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Calamidade Brasil 2021

25.10.2018
 
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Calamidade Brasil 2021

Foram necessários apenas três anos para o Brasil mergulhar no caos social e econômico, com seu tecido dilacerado, sua taxa de desemprego disparada. Colapso Total...

Felizmente, encontramos em 2021 uma maneira de escrever um artigo e colocá-lo no programa de edição no futuro ou no passado. Eu escolhi o dia 25 de outubro de 2018, pouco antes da eleição, na qual Jair Bolsonaro foi eleito em um grande erro de cálculo pelo povo do Brasil, como sempre agindo com o coração e não com a cabeça.

Ninguém naquela época quando você está lendo este artigo poderia ter previsto o que estava prestes a acontecer. As pessoas culparam o Partido dos Trabalhadores (PT) nos dois últimos anos do governo Dilma/Temer quando a política social terrorista do Presidente Michel Temer começou a criar rachaduras na sociedade brasileira. Ansioso por culpar todos os casos de corrupção no PT (como se toda a corrupção no Brasil fosse um feudo do Partido dos Trabalhadores), o povo se voltou para Jair Messias Bolsonaro como um Messias, um Mito.

O Sebastião do Brasil nunca veio

Foi a versão brasileira do sebastianismo, corrente nos círculos artísticos portugueses na altura da absurda aventura do rei Sebastião I no Marrocos que acabou com as flores da nobreza portuguesa sendo capturadas ou mortas na Batalha de Alcázer Qibir em 1578, levando ao domínio espanhol em Portugal de 1580 a 1640, provocando visões de D. Sebastião cavalgando de volta para Portugal à frente de seu exército para afugentar os invasores espanhóis. Assim como Sebastian nunca veio, Bolsonaro nunca foi um Messias.

Depois de dois anos de impasse político e econômico, enquanto as políticas do presidente de direita estavam bloqueadas em todos os níveis, os cartéis de drogas não só declararam guerra aberta uns aos outros, mas agora com a liberalização das armas e com a crise econômica, tiveram tantos recrutas quanto desejaram e se voltaram contra as autoridades.

Taxas de assassinato atingem proporções épicas

As 60.000 mortes registradas por ano em 2017 se tornaram 160.000 em meados de 2019, 345.000 até o final do ano e uma cifa impressionante de 650.000 em 2020. Agora, em novembro de 2021, o número é de mais de 1.250.000. As forças armadas fizeram um golpe no Natal de 2020, mas as coisas pioraram, à medida que novas forças de guerrilha surgiram como cogumelos, algumas politicamente motivadas e visando apenas objetivos militares, outras mais oportunistas e misturadas com cartéis do crime. Estes espalharam pânico entre a sociedade com ataques a bomba em escolas e cinemas e partidas de futebol, balas de metralhadora pulverizadas em filas que esperavam em shoppings, eventos que se tornaram comuns.

No início de 2021, o Brasil estava em bloqueio. Escolas e Universidades pararam de funcionar, o fornecimento de alimentos foi interrompido, as pessoas se entrincheiraram em seus condomínios e tiroteios entre moradores e gangues se tornaram uma ocorrência diária, geralmente terminando no gangue invadindo o complexo depois de matar os guardas e saqueando as casas, cometendo assassinato e estupro, jogando as pessoas para fora de suas janelas e pegando tudo em que podiam colocar as mãos.

Em um país com 200 milhões de almas, uma parte substancial delas fora de controle ou invisível, é evidente que nenhuma força militar poderia lidar com um Estado que desce ao caos. O turismo entrou em colapso, os interesses privados foram rápidos em acompanhar as eleições pegando os recursos do Brasil, alguns dos quais foram vendidos a preços irrisórios para o Tio Sam, o Nordeste e a Amazônia hoje se preparam para se separar e do centro e sul do país ameaça tornar-se uma federação independente mas frouxa de Estados. Uma fuga de cérebros fez com que noventa e cinco por cento das maiores mentes do Brasil jorraram para fora do país em uma torrente e qualquer um que pudesse ou tivesse família no exterior tomou o primeiro avião para os EUA ou Europa.

Brasil, quebrado em pedaços

O resultado é o que vemos hoje. Uma junta militar no controle de um país que se transformou em um mergulho econômico e social, quebrando em pedaços, o Brasil como o conhecemos está prestes a desaparecer.

O culpado não era Bolsonaro, nem mesmo ele poderia prever o que iria acontecer. A culpa recai sobre os que usaram o voto com irresponsabilidade grosseira, cegos para o senso comum ao eleger um vetor que obviamente iria destruir a sociedade.

Você alimenta uma planta, a nutre e a rega. Você não pode podá-la até ao chão, pisá-la e envenenar suas raízes. Essa foi a escolha apresentada à sociedade brasileira em outubro de 2018. Infelizmente, parece que foram em frente na mesma com a sua escolha.

Sátira: Calamidade Brasil 2021.

Foto: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fd/El_Tres_de_Mayo%2C_by_Francisco_de_Goya%2C_from_Prado_thin_black_margin.jpg

Timothy Bancroft-Hinchey

Fundador, Diretor e Chefe de Redação (desde 2002)

Versão portuguesa da Pravda.Ru

Tem contribuido para os comunicados oficiais da República de Cuba e da Federação Russa.

Jornalista desde 1976, tem trabalhado na área da imprensa diária, semanal, mensal e anual, em jornais e revistas e grupos de mídia como correspondente, editor e dono. É Professor, tradutor oficial, consultor e coach.

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