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ONU considera Brasil uma nação de alto desenvolvimento humano

27.11.2007
 
ONU considera Brasil uma nação de alto desenvolvimento humano

Pela primeira vez em 30 anos, relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado hoje, mostra que o Brasil atingiu, o índice de 0,8 de uma escala que vai de 0 a 1. Com esse indicador, o País passou a ser considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma nação de alto desenvolvimento humano.

Na lista geral, no entanto, o Brasil caiu de posição. Da relação de 177 nações e territórios analisados no parecer do PNUD, o País passou da 69.ª posição, em 2006, para 70.ª, neste ano. A mudança é fruto de dois fatores. Albânia e Arábia Saudita passaram o Brasil, subindo, respectivamente, 5 e 15 pontos na classificação. Ao mesmo tempo, Dominica, que estava na frente do Brasil em 2006, caiu duas posições.

O assessor para Desenvolvimento Humano do PNUD, economista Flávio Comim, alerta que a classificação do Brasil como país de alto desenvolvimento precisa ser analisada com cautela. "É uma mudança simbólica, o que vale é o desempenho a longo prazo", adverte.

Comim observa que o Brasil ainda apresenta um desempenho muito aquém de países vizinhos, como Argentina e Chile. Sem falar no alto índice de pobreza humana. Neste quesito, o Brasil ocupa a 23.ª colocação, com 9,7% da população inserida na faixa de "pobreza humana".

Muitos países considerados de desenvolvimento médio exibem resultados melhores. É o caso da Venezuela e Colômbia, que trazem, respectivamente, 8,8% e 7,9% da população na mesma faixa. O Brasil passou a ser classificado como país de alto desenvolvimento humano depois de uma mudança de metodologia do PNUD, o que alterou expectativa de vida, a taxa de matrícula combinada e o PIB per capita. As três modificações foram favoráveis ao País.

HIV

O programa atualizou o impacto da incidência, transmissão e sobrevida de pessoas com HIV e constatou que, em muitos países, estatísticas apresentavam um cenário mais pessimista do que a realidade. Nesta revisão, que alterou indicadores de 62 países, Albânia e Brasil foram beneficiados. A expectativa de vida no País passou de 70,8 para 71,7. Na Albânia, o aumento foi de 73,9 para 76,2.

Com a alteração do critério da taxa de matrícula, o Brasil passou de 85,7% para 87,5% em 2004. Nos dados de 2005, os últimos analisados pela pesquisa, não houve alteração: 87,5%. Tal taxa, porém, não reflete a realidade. Dados brasileiros não chegaram a tempo de serem incluídos no relatório deste ano.

A renda brasileira também subiu de US$ 8.195 para US$ 8.325, em 2004. Em 2005, ela passou a ser de US$ 8.402 . Para fazer este cálculo, é usado o critério de paridade de poder de compra da moeda americana - um indicador que traz algumas diferenças caso fosse usado apenas o dólar. Comim afirma, no entanto, que a desvalorização do dólar foi benéfica para a classificação brasileira, segundo as informações da ATarde Online.


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