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Conlutas: Debate sobre a Crise Econômica Mundial

24.11.2008
 
Pages: 12
Conlutas: Debate sobre a Crise Econômica Mundial

Vivemos um momento de grande incerteza em todo o mundo. Estamos diante de uma crise da economia capitalista de dimensão histórica com conseqüências profundas para os trabalhadores e povos de todo o mundo. Não é uma crise apenas do mercado financeiro. Trata-se de uma crise clássica do capitalismo, originada pela diminuição da taxa de lucros dos grandes monopólios.

Esse ponto contou com a participação dos Professores José Welmovick e Plínio de Arruda Sampaio Júnior, que fizeram exposições abordando a natureza da crise econômica, seus reflexos no Brasil e na América Latina.

Após um intenso debate, foi aprovada a resolução a seguir, na forma de uma “Carta aberta da Conlutas aos trabalhadores, à juventude e a todas as suas organizações”

QUE OS BANQUEIROS E CAPITALISTAS PAGUEM O CUSTO DA CRISE!

Carta aberta da Conlutas aos trabalhadores, à juventude e a todas as suas organizações

Vivemos um momento de grande incerteza em todo o mundo. Estamos diante de uma crise da economia capitalista de dimensão histórica com conseqüências profundas para os trabalhadores e povos de todo o mundo. Não é uma crise apenas do mercado financeiro. Trata-se de uma crise clássica do capitalismo, originada pela diminuição da taxa de lucros dos grandes monopólios. Para revertê-la o capital vai destruir forças produtivas, fechar fábricas, promover o desemprego de milhões, elevando ainda mais o patamar de miséria e a violência que este sistema já impõe aos trabalhadores. A crise vai expor, de forma inconteste, toda a incapacidade da sociedade capitalista em atender as necessidades dos seres humanos. Mais do que nunca se reafirma a atualidade do socialismo.

O cinismo que caracteriza o funcionamento do sistema capitalista se expõe com toda clareza:Ao primeiro sinal de perigo para os bancos e grandes empresas, governos dos países centrais gastam, em poucas semanas, cerca de 4 trilhões de dólares de recursos públicos para socorrer algumas dezenas de banqueiros e grandes empresários. Pergunta inevitável: onde estavam todos estes recursos antes? Porque não foram usados para socorrer cerca de 3 bilhões de pessoas que, de acordo com a própria ONU sofrem com a fome e outras necessidades básicas, no mundo? Pessoas que não tem comida, moradia, água potável, acesso a serviços de saúde, educação... Porquê?

A resposta é muito simples: capitalismo não é uma sociedade que se organiza para atender as necessidades dos seres humanos que nela vivem. Ela se organiza para garantir o lucro dos proprietários que vivem nesta sociedade. E isto deve ser feito a qualquer custo, incluindo aí o exercício permanente de uma exploração selvagem sobre a grande maioria dos habitantes do planeta, os trabalhadores. Os recursos naturais existentes em cada país, a riqueza social produzida pelo trabalho humano de bilhões de pessoas, nada disso é canalizado para atender as necessidades básicas das pessoas, assegurar vida digna para todos. Tudo é canalizado para aumentar o lucro e o capital dos banqueiros, grandes empresários da cidade e do campo, ou seja, para os capitalistas.

E a história já nos ensinou que o capitalismo, para sair de crises como a atual, precisa elevar a um patamar ainda superior o grau de exploração e barbárie que pratica contra os trabalhadores. Para isso conta com os governos, sempre submissos aos interesses do capital, e com o Estado que só protege o interesse dos poderosos nesta sociedade em que vivemos. Nosso país não é exceção nessa regra. As primeiras medidas adotadas pelo governo Lula demonstram claramente isso. Já foram mais de 160 bilhões de reais para socorrer os banqueiros e grandes empresas. Recursos que o governo alegava não existir quando se tratava de impulsionar a reforma agrária, construir moradias populares, investir nos serviços públicos de saúde, educação, ou seja, para socorrer os trabalhadores.

Estamos, então, frente à ameaça concreta de mais desemprego, para muitos milhões de trabalhadores; redução do valor real dos salários e aposentadorias; destruição dos serviços públicos; eliminação de direitos sociais e trabalhistas; abandono ainda maior da legião de deserdados que hoje vivem como podem na periferia dos grandes centros urbanos, etc. Tudo isso para que os patrões possam sair da crise, aumentando de novo sua taxa de lucro.

As férias coletivas concedidas por dezenas de empresas nos últimos dias, a redução da produção e dos planos e de investimentos anunciados pelo setor automobilístico, pela Vale, pelo setor de celulose etc. indicam claramente o que está por vir.

Só a luta pode evitar que os trabalhadores paguem pela crise

É justamente a gravidade do momento que exige dos trabalhadores brasileiros e de suas organizações, da juventude e de todo o povo pobre, a preparação de nossas forças para uma verdadeira guerra. Uma guerra para que sejam aqueles que geraram esta crise, com a sua ganância por lucros cada vez maiores, que agora arquem com as conseqüências. Uma guerra para proteger os trabalhadores da barbárie capitalista e para fazer valer os direitos e interesses dos trabalhadores, daqueles que constroem toda a riqueza existente com o suor do seu trabalho.

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