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Lula: Amazónia tem dono

21.09.2007
 
Lula: Amazónia tem dono

Presidente Lula no II Encontro Nacional dos Povos das Florestas: “A Amazônia tem dono, não é terra de ninguém, é terra de brasileiros” - O presidente da República rechaçou as “lições que qualquer governante” queira dar ao Brasil para preservar as nossas florestas

O Brasil precisa se preparar porque é um enfrentamento que nós teremos que fazer para defender aquilo que é nosso. Todo mundo tem que saber que a Amazônia tem dono, todo mundo tem que saber que lá moram 23 milhões de habitantes, que aquilo não é terra de ninguém, aquilo é terra de brasileiros, ocupada por índios, por seringueiros, por trabalhadores e por tantas outras pessoas”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura do II Encontro Nacional dos Povos das Florestas, na terça-feira em Brasília.

Lula disse que recusa “lições que qualquer governante” queira dar ao Brasil para preservar nossa floresta. “Nós, governo brasileiro e povo brasileiro, queremos assumir a responsabilidade de fazer daquilo o que precisa ser feito para que a gente possa extrair dali o sustento e a riqueza para milhões de pessoas que moram ali. Tem gente que pensa que na Amazônia não mora ninguém”, disse.

O presidente citou um estudo da Embrapa sobre a mata existente na Terra há 8 mil anos. Na época, o Brasil detinha 9% das florestas do Planeta e hoje detém 29,5%, em razão do desmatamento ocorrido nos países desenvolvidos. “Se a gente analisar o que aconteceu nesse momento, o Brasil ainda é um país que detém 69% das suas florestas”, frisou.

Em relação à discussão da questão climática, ele sublinhou que os países que mais poluem - isto é, os países ricos - devem assumir a responsabilidade de fazer os investimentos. “É preciso rediscutir o padrão de consumo, é preciso rediscutir o padrão de conhecimento e nós não aceitaremos que, mais uma vez, em cima dos pobres seja jogada a responsabilidade de pagarmos o preço por uma coisa que não fomos nós que cometemos”.

“Juntos, governo e sociedade, reduzimos em 50% o desmatamento na Amazônia nos últimos dois anos. Na Mata Atlântica, as reduções foram de 75%. Isso equivale a evitar o lançamento, na atmosfera, de 430 milhões de toneladas, as emissões de gás carbônico”, destacou Lula, lembrando ainda as ações do Estado - em particular as atuações do Exército e da Polícia Federal - para esses resultados.

Lula ressaltou que as ações do governo foram trocadas de “não pode” para “como pode”, em bases sustentáveis, “o que dá força e legitimidade para cobrar direitos históricos, influenciar a política de concessões públicas e a formulação de novos projetos de desenvolvimento sustentável”. Para o presidente, isso permitiu que fosse dobrada a área destinada a reservas extrativistas.

“Se compararmos com dados de 2002, criamos mais 21 novas reservas extrativistas, num total de 10 milhões e 100 mil hectares que beneficiam mais de 20 mil famílias. Estamos empenhados em criar mais reservas extrativistas e outras unidades de conservação de uso sustentável até 2010. Fazemos isso para atender a uma legítima demanda dos povos e comunidades tradicionais, a garantia de acesso a seus territórios e aos recursos naturais. Isso é a verdadeira reforma agrária dos povos das florestas”.

“Vamos lançar aqui em Brasília o PAC/Funasa, que visa levar água potável e coleta de esgoto para 90% das comunidades indígenas deste país. E vamos lançar em São Gabriel da Cachoeira [no Amazonas], e da mesma forma vamos resolver o problema de água potável e esgotamento sanitário para 50% dos quilombolas organizados”, falou o presidente, destacando que a idéia é atuar primeiramente nos lugares que têm malária, Doença de Chagas, “onde a situação está pior”.

Lula citou os embates de Chico Mendes em defesa da floresta amazônica, que “não contavam com a simpatia dos poderosos e lhe custaram a vida”.

“Chico Mendes anteviu a reconciliação do progresso com a natureza por meio da justiça social. E provou com ações práticas a força e a pertinência de suas idéias, organizou seringueiros, construiu o sindicato, fundou o Conselho Nacional de Seringueiros e ajudou a criar um partido e a democratizar o Brasil em que hoje vivemos. Uma de suas maiores lições foi a de que não existe uma contradição irreconciliável entre o desenvolvimento e a floresta. Existe, sim, contradição entre justiça e injustiça, entre liberdade e opressão, entre igualdade de oportunidade e privilégio”.

Fonte: www.jornaldopovo.com


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