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Carta das FARC ao Povo Brasileiro

21.11.2006
 
Carta das FARC ao Povo Brasileiro

Fazemos-lhes chegar a cordial e fraterna saudação bolivariana de nossa Organização Revolucionária. Permitam-nos somá-la às manifestações sinceras de regozijo e firme confiança que muitos governos, personalidades e organizações sociais e políticas, especialmente de América Latina e Caribe, lhes fizeram chegar por motivo da decisão e vontade soberana do povo de reeleger para um segundo mandato presidencial a seu filho predileto, Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o bem de América Latina e Caribe, o Brasil conta com potencial econômico, capacidade de liderança e grandes possibilidades de ajudar a que ela se reencontre consigo mesma, se integre e possa caminhar sobre suas próprias pernas para um futuro de Justiça Social, de igualdade de oportunidades para todos, especialmente para os mais necessitados, de convivência pacífica, boa vizinhança e Paz. Os resultados da gestão de Lula como Presidente dos 185 milhões de brasileiros e de outros Governos da região, assim o estão demonstrando.

O mundo é testemunha de que o povo brasileiro fez das urnas eletrônicas o sacrário de sua vontade soberana, pois converteu a reeleição do Presidente Lula numa lição de soberania popular, numa manifestação clara de rechaço às velhas formas de governo que imperaram durante anos e anos, caracterizados por favorecer somente aos de cima, levando a uma situação de desigualdade e de injustiça, que, afortunadamente, a partir do ano 2002, começaram a ser resolvidas, coisa que os setores mais pobres estão vendo em sua própria vida.

O povo brasileiro disse: Quero seguir avançando pelo caminho que iniciamos em 2002. Esse mesmo caminho é o que estão percorrendo seus povos irmãos de América Latina e Caribe, convertendo em fator essencial do processo político a luta legítima por transformações que levem à instauração de governos de raízes e participação popular. Trata-se de deixar para trás estruturas caducas e decrépitas, e avançar para o que, com plena razão, podemos chamar a Segunda e Definitiva Independência!

A jornada eleitoral permitiu conhecer quem é quem, deixou claro que a injustiça tem nome próprio, que uns poucos poderosos durante muito tempo fizeram extremamente pouco em favor desse universo imenso de pobres cada dia mais pobres e mostrou que, a partir de 2002, se iniciou a contagem regressiva do princípio do fim das desigualdades, injustiças e falta de oportunidades de um povo humilde, acolhedor e fraterno. Tudo porque Outro Brasil, Outra América Latina e Caribenha, são Possíveis! O Povo tem a palavra!

Os laços históricos nos unem ao povo brasileiro, que vêm desde os tempos da Independência, quando o pernambucano José Inácio de Abreu e Lima ingressou no Exército do Libertador Simón Bolívar, havendo-se destacado por sua coragem e dedicação, a ponto de receber o grau de General e a condecoração máxima conhecida como Ordem dos Libertadores. Foi de Bolívar seu amigo fiel e sempre defendeu sua gesta libertária com honra e lealdade. A esse grande brasileiro bolivariano o levamos em nossa memória.

Aproveitando este momento singular e histórico que estão vivendo o Governo e o Povo do Brasil, lhes manifestamos a disposição de manter-nos abraçados à nossa Política de Fronteiras, fazendo da boa vizinhança a razão para respeitar sua soberania territorial e, da fronteira de 1.645 quilômetros, um lugar de pacífica convivência entre os dois povos. Estamos abertos ao estabelecimento de relações políticas com todos os povos e Governos dos países vizinhos da Colômbia, já que, por história, tradições, credos, mestiçagem, culturas, problemas, esperanças e destino, somos um mesmo e único povo.

Bem sabemos quem nos impõem a guerra. Não podemos permitir a Bush nem a Uribe que envolvam aos países vizinhos em nosso conflito interno, valendo-se, para isto, de mentiras e mais mentiras, montagens espúrias na idéia de justificar o injustificável: os pobres resultados de sua guerra contra o povo, na qual gastam 17,5 milhões por dia, aumentando assim o sangramento do país, a pobreza, a miséria, o desemprego, o deslocamento forçado de mais de cinco milhões de compatriotas, o trabalho infantil, o exílio. É como se quisessem acabar com o povo colombiano.

A esses senhores os cega a guerra com a qual o Império dos EUA e a classe dominante têm pretendido submeter pela força ao povo colombiano. Não existe vontade política nem gestos concretos nos governantes de turno que deixem entrever a possibilidade de alcançar tanto a Troca de prisioneiros como o reinício dos Diálogos que nos encaminhem para uma Paz estável e duradoura, núcleo central de nossas propostas que estão em sintonia com o clamor nacional pelo fim da guerra manifestado por mais de 70% dos colombianos.

Não perdemos a esperança de fazer prevalecer mais cedo que tarde a força da razão sobre a razão da força em nossa querida Colômbia, necessitada como nunca de um Governo que a reconcilie e reconstrua. Para o qual queremos contar com o apoio do Governo e do Povo do Brasil, assim como dos demais países vizinhos, pois, como nos ensinou Simón Bolívar, unidos seremos invencíveis. Neste mesmo sentido sabemos também da disposição de outros governos amigos.

Querido povo brasileiro e Presidente Lula: Passada de Vencedores!

Atentamente,

Raúl Reyes

Integrante do Secretariado e Chefe da Comissão Internacional, FARC-EP

Montanhas da Colômbia, novembro de 2006.


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