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Quem nasceu primeiro: a corrupção ou o corrupto?

27.05.2007
 
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Ano passado, o jornalista apresentador de programa de tevê Paulo Henrique Amorim escreveu: "Todo brasileiro deveria se orgulhar de ter uma Policia Federal que não parece se intimidar com a possibilidade de subir a rampa do Palácio do Planalto. É muito diferente do que acontecia no Governo Fernando Henrique Cardoso".

Mas... o que acontecia no governo FHC? Nos oito anos da governo da privataria, a Polícia Federal foi praticamente desarticulada. Algumas unidades não dispunham de verbas para reparos em suas instalações, em outras os aluguéis foram atrasados e chegaram a ser ameaças de despejo. Telefones e eletricidade foram cortados por falta de pagamento das contas, nenhum concurso para agentes, enquanto muitos se aposentavam. A polícia Federal, nos dois últimos anos do governo FHC, realizou 20 operações e prendeu 54 pessoas. O mais famoso foi o juiz Lalau, que só foi grampeado porque desafiou escancaradamente as autoridades do país.

Agora, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o DPF foi reabilitado, e todos nós (ou quase todos), brasileiros, temos orgulho de ter uma Polícia Federal atuante, científica. Em pouco mais de 4 anos, realizou 353 operações, as quais resultaram na prisão de milhares de criminosos, entre eles, juiz de direito, desembargador, banqueiro, políticos (muitos!), chefes do tráfico de drogas, empresários sonegadores e associados ao crime organizado, policiais federais e estaduais, funcionários públicos graduados e organizados em verdadeiras quadrilhas. Até um ex-governador, além de filhos, sobrinhos e parentes de influentes autoridades foram algemados e conduzidos às carceragens das diversas unidades da PF em todo o país. Se ainda não tivemos o tão esperado espetáculo do crescimento econômico, temos, pelo menos, a faxina moral que prepara o Brasil para novos tempos; basta que se mantenha a corruptália sob cabresto e algemas.

Porém, em vista da determinação do governo Lula, que demonstra empenho em moralizar as instituições públicas, quem não está acostumado a isso estranha! Ou se faz de surpreso, ou ainda tenta fazer a população crer que, no passado, o país era governado pelas mais virtuosas vestais. Até parece que só agora se rouba no Brasil. Sabemos que não é nada disso, pois a verdade é como já nos disse Milton Pomar, geógrafo e profissional de marketing: "[no Brasil] Nunca se viu tanto ratos, é verdade; mas nunca se caçou tanto os ratos".

Visitando os blogs dos amigos, li hoje o artigo "Os hipócritas subiram no telhado", do meu amigo Miguel do Rosário.

Eis alguns trechos do texto:

"Os mesmos que, há pouco, bradavam contra a chaga da corrupção; os mesmos que, há dias, elogiavam a ação da Polícia Federal como uma das maiores derrotas infligidas às históricas organizações criminosas do país, agora vêm a público repercutir a estranhíssima queixa de certos setores nacionais contra os métodos da mesma PF para desbaratar as ditas quadrilhas.
"Vejam a contradição. A PF conseguiu desbaratar as quadrilhas, que agiam há décadas, desviando bilhões dos cofres públicos, e com isso (as quadrilhas) sendo co-responsáveis pela miséria e sub-desenvolvimento da nação. E a mídia golpista agora vem lançar sombras sobre os métodos bem-sucedidos, acusando-os de lembrarem a ditadura militar, deslavada mentira. Na época da ditadura, não se prendiam corruptos. Prendiam políticos, ou subversivos, segundo o jargão do tempo. As ordens de prisão partiam diretamente do Executivo. Hoje, os métodos são aprovados pelo Judiciário. Ou seja, o Estado de Direito está preservado. Muito curioso que a mídia repercuta, acriticamente, o protesto de advogados contra a invasão de escritórios jurídicos suspeitos de corrupção. Quando a Polícia de São Paulo, por exemplo, sem nenhuma autorização judiciária, matou mais de 600 pessoas durante a guerra entre o Estado e o PCC, os mesmos advogados e a mesma mídia não acusaram nenhuma semelhança com a ditadura militar, nem repercutiram com a mesma intensidade as queixas das organizações de direitos humanos, nacionais e internacionais, contra a matança de inocentes, a maioria negros e pobres, da periferia paulista.

"O cinismo com que a mídia, no momento, está digerindo e vomitando as notícias sobre a operação Navalha, da Polícia Federal, é algo a ser ensinado aos filhos, a ser alertado aos alunos pelos professores, a ser denunciado continuamente pela blogosfera. A tentativa de confundir o público é algo inacreditável. O governo deflagra uma das maiores operações de combate à corrupção da história do país, prendendo gente graúda que nunca antes fora sequer tocada, atingindo ministros, juízes, altos funcionários estatais e mega-empresários, e a mídia, que até há pouco se pretendia o farol da moralidade, agora não apenas se nega a louvar e apoiar publicamente as ações, como inicia uma estratégia de contra-informação incrivelmente maquiavélica, procurando associar, sempre que possível, o governo à corrupção que ele combate".

O restante pode ser lido no blog "Óleo do diabo", Miguel do Rosário, crítico de arte e articulista dos bons (*)

Aproveite a navegação, dê uma passadinha no site da Polícia Federal e leia algumas sinopses das operações realizadas nos últimos 4 anos. É instrutivo e até divertido.

(*) http://oleododiabo.blogspot.com/

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