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Ativismo com atavismo sem saudosismo - mas com um toque de pragmatismo

23.08.2009
 
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Ativismo com atavismo sem saudosismo - mas com um toque de pragmatismo

Raul Longo

Eu tento explicar para o Arthur Peres e peço para ele imaginar a possibilidade de algum dia o PT voltar a ser oposição. Pergunto se ele acha que o PT precisaria estar inventando escândalos por causa de caixa 2, como do Eduardo Azevedo quando presidente do PSDB, ou pela compra de votos para mudar a Constituição, como fez o Serjão para o projeto de perpetuação de poder do FHC. Claro que o PT não precisaria ficar especulando sobre um mero encontro de uma secretariazinha qualquer com algum Ministro.


Para o PT, se voltar a ser oposição, será só lembrar quem pagou uma das maiores dívidas externas do mundo, os milhões de pessoas resgatadas da miséria, as tantas comunidades beneficiadas pelo Luz para Todos, a contenção da inflação, o aumento real do salário e seu poder aquisitivo, a retomada do emprego formal e o crescimento do país, a transformação do Brasil de devedor à credor internacional e com reservas suficientes para transformar a crise mundial em mera marola.


Agora, o que é que os DEMO/TUCANOS e seus aliados podem lembrar? Que triplicaram a dívida do país a cada crise pontual em algum país do outro lado do mundo? Que terminaram o governo com um apagão que deu de prejuízo ao país o valor de 5 hidroelétricas de grande porte? Que promoveram o maior desemprego já sofrido no país? Que congelaram os salários por 8 anos? Que elevaram os juros à 40% ao ano e etc., etc., etc...?


Explico isso tudo pro Arthur, mas ainda assim ele continua indignado e me pede para divulgar essa carta que escreveu para a mídia. [Nota da PressAA: Essa mesma! A banda mais forte e mais apodrecida do oligopólio midiático brasileiro, aliada da ditadura criminosa e que promoveu a mentira Collor de Melo e o fracasso do Plano Real].


Como a carta do Arthur é de uma lógica insofismável, atendendo ao seu pedido, aí está...


Senhores da mídia
Sou engenheiro aposentado e acompanho nossa história republicana com um misto de prazer e horror. Prazer por possibilitar-me o entendimento de nossa história em várias áreas bem como os movimentos políticos que a constituíram. Horror pelo fato de observar que a quase totalidade dos meios de comunicação agiu sempre no sentido de guindar ao poder partidos com características conservadoras, sempre de costas para o povo brasileiro e visando exclusivamente seus próprios privilégios.


Aqui é preciso analisar a história do Partido dos Trabalhadores e dizer que perdi a memória, tantas foram as vezes, desde sua fundação, que os meios de comunicação tentaram acabar com esse partido. Até 2002, a oposição exercida pelo PT ao poder de plantão, jamais foi levada a sério por esses meios de comunicação. Nas vezes que o partido apresentou propostas e projetos para melhorar a vida do povo brasileiro e defender a soberania do Brasil, lá estava a mídia para censurá-lo e desmerecê-lo perante a sociedade.


Antes da ascensão de Lula ao poder essa mídia intensificou os procedimentos para desqualificá-lo, editorializando mensagens que davam conta de que o país entraria no caos caso o PT tomasse o poder. Com a vontade da maioria do povo, Lula assumiu a Presidência em 2003 tendo praticamente toda a mídia contra si. O mesmo se repetiu em 2006 quando Lula disputou o segundo mandato, tendo a mídia jogado pesado para beneficiar seu candidato preferido - o inexpressivo Geraldo Alkmin.


Nesses 7 anos de governo Lula, observou-se pela primeira vez na história do Brasil que a oposição existia. Os meios de comunicação dão amplo destaque à essa oposição, mesmo estando ela totalmente paralisada pelos resultados do atual governo. Jamais observou-se - até o final do governo FHC - tanta importância para o que diz e faz a oposição, atualmente exercida pelos tucanos, ex-PFL e políticos conservadores/reacionários.


Está fresca em nossa memória o brutal cerco sofrido pelo governo e pelo PT quando dos eventos surgidos com a irresponsável denúncia terrorista praticada pelo Roberto Jefferson dando conta do mensalão (até agora nada provado). Dai a tentativa constante de desmoralizar o PT levando jornalões, revistas semanais, telejornais e emissoras de rádio a construir consensos num extraordinário movimento, levado avante pelos seus jornalistas assalariados, no sentido de pespegar ao PT uma imagem não confiável e apresentando seus políticos como fracos e corruptos.
Políticos sérios do partido (que alguns da mídia chamam de sigla) envolvidos com a construção de um país mais livre e justo foram obrigados a deixar o governo e o noticiário político para se evitar crises que abalassem a República e a sua governabilidade. O noticiário permanentemente denuncista tentou jogar na lama o nome de José Dirceu, Genoino e muitos outros. Quando tiveram êxito, esqueceram esses políticos voltando-se a outros com a mesma fúria denuncista.


Gente da oposição - nunca incomodados em sua trajetória de privilégios - tiveram seus nomes retirados dos noticiários. O ex-senador Jorge Bornhausen chegou a pedir o impedimento do PT e esse disparate teve amplo destaque na mídia. As tentativas de defesa do partido, nesse episódio, não receberam o destaque merecido que jornais, TVs, revistas (com total liberdade permitida pela nossa Constituição) deveria proporcionar.

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