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Sessenta Anos de Direitos Humanos

21.10.2008
 
Pages: 123
Sessenta Anos de Direitos Humanos

O que hoje nos parece absolutamente natural – qual a liberdade de ir e vir, garantida pela Constituição Brasileira- há pouco mais de Sessenta Anos, quando foi assinada a declaração Universal dos Direitos do Homem, pra muitos, era impossível de ob/ter.

As classes sociais tinham fortes de/marcações e os poderosos realmente possuíam sobre os demais, direitos hoje considerados espantosos , tipo “O Direito do Senhor”-Le Droit de Seigneur- que concedia ao amo, ao castelão, a primeira noite de uma virgem que se casava, a de/floração.Mandar surrar, mutilações...Comer sobras...Trabalhar sem salário algum e sem horários determinados previamente,ser preso por qualquer coisa, ter dedos ou mãos e pés decepados,separar famílias, bebês e sua mães,enfim , tudo que hoje, no mundo hodierno pode parecer aviltante, humilhante, violento, desnecessário

Era algo aceito e banal ao longo da História da Humanidade, uma história de exercício do exercício de poder e desrespeito ao Outro, baseada em diferenças.

Felizmente, na sociedade moderna, trabalha-se muito para a redução dessas dessimilaridades, pela inclusão, seja de incapacitados ou não. E sempre existiram pessoas naturalmente inclinadas para o bem dos demais, que lutaram contra os abusos. Muitos santos homens e corajosas mulheres, defenderam seus semelhantes, apesar de quaisquer circunstâncias.S..Francisco de Assis, que deixa um mundo rico para ser igual e não diferenciado das outras criaturas...Muitos homens de sociedade vigente , qual um Schindler, que salvou inúmeros judeus,empregando-os em sua fábrica - em pleno Nazismo – há uns anos, grande sucesso cinematográfico, “A Lista de Schindler”.Os que criaram meios e leis contra a escravatura, mas mesmo sem nada, arriscaram-se para defender pessoas...

Quantos foram cobaias, em campos de concentração, para pesquisas de resistência psicossomática, ou imunológica, ou de vida intra-uterina!

Em mocinha, ao ficava muito impressionada ao deparar com qualquer violência contra os direitos adquiridos, sabidos, legislados, mas nem sempre obedecidos...E escrevi uns poemas contra os preconceitos, as separações religiosas, de cor, raça ou credo:

“Todo sangue é vermelho

Toda alma é qualquer cor

Somos arrasadores iguais

em nossa condição humana,

em nossas diferenças,

da cabeça aos artelhos...

Na vida sagrada, na vida profana”(...)*

Na época dos Anos de Chumbo, a dita Ditadura brasileira, eu trabalhava na imprensa e sentia muita perplexidade ante a censura, como se , para os militares e seus torturadores,fosse possível limitar o pensamento, a força de expressão verbal.E muito recentemente, fiquei irritadíssima porque nos, Jogos Olímpicos, em Beijin(Pekim, para nós), uma linda e simpática garotinha, fez dublagem , de um Hino , porque a verdadeira voz de rouxinol chinês, estava um pouquinho acima da tabela de peso, porque ainda tinha os dentinhos tortos aos cinco anos de idade.E sua professora,sorridente, declarou:

”Ela não Liga!”.Mas quem poderá saber dos que se passa, dos desejos e esperanças que são a motivação-a força que move a humanindade- dentro do coração de uma criatura, de uma criança? Quanto tempo levará para que a pequenina cantora liberte-se dessa rejeição?Não é “nada” preterir alguém e preferir outrem? Se na vida privada já dói imagine-se com a rejeição sabida e comentada publicamente ? Evidentemente, a intenção foi tornar a Abertura da Olimíadas o mais perfeita possível.Mas não a esse preço...Evidentemente, na China de Mao, a delação de pais e professores, namorados , amantes, amigos, foi tornado algo absolutamente natural.As seqüelas permanecem .Apenas do mundo inteiro haver se curvado à impreterível e incontestável beleza plástica do espetáculo oferecido pelas chineses, ao esforço em ser amistosos, à disciplina-obtida sabe-se como, mas enfeitada por uma alegria genuína de passar uns dias com/vivendo com outros cidadãos do mundo...

Quando eu tinha entre dez e doze anos, no Ginásio Estadual, o professor de História nos levava ao FORUM, aonde atuávamos como advogados de defesa ou promotores de acusação ,contra os invasores da América. No julgamento Cortés X Montezuma, defendi este ,contra o invasor.Se o capitão espanhol era presenteado,identificado com o deus Quetzalcóaltl –a Serpente Emplumada- a retribuição foi a arrasadora destruição de uma cultura.

Então, passei a ler dezenas de livros , sobre a falta de Direitos Humanos nas Américas ibérica e Latina, cheguei à Ku-Klux-Klã nos Estados Unidos, com aquelas tristes e repugnantes demonstrações de racismo irracional. Imoral, amoral...

E, tendo nascido um pouco antes da Declaração Universal dos Direitos Humanos, sempre procurei pautar-me por suas diretrizes.Cresci junto com a DIDH (***).

As ditaduras nos países da América Latina, em Portugal e outros Países europeus,no Oriente,deixaram marcas profundas em pessoas, estilhaçaram famílias, mataram e mutilaram em nome de alguma forma de autoritarismo.

Na faculdade de Psicologia, em Juiz de Fora, no CES,passamos um semestre estudando as diferenças entre poder e autoridade, com professores que haviam estado exilados-soube há dias que o padre Dalton Barros, está em Belo Horizonte , na Igreja São José e vou procurá-lo. Ele nos contava particularidades das relações entre torturador etorturado...

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