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Mercado de trabalho do economista

26.04.2006
 
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Mercado de trabalho do economista

O vice-presidente do Conselho Federal de Economia (COFECON), Aurelino Levy Dias de Campos, levantou recentemente algumas questões relevantes relativas à retração do mercado de trabalho do economista, no Brasil, e também sobre a redução do interesse pelo estudo da Economia.

Questionado sobre os fatores que têm levado à redução do interesse pelo estudo da Economia no país Levy argumenta que” embora algumas instituições tenham fechado seus cursos, não acreditamos ser o desinteresse pelo estudo da Economia o motivo central que levou a tal situação, principalmente porque temos tradição no estudo, inclusive, com muitos acertos nos diagnósticos elaborados (derrubamos a inflação, conseguimos a estabilidade econômica etc.) e pelos desafios que ainda temos a vencer. “

Segundo ele, o que de fato levou ao fechamento de alguns cursos de Economia diz respeito ao quadro conjuntural momentâneo, de desesperança.

PESQUISA

Na opinião, de Levy, “o economista não deixou de ser interessante no mercado de trabalho; pelo contrário. As organizações nacionais e internacionais contratam cada vez mais o profissional de Economia. Tanto os governos como as empresas valorizam este profissional. No Brasil de hoje, somos mais de 80 mil economistas”.

O vice-presidente do COFECON diz, ainda, que o Conselho estuda a possibilidade de refazer a pesquisa realizada em 1996 na qual um cenário interessante foi sobre o perfil do economista foi então delineado.

“Para ser ter uma idéia – diz ele – basta observar os resultados alcançados: 82,3% dos economistas eram do sexo masculino, e apenas 17,7% do sexo feminino. Quanto à raça 84,7% declararam brancos, 11% pardos, 2,6% negros, 1,6% amarelos e 0,1% indígena.”

PERFIL

Na Região Centro-Oeste a predominância foi a de economistas nascidos na Região Sudeste. Ainda, 65,3% dos profissionais de economia concentravam-se na faixa etária de 30 a 39 anos, o correspondente a 31,8% e, na faixa etária de 40 a 49 anos, 33,5%. Na realidade, a idade média do economista apontada foi de 42,4 anos.

No orçamento doméstico, a pesquisa registrou que 68,3% dos economistas contribuíam para a manutenção das despesas familiares. Interessante destacar que a decisão para estudar economia não surgiu por influência da mãe ou do pai. Pelo contrário, 73,7% dos economistas não tinham pais com curso superior completo.

Para a escolha da profissão de economista, 43% dos profissionais levou em conta a vontade conhecer e entender os problemas dos países, 15,5% a conquista de emprego, e apenas 11,3% a “facilidade” de acesso ao curso.

MERCADO DE TRABALHO

Na formação acadêmica, 92% dos economistas tinham especialização, 6,3% mestrado, e apenas 1,7% doutorado. Dos profissionais entrevistados, 53% vieram das instituições particulares, 46,9% das públicas, e apenas 0,1% do exterior.

Na ocupação profissional, o maior contingente ficou por conta dos empregados, com 46,3%. Como funcionários públicos, 26,9%, empregadores, 10,4%, e autônomos, 9,6%. O empregador principal foi o setor público, com 45,6%. Nas empresas privadas nacionais e multinacionais, 40,9%. O economista não mudava com freqüência de emprego e encontrava-se satisfeito com a profissão.

A experiência profissional influenciava no rendimento mensal, onde o economista mais velho ganhava duas vezes mais que o mais jovem, e o mais experiente 45% a mais que o profissional mais velho. Interessante observar que o economista servidor público ganhava 20% a menos que o rendimento médio da categoria. À época, 54,3% dos profissionais de economia tinham expectativa de evolução da carreira. Das previsões de melhora, 35,3%; de permanência 37,9%; e do mercado piorar apenas 26,8%.

ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA

Tanto homens como mulheres preferiram os cursos noturnos, assim expressos: homens com 71,4% e mulheres com 57,2%. Durante os estudos da graduação, 95,1% dos homens e 88,6% das mulheres trabalharam. Na questão referente à evolução profissional, as mulheres se revelaram mais pessimistas, talvez porque ganhavam 79% menos que os homens. No orçamento doméstico as mulheres contribuíam com menos, ou seja, 35,2% contra 75,5% dos homens.

Os cursos de especialização eram priorizados por 62,6% dos economistas. A necessidade de melhorar o ensino de economia era apontada por 57,4% dos economistas. Com relação às entidades da categoria, 49,4% reivindicava um maior rigor na fiscalização do exercício da profissão.

A estabilização econômica era o sonho de 71% dos economistas, sendo que 73,9% concordavam que a inflação precisava ser reduzida. Sobre o Mercosul, 58,3% dos economistas manifestaram-se favoravelmente, e 53,7% dos profissionais acreditavam na necessidade da realização da reforma agrária.

MÍDIA

Por regiões, a pesquisa identificou que enquanto no sudeste 51,4% dos economistas encontravam-se empregados na empresa privada, no Centro-Oeste apenas 19,1%. O forte na região Centro-Oeste ficou por conta do setor público com 34,8% dos economistas contra 16,8% da região sudeste.

Os economistas mais otimistas com relação ao futuro da profissão, ou seja, 58%, foram os do Centro-Oeste. Dos economistas do Centro-Oeste, 44,3% recomendou o fortalecimento dos Órgãos de representação.

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