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No Brasil, campanha presidencial vira ‘guerra santa’ entre católicos e protestantes

27.07.2010
 
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No Brasil, campanha presidencial vira ‘guerra santa’ entre católicos e protestantes

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Correspondente no Brasil

BRASILIA/BRASIL - No Brasil, a campanha eleitoral deste ano para presidente, governadores dos Estados, senadores e deputados federais e estaduais virou ‘guerra santa’ entre as igrejas católica e protestante, quanto ao apoio ou não à candidata indicada e apadrinhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff.

No Brasil, os protestantes se auto-denominam evangélicos, mas existe milhares de denominações e ramificações, entre elas outras milhares de seitas fanáticas, cujos líderes (bispos, pastores, apóstolos, missionários, obreiros, e outras patentes hierarquias) figuram diariamente no noticiário policial da imprensa nacional e respondem a um assustador volume de processos criminais e civis na Justiça.

Desde a sua fundação, em 1982, o PT, partido do presidente Lula e de Dilma Rousseff, uso a Igreja Católica como uma espécie de ‘muleta’ política para chegar ao poder em 2002, elegendo Lula presidente da República.

Alastradas por todo o território nacional, as poderosas comunidades eclesiais de bases da Igreja Católica foram as grandes e decisivas formadoras de opinião política usadas pelo presidente Lula para seduzir o eleitorado dos grandes bolsões de pobreza das regiões metropolitanas e do decisivo colégio eleitoral do Nordeste do país e se eleger presidente da República, duas vezes.

No poder, políticos do PT, partido do presidente Lula e de Dilma Rousseff, de caçadores de corruptos passaram a ser caçados, dia e noite, e se tornaram alvos de denúncias diárias da imprensa por conta de escândalos de corrupção e acusação de desvio de dinheiro público.

Acusada de responsável pela ascensão do PT e do presidente Lula ao poder no Brasil, a Igreja Católica deu início a uma estratégica retida do cenário político brasileiro, se declarando neutra nos processos eleitorais.

Até então, milhares de igrejas e seitas protestantes/evangélicas brasileiras, que sempre se postaram contra o PT e o presidente Lula, acusando-os de inimigos do evangelismo, optou por não emitir opiniões políticas, e trabalhar nas suas bases para eleger seus representantes no Congresso Nacional, Assembléias Legislativas Estaduais, e até dois governadores, Anthony Garotinho e sua mulher, Rosinha, no Rio de Janeiro.

A gota d’água que rompeu de vez as relações entre a Igreja Católica e o PT, partido do presidente Lula e de Dilma Rousseff, sua candidata a presidente da República surgiu em dezembro de 2009, quando o presidente Lula assinou decreto que tornou lei a terceira etapa do Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3), fato que gerou, de imediato, uma reação em cadeia entre militares e a igreja católica em todos os cantos do Brasil.

As Forças Armadas reagiram contra a parte do PNDH-3 que cria a Comissão Nacional da Verdade, com o objetivo de esclarecer - inclusive autoria - casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres ocorridos entre 1946 e 1988, período em que o Brasil viveu sob o governo dos militares.

Por sua vez, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cúpula da Igreja Católica Brasileira, também reagiu, dizendo que reafirma sua posição em defesa da vida e da família, e contrária à descriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homoafetivos, dispositivos do PNDH-3.

A cúpula da Igreja Católica no Brasil reagiu também à criação de “mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União”, proposto pelo PNDH-3, por considerar que tal medida intolerante pretende ignorar nossas raízes históricas.

Vendo que não iria mais contar com o apoio da Igreja Católica para se sustentar no poder, o presidente Lula tratou logo de atrair o povo protestante/evangélico - inimigo declarado e em guerra com o católico - para dar conotação religiosa à campanha de Dilma Rousseff.

Vendo que a Igreja Católica tinha se afastado do presidente Lula, do PT e não iria apoiar Dilma Rousseff, oportunistas e profundamente interesseiros, os líderes de igrejas e seitas protestantes/evangélicas iniciaram uma lenta e cautelosa aproximação da candidata petista.

Ciente de que não iria contar com o apoio da Igreja Católica, Dilma Rousseff tratou logo de facilitar a aproximação do povo protestante/evangélico, indo ao seu encontro, o que lhe valeu o apoio declarado e público de representantes de 15 igrejas e seitas protestantes/evangélicas, entre elas a Assembléia de Deus, uma das maiores e mais poderosas igrejas do Brasil.

A manifestação de apoio ocorreu dois dias depois da polêmica envolvendo o bispo de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que pregou o boicote dos católicos à candidatura de Dilma Rousseff, sob o argumento de que ela defende a descriminalização do aborto.

Ao se defender das acusações do bispo, Dilma Rousseff, devidamente treinada para usar o poder que convence e amedronta da linguagem bíblica, disse: “Eu sou a favor da vida em todas as suas manifestações e seus sentidos", enfatizou a petista, na sede da Convenção Nacional das Assembléias de Deus no Brasil.

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