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Brasil tem reservas e equilíbrio financeiro para enfrentar crise mundial

22.10.2008
 
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Brasil tem reservas e equilíbrio financeiro para enfrentar crise mundial

Crise internacional - Não podemos dizer, de forma alguma, que não estamos preocupados com essa crise. Estamos preocupados, tanto que temos praticamente todo o dia tratado deste assunto. O ministro da Fazenda,Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foram os Estados Unidos participar da reunião anual do FMI. Era uma reunião de rotina, mas, evidentemente, o assunto todo foi a crise. O presidente Lula foi nesta semana para Espanha, Índia e Moçambique. Em todos esses lugares, ele tem tratado da crise.

Se dependêssemos de medidas a serem tomadas agora, provavelmente estaríamos no mesmo redemoinho que se encontram os Estados Unidos e a Europa. O que nos protege são as medidas que o governo adotou nos últimos seis anos, quando conseguimos sólidas reservas de dólar. Conseguimos colocar o país em crescimento com a inflação controlada, mantendo o Orçamento equilibrado e aumentando o crédito. Portanto, essas medidas trazem uma certa blindagem ao Brasil. Não estamos completamente imunes, mas a crise vai bater muito menos aqui do que em outros países. O trabalho que o governo está fazendo agora liberando recursos de compulsórios no Banco Central, prevendo recursos para o crédito dos exportadores, para a agricultura, tem o objetivo de diminuir o efeito da crise. Tudo indica que teremos um bom Natal. O Brasil deve gerar mais de dois milhões de empregos em 2008. Estamos tratando de minimizar os efeitos de uma crise como essa aqui no Brasil.


Crescimento - Vamos crescer mais de 5% este ano. A previsão para o ano que vem é de 4,5% e de certa forma todos concordam que deve diminuir um pouco esse crescimento. O FMI fez uma previsão de que a economia brasileira vai crescer 3,7% - não estamos tão distantes em termos de projeção. Não vejo nenhum motivo para os servidores públicos ficarem preocupados e tão pouco os beneficiários dos nossos programas sociais, visto que o governo tem a orientação do presidente Lula de não mexer nos programas sociais. É evidente que quem trabalha no mercado tem motivo maior para ter preocupação, porque se diminuiu o ritmo de criação de empregos, se diminuírem as vendas, se a economia desacelerar, corremos o risco de ter um aumento de desemprego. O desemprego em julho foi o menor da história recente e queremos manter isso.

Entretanto, acho que não dá para a gente ficar alarmado antes da hora. A verdade é que até o momento n ão tivemos qualquer efeito na economia real brasileira dessa crise externa. Acho que devemos ficar tranqüilos, porque não temos todos os elementos para dizer que vai ter um efeito grave da crise. É bem provável que diminua o ritmo de crescimento, mas não sabemos que medida.


Concurso e salário mínimo - Essa discussão é precipitada. O que os analistas têm dito é que a crise mundial pode provocar uma grande recessão. A crise vai ter conseqüências em praticamente todos os países do mundo e, com certeza, afetará também o Brasil. Teremos que rever nossas contas. Se houver, de fato, uma desaceleração da economia e diminuição de receita, teremos que fazer uma deflação no Orçamento e diminuir as despesas. O Orçamento se mantém equilibrado desse jeito. Não temos ainda parâmetros para realizar essa conta. Quanto vai cair a receita? Não sei e nem se vai cair.

Essa crise já vem de um ano e quatro meses praticamente nos Estados Unidos, mas no Brasil, efetivamente, não teve efeito nenhum. Crescemos 5,4% no ano passado e vamos crescer mais de 5% neste ano. Portanto, não temos ainda nenhuma razão objetiva para fazer essa revisão. A revisão do Orçamento deve ser feita no final de novembro, que será limitado pelo o que temos de receita. Poderíamos ter que lançar mãos de instrumentos como adiamentos de decisão de reajuste e concursos públicos e postergação de decisões, mas isso só seria realizado em situações extremas. Não temos essa perspectiva hoje.


Cortes - Temos que ressaltar novamente que estamos falando sobre hipóteses das quais não temos ainda todas as variáveis. Se tivermos uma desaceleração expressiva da atividade econômica no Brasil, a receita será afetada. A receita dos estados e municípios também diminuirá. Com menos receita, somos obrigados a diminuir despesas. Essa é a determinação da lei, que vem inclusive de um comando constitucional. Isso vale para estados e municípios. Não é o governo federal que vai mandar cort ar.. É a lei. Com relação aos nossos gastos, a orientação do presidente é para preservar os programas sociais e o Plano Nacional de Desenvolvimento (PAC). Essas são prioridades que não sofrerão cortes. Em outros investimentos, é evidente que se tiver menos receita, vamos ter que fazer cortes. Isso não afetará investimentos nos municípios incluídos no PAC. Os não-incluídos provavelmente sentirão os efeitos, porque temos a obrigação legal e constitucional de manter o Orçamento equilibrado.


Fundo Soberano - A proposta de Fundo Soberano que o governo enviou ao Congresso deveria ter prioridade e ser votado em regime de urgência. Não conseguimos ainda um bom entendimento acerca deste tema com o Congresso Nacional. Nesta semana, foi feito um acordo dentro do Congresso para retirarem a urgência do projeto do Fundo. O que é esse projeto? Com o aumento da receita neste ano, fizemos uma economia de R$ 14 bilhões

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