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Luciana Genro: Novo Mandato pelo PSOL

22.12.2006
 
Luciana Genro: Novo Mandato pelo PSOL

“Que o SOL seja forte o bastante para fazer florescer o caminho que temos pela frente!”

Ao completar nosso primeiro mandato queremos fazer um breve balanço destes últimos quatro anos. Depois de ser eleita pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em outubro de 2002, com quase 100 mil votos, começaremos agora, em 2007, um novo mandato pelo PSOL com o aval de mais de 185 mil eleitores e eleitoras. Os quatro anos passados foram marcantes na nossa história e na história do Brasil.

Quando Lula venceu a eleição após três tentativas e tornou-se o primeiro presidente de origem operária a governar o Brasil, as expectativas do povo eram enormes. Aos poucos foram sendo frustradas pela adesão incondicional do PT ao neoliberalismo. Adesão que se deu, sobretudo, na política econômica através da qual Lula transferiu cerca de R$ 700 bilhões para os banqueiros e as famílias mais ricas do Brasil, donas dos títulos da dívida pública. E que também se revelou na reedição da velha prática dos partidos tradicionais, utilizando o balcão de negócios sujos como forma de fazer política: mensalões, sanguessugas, dossiês...

Não causa mais espanto o fato de Lula ter obtido sua reeleição com o apoio de figuras como Maluf e Collor de Mello, também eleitos deputado e senador. A frustração de muitos se transformou em raiva e repúdio. Lula ganhou de novo, mas o clima é totalmente diferente. Sem militância, sem bandeiras nas ruas, sem expectativas no coração do povo. Apenas um voto. O PT deixou de embalar os sonhos das antigas e novas gerações. Transformou-se em apenas mais uma legenda.

Superar o PT tem sido um parto longo e difícil. Longo também será o processo de consolidação do PSOL como alternativa de poder. Mas o importante é que conseguimos dar luz a esta possibilidade. A esquerda não morreu junto com o PT. Em 2004, após um ano de embates com a direção partidária e o governo, junto com Heloísa Helena, Babá e muitos outros dirigentes e militantes nos jogamos de corpo e alma na construção desta alternativa de esquerda que hoje é o PSOL.

Não foi fácil. Percorremos todos os Estados do país fazendo o debate sobre a necessidade de um novo partido. Realizamos nosso primeiro encontro nacional em julho de 2004 com a participação de quase mil militantes de todo o país. Passamos pela fase de luta pela legalização, com a coleta militante de quase meio milhão de assinaturas, pela estruturação partidária nos Estados e municípios e depois encaramos uma campanha eleitoral em condições extremamente adversas.

Mesmo assim, Heloísa Helena obteve quase 7 milhões de votos e consolidou-se como grande liderança da esquerda socialista brasileira. Eu tive a honra de ser a deputada federal mais votada da capital gaúcha e a quarta do Estado, com a campanha mais modesta em recursos dentre os eleitos. Lançamos novas figuras públicas do partido em diversos estados brasileiros, entre eles no Rio Grande do Sul, Roberto Robaina, nosso candidato a governador do estado, que foi presença marcante nos debates eleitorais. Vários outros candidatos do partido obtiveram também votações expressivas e tornaram-se referências do PSOL nos seus estados e municípios. Tivemos um bom começo.

Depois de toda esta caminhada, ainda temos que enfrentar a cláusula de barreira. Essa medida antidemocrática que ousa tentar colocar nosso partido, com sua breve porém respeitável história de coerência, com seu patrimônio de quase 7% dos votos para Presidente da República, no rol das legendas de aluguel ou dos partidos nanicos. Nós enfrentaremos e resistiremos a mais essa tentativa de marginalizar e sufocar a esquerda socialista no Brasil.

Não temos dúvidas de que, em seu segundo mandato, Lula seguirá os ataques contra os interesses dos trabalhadores, dos aposentados e do povo em geral. Um aprofundamento da reforma da previdência, a anunciada reforma sindical e trabalhista, a prorrogação e ampliação da Desvinculação de Receitas Orçamentárias (DRU) que confisca dinheiro da saúde e da educação estão na agenda do governo.

Nada disso é novo. Não é nova também a disposição de nosso partido e de nossos militantes de resistir e avançar com muita garra. Nosso mandato estará a serviço das lutas dos trabalhadores e do povo. Temos mais quatro anos pela frente. E a convicção de que neste período daremos um novo salto na construção de uma alternativa de esquerda para o Brasil.

Que o SOL seja forte o bastante para fazer florescer o caminho que temos pela frente!

Luciana Genro


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