaçará direitos de indígenas e quilombolas‏

28.10.2014
 
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São Paulo - O agronegócio brasileiro passou por grande transformação neste século, conquistando uma posição de destaque no cenário internacional e alçando o Brasil a condição de grande potência global do setor. Apontada como área mais dinâmica da economia brasileira, a agropecuária representa 23% do Produto Interno Bruto (PIB) e foi responsável por 41% das exportações do país em 2013, segundo a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). O país é o maior produtor e exportador de café, açúcar, etanol de cana-de-açúcar, suco de laranja e carnes bovina e de frango. Também lidera o ranking das vendas externas do complexo soja (farelo, óleo e grão), é o segundo em exportações de milho, quarto em carne suína e quinto em algodão.

Esse poderio econômico se reflete logicamente na política nacional, onde representantes do agronegócio se fortaleceram significativamente no Congresso Nacional. Agora, em período eleitoral, nos discursos, agendas e alianças dos dois candidatos que permaneceram na corrida presidencial, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).

Essa influência também se manifesta nas doações de campanha, no pleito mais caro desde a redemocratização do país. Grandes corporações brasileiras do setor, como a Copersucar, a Cosan, a Cutrale, aparecem na lista das maiores doadoras. A JBS, líder mundial no processamento de carnes e dona das marcas Friboi e Seara, foi o grupo que mais contribuiu e um dos principais doadores das campanhas de Dilma e Aécio, que disputam neste domingo (26) quem ocupará a Presidência da República nos próximos quatro anos.

O agronegócio ainda é cobiçado pelos presidenciáveis pela capacidade de angariar votos, em especial nos municípios com até 100 mil habitantes, onde os prefeitos têm maior poder de influenciar eleitores nas campanhas. A maioria das prefeituras do país é do PMDB, legenda que está mais associada ao setor e a que possui o maior número de congressistas da chamada bancada ruralista.

Oficialmente conhecido como Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o grupo tem força para indicar nomes para o ministério da Agricultura e os presidentes das comissões de Agricultura e do Meio Ambiente da Câmara e da Comissão de Reforma Agrária do Senado. Para não restar dúvidas da força do agronegócio nas eleições, a principal porta-voz dos ruralistas na sociedade civil, a CNA promoveu, em agosto último, uma sabatina com os três principais candidatos durante a campanha do primeiro turno (além de Dilma e Aécio, foi ouvido Eduardo Campos). Na eleição presidencial de 2010, somente José Serra (PSDB) havia visitado a entidade.

A certeza de uma "vitória ruralista" nas eleições estava expressa em coluna da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que preside a CNA e é tida como grande aliada da presidenta Dilma, no jornal Folha de S.Paulo, durante o primeiro turno. Segunda ela, o vencedor das urnas seria o agronegócio, qualquer que fosse o desfecho das eleições. E, de fato, o resultado para a bancada ruralista não poderia ter sido mais positivo. Segundo a FPA, seu núcleo deve passar de mais de 70 deputados federais, mas o grupo conseguirá angariar apoio de ao menos 270 congressistas na próxima legislatura.

 

Ler na íntegra:

http://www.redebrasilatual.com.br/eleicoes-2014/mais-poderoso-setor-do-agronegocio-enfraquece-governo-federal-no-campo-5270.html

 


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