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Brasil: Prêmio Culturas Indígenas

24.09.2006
 
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Brasil: Prêmio Culturas Indígenas


Neste sábado, 23 de setembro, foi lançado, em Belo Horizonte, o Prêmio Culturas Indígenas - edição Ângelo Cretã, iniciativa do Ministério da
Cultura, através de sua Secretaria da Diversidade e Identidade Cultural, e da Associação Guarani Tenondé Porã.

Brenda Marques Pena*


Neste sábado, 23 de setembro, foi lançado, em Belo Horizonte, o Prêmio Culturas Indígenas - edição Ângelo Cretã, iniciativa do Ministério da
Cultura, através de sua Secretaria da Diversidade e Identidade Cultural, e da Associação Guarani Tenondé Porã.

Patrocinado pela Petrobrás, o prêmio se destina a ações de fortalecimento cultural ocorridas nos últimos cinco anos, ou em processo de execução há, no mínimo, um ano. A cerimônia de lançamento
do projeto acontece, às 14 horas, no Centro Cultural UFMG (avenida Santos Dumont, 174 - Centro).


As inscrições para o Prêmio estão abertas e podem ser feitas até 18 de novembro, através dos Correios e pelo site


www.cultura.gov.br/premioculturasindigenas 

"Serão premiadas comunidades que trabalham para que suas tradições fiquem mais fortes e sejam transmitidas aos mais jovens", explica Maurício Fonseca, coordenador da iniciativa, que veio a Belo Horizonte para o lançamento.

O edital com as regras da premiação foi publicado no Diário Oficial da União do dia 20 de setembro. Neste sábado, o Prêmio foi apresentado às lideranças indígenas de Minas Gerais.


O prêmio Segundo o Instituto Sócio-Ambiental (ISA), existem, no Brasil, cerca de 370 mil índios divididos em 220 povos, que falam mais de 180 línguas diferentes.


Essa parte da população brasileira reivindica, há tempos, políticas públicas para sua produção cultural. A resposta às comunidades veio na forma do Prêmio Culturas Indígenas, que vai selecionar, até o final do ano, através de edital público, oitenta iniciativas de comunidades e organizações indígenas brasileiras, voltadas para o fortalecimento das expressões culturais desses povos. Cada selecionado receberá um prêmio bruto de R$ 15
mil.


As iniciativas ou ações que permitem inscrição ao Prêmio dizem respeito a religião, rituais e festas tradicionais; língua indígena, mitos, histórias e outras narrativas orais; músicas, danças e cantos; alimentação; artesanato;
educação e práticas educacionais que valorizem as culturas indígenas, arquitetura tradicional; pinturas corporais, desenhos, grafismos e outras
categorias de expressão simbólica; jogos e brincadeiras; áudio-visual:cds, cinema, vídeo ou outros meios eletrônicos; teatro e histórias encenadas e textos escritos.


Ângelo Creta


É a primeira vez que as culturas indígenas são beneficiadas por uma ação do Ministério da Cultura. O Prêmio acontecerá anualmente, sempre destacando uma personalidade indígena. Neste ano, o homenageado é Ângelo Cretã, liderança
Kaingang, natural de Mangueirinha (PR). Ele foi o primeiro vereador indígena eleito no Brasil, em 1976.

 Quatro anos mais tarde, seria morto numa emboscada, até hoje não esclarecida.


Cretã foi o primeiro índio a ter um cargo político no Brasil e poderia ter sido deputado federal, cargo oferecido pelo próprio partido, mas preferiu continuar como vereador e ficar próximo a Mangueirinha, Chapecozinho, Nonohai e Rio das Cobras, cidades em que lideraria, no fim dos anos 70, o confronto contra os posseiros da região. Após a morte de Ângelo Cretã, as
lideranças indígenas locais se amedrontaram e o processo de demarcação de terras retrocedeu. Atualmente, Romancil Cretã, filho de Ângelo, é um dos líderes da causa indígena no sul, especialmente no Paraná.


Projetos
Não é difícil encontrar iniciativas dessa natureza pelo Brasil, algumas já estabelecidas e que pelo tempo de execução não poderão se inscrever ao Prêmio. Que o diga o projeto Memória Viva Guarani, que lançou os CDs Ñande
Reko Arandu (1998) e Ñande Arandu Pygua (2006), com cantos tradicionais entoados por crianças e adultos de aldeias guarani e uma tupi-guarani do
Sudeste. Já o Vídeo nas Aldeias, com mais de dez anos de existência, formou gerações de índios que produzem, hoje, os próprios documentários e filmes de ficção sobre o cotidiano das aldeias.

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