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Desmistificando Lula – 1

26.01.2010
 
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Desmistificando Lula – 1

Raul Longo
Recebo imeiu de um amigo, onde expõe algumas impressões que alimenta sobre o Presidente Luís Ignácio Lula da Silva. Como essas impressões coincidem com a de uma parcela de meus correspondentes, respondo-o generalizando o envio de meus comentários. Acredito que, conhecendo-me, o amigo não irá se importar com isso, mas não cometerei o descuido de me referir ao seu nome. Confiro-lhe um pseudônimo: Príamo.


Explico: Príamo era o Rei de Tróia, quando sitiada pelos gregos. Pai de Heitor e Páris, os heróis troianos da Ilíada. O nome original de Príamo era Podarge, mas depois de livrar-se de ser morto por Hércules escondendo-se sob um véu dourado, adotou como nome a palavra que em português traduz-se por “Resgatado”: Príamo.


Hércules, ou Héracles para os gregos, é o mesmo afamado semideus de força descomunal como as que há décadas vêm construindo o mito Lula. Ao contrário da lenda, como Príamo é meu amigo, me sinto na obrigação de tentar resgatá-lo de sob o véu de conceitos que nos impedem o reconhecimento de nossa própria sabedoria e capacidade de discernimento das evidências.


Não acredito que terei sucesso nesse trabalho hercúleo, afinal não disponho dos meios homeopáticos de condicionamento que diariamente repetem, repetem, repetem mil vezes até que a mentira se torne uma verdade; conforme aprendeu o exército cotidiano da mídia com o mestre (deles) Joseph Goebbels.


Através desse processo Goebbels construiu um mito do qual era impossível resgatar o povo germânico, mesmo que ao resto do mundo se evidenciasse um desastre. Com o Presidente do Brasil ocorre coisa similar, ainda que em sentido inverso. Enquanto o mundo enxerga em Lula uma personalidade ímpar na história da política internacional, aqui se procurou caracterizá-lo com os mesmos contraditórios conceitos utilizados para classificar os judeus entre ladinos e estúpidos, ardilosos e ignorantes, sagazes e incapazes.


A quem a comparação parecer exagerada, é só consultar as referências a Lula na coleção da revista Veja disponibilizada pela internet e os materiais da propaganda anti-semita na Alemanha nazista, também disponível pela internet. Ou cotejar aquelas edições com as montagens e textos das páginas de grupos neo-nazistas nacionais ou estrangeiros que possibilitem tradução automática.


É preciso se estar atento ao fato de que não se constrói um mito do nada. Primeiro é preciso encontrar alguma pré-disposição ou indisposição popular, para daí se trabalhar com o imaginário. Um exemplo bem claro em nossa história recente foi Collor de Melo.


Conhecendo as indisposições da maioria do povo contra o segmento social que representam e pertencem, os fabricantes de mitos inventaram o tal “Caçador de Marajás”. Pegou! Sucesso meteórico é verdade, mas é assim mesmo: uma coisa é criar o mito e outra é mantê-lo. O do caçador não teve sustentação.


Apostou-se, então, no estereótipo do sábio acadêmico que acabou se comprovando personagem de conto do Machado de Assis: As Academias de Sião. No discurso, sal da terra e arroz da humanidade. Na prática: um camelo. Aí só sobrou o Lula, apesar da aversão que até hoje persiste numa minoria da população. Os fabricantes de mitos acorreram aos seus conhecimentos por aversões e idiossincrasias populares: operário, nordestino, pau-de-arara, etc.


Não deu certo. Por que desta vez não deu certo?


Porque em todas as outras deu errado. Esse negócio de repetir e repetir e repetir uma mentira podia se tornar verdade lá no século passado, ou na cabeça do Goebbels e seus seguidores. Mas a maioria do povo brasileiro não é tão pouco inteligente como a imagina Príamo. Além de que, para se entender o mito, é preciso antes perguntar: Será realmente ao Lula que não se admite? Será mesmo a pessoa do Lula que provoca medo, engulho e arrepio?


Percebo em meus correspondentes que ainda continuam mantendo pejos e ranços ao Lula, um mito anterior ao próprio Lula. Uma aversão que pode ser reconhecida no levantar da ponta do véu de meu amigo Príamo, já nos primeiros parágrafos de seu imeiu:


“Ele (Lula) sempre diz aos que lhe questionam a falta de um diploma universitário, que é inteligente; e é verdade. É muito mais inteligente que a grande maioria do nosso povo.”


Temo que o véu de Príamo não permita ao amigo o reconhecimento e a informação de que a grande maioria do nosso povo sempre foi mais inteligente do que as minorias dominantes. Para citar um exemplo, lembro de uma das primeiras revoltas populares ocorridas no Brasil: a dos Malês, na Bahia, provocada pela não sujeição daqueles negros islâmicos e alfabetizados ao senhor branco, prepotente e analfabeto.


Apenas um evento, um acaso histórico?
Muitos se repetem por nossa mesma história e com mais insistência do que as mentiras de Goebbels e seus discípulos. Se pensarmos um pouquinho, concluiremos por nós mesmos que os colonizadores não teriam sobrevivido para fazer sem a especialização do indígena que lhes mostrou os caminhos, curou-os com os conhecimentos da natureza tropical, ensinou-os a comer, a se proteger, plantar, colher, extrair e processar alimentos e derivados.
Sem os índios a lhes ensinar como dormir, teriam alimentado as onças. Foram nanados e mimados como crianças e nem mesmo por razões de maior ou menor inteligência. Meraquestão de ambientação.

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