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Reformas política e tributária provocam divisão no Parlamento

26.01.2007
 
Reformas política e tributária provocam divisão no Parlamento

O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) afirmou nesta quinta-feira que o governo não vai impor as reformas política e tributária ao Congresso Nacional. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não depende" das duas reformas "para governar". "Qualquer governo, seja do presidente Lula ou de outra pessoa, teria condições de governar nos próximos quatro anos [sem as reformas]. Não há perigo institucional se a reforma política e a tributária não forem feitas", disse.

Tarso observou que as reformas são "fundamentais para o futuro do país", mas ressaltou que o presidente não pretende criar uma disputa com o Congresso caso não haja apoio para aprová-las. "O governo não quer fazer chantagem. É uma reforma que depende do apoio do Parlamento. [Não aprová-la] não significará crise no governo", disse.

O ministro ainda complementou: "Vamos pedir para os presidentes da Câmara e do Senado proporem uma agenda de discussão da reforma política, que o governo não pretende protagonizar, ser o coordenador deste processo".

As duas reformas provocam divisão na base aliada do governo no Parlamento. A reforma política enfrenta resistências de partidos pequenos, como PL, PP e PTB. A reforma tributária não é desejada por governadores que temem perder recursos com a mudança constitucional.

O ministro negou que o discurso do governo seja incoerente com o adotado antes das eleições. Na ocasião, o presidente Lula dizia que a reforma política foi responsável pelas crises enfrentadas pelo seu governo e o Congresso. O governo chegou a estudar, inclusive, convocar uma constituinte para fazer a reforma. "Nós precisamos mexer nessa ferida chamada política brasileira", afirmou o presidente, em 24 de julho do ano passado, durante campanha eleitoral, em evento em Olinda (PE).

 Lideranças do PSDB criticaram  declarações de Tarso Genro, de que a reforma política não é essencial à governabilidade. Após reunião da Executiva Nacional do partido, o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), lamentou que o ministro tenha mudado de opinião, uma vez que no ano passado o governo considerava essencial a realização das reformas política e tributária.

“Logo após a eleição era essencial para a governabilidade se fazer tanto a reforma política quanto a tributária. E nós, da oposição, dizíamos, com muita coerência, que haviam outras reformas como a da Previdência Social e trabalhista que teriam que fazer parte deste leque. De repente, do nada, vem o ministro e diz que a governabilidade dispensa mexer nas estruturas carcomidas do Brasil”, afirmou.
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), qualificou de “verdadeiro absurdo” a declaração de Tarso Genro. Segundo ele, trata-se de “mais um engano” do governo.

De acordo com o senador pelo Ceará, o ministro cai em contradição quando faz declarações como esta, na medida em que, no ano passado, sustentava como essencial as reformas tributária e da Previdência Social


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