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Tragédia em Congonhas: Umas verdades

19.07.2007
 
Pages: 123
Tragédia em Congonhas: Umas verdades

Rede Globo desrespeita dor de pais, mães, irmãos e esposas - Na terça-feira, ela já sabia de tudo, sem pareceres técnicos e nem investigações. Para ela, culpa da tragédia foi da reforma da pista e de Lula

Na página 6 desta edição, o leitor terá a cobertura dos fatos relacionados ao desastre com o Airbus da TAM, ao tentar aterrissar no aeroporto de Congonhas.

Aqui, cabe apontar o seguinte: já se sabe porque a Globo transbordou de raiva e ódio quando o governo Chávez, de acordo com as leis da Venezuela, não renovou a concessão pública que estava sendo usada – e abusada – pela RCTV. Acontece que não há muita diferença entre as duas. Talvez não haja diferença alguma, exceto, segundo alguns gaiatos, a língua: a da RCTV parece mais próxima do português.

MANIPULAÇÃO

Mas a pornografia é a mesma. Diante de um desastre, de uma tragédia como a do Airbus da TAM, diante de um acontecimento que deixou as pessoas perplexas, sem entender como ele foi possível, a única coisa que a Globo teve para dizer – e prontamente, como num reflexo - foi que a culpa é do governo. Mais especificamente, que a culpa é do presidente Lula. Certamente, não foi desse jeito franco, aberto e leal que eles disseram isso. Mas não houve ninguém que manifestasse dúvida sobre o conteúdo dos panfletos televisivos que a Globo quis passar como reportagem. Como o leitor sabe, todo mundo os entendeu exatamente do jeito que acabamos de expressar.

Nenhum respeito pela dor humana, pelos pais, mães, esposas, irmãos, demais parentes e amigos que sofriam uma perda que parecia inacreditável. Nenhum respeito pelos que morreram. Nenhum respeito pela verdade. Somente interesses mesquinhos, chicanas e, em geral, mentiras.

Há meses, qualquer coisa que acontece no ar é atribuída a uma “crise aérea”, crise esta que é na maior parte uma fabricação da mídia golpista, em especial da Globo. Desde o acidente com o Boeing da Gol que foi abalroado pelo Legacy, pilotado por dois irresponsáveis norte-americanos, que é assim. Resta saber por que antes o sistema aéreo brasileiro estava funcionando a contento e, de repente, não parece mais funcionar? O que mudou foi apenas o açulamento de controladores, companhias aéreas e usuários pela mídia, jogando uns contra outros, em especial contra a FAB.

Certamente, esse açulamento não se fez porque estavam querendo um melhor sistema. Fizeram-no exatamente para que o sistema entrasse em caos – e esse caos fosse atribuído ao governo e, particularmente, ao presidente. Assim, se um bem-te-vi atropelou um teco-teco (ou vice-versa), a culpa é de Lula, ainda que ele não seja dono do bem-te-vi nem do teco-teco.

Certamente, a Globo não foi a única a fazer isso. Mas, no caso do desastre da última terça-feira, foi a mais escandalosa e mais sem vergonha. Como sempre, teve logo a companhia de todos os débeis mentais que pululam no oportunismo político, no carreirismo midiático e, provavelmente, na zona do meretrício. Na Câmara, um deles, de perfil marcadamente asinino, gritava “assassinos”, porque teriam liberado “uma pista sem condições”, e pedia “cadeia”, supõe-se que para todo o governo, incluídas as três Forças Armadas. Resta saber quem ia executar tal ordem.

Outro, mais realista, pedia a renúncia do governo – ou seja, na falta de força para derrubar o governo, solicitava que o governo se auto-derrubasse. E apareceu até um inseto, dizendo-se “consultor político do PSDB”, para proclamar que a “imagem” do presidente estava “manchada” pela tragédia.

Na própria noite da tragédia, na terça-feira, a Globo já sabia de tudo. Não precisou de investigações, de pareceres técnicos, nem de ouvir o que estava gravado na caixa preta. Também não esperou para ver os vídeos do aeroporto de Congonhas que registraram a aterrissagem do Airbus. Para quê? A Globo já sabia de tudo. A culpa era da pista, da reforma feita pelo governo e do presidente. Com toda certeza. Sabia disso sem precisar de nenhuma informação, o que levou alguns a desconfiarem que o desastre havia sido obra da perigosa terrorista Miriam Leitão.

Dedicada nos últimos tempos a observar a deliqüescente vida sexual do bagre dourada e outras imoralidades (“459 espécies de peixes”, disse ela, fascinada, em sua coluna, sobre a libidinagem que come solta no Rio Madeira), a conhecida especialista em tudo (tudo que os patrões querem que ela fale) emitiu seu parecer antes das 8 horas da manhã de quarta, quando as cinzas do desastre ainda não haviam, literalmente, esfriado. Talvez por ter passado tanto tempo vendo a pouca vergonha nos bordéis aquáticos da Amazônia, foi um parecer despudorado. O amigo leitor consegue adivinhar quem ela tinha certeza que era o culpado pela tragédia? Pois é.

VÍDEO

Esse mundo de nulidades e lacaios, de alexandres-garcias, miriams-leitões (leitões?) e cabeças-de-bagre, é a Globo. E embaixo tem alguns não piores, porém mais descarados na sofreguidão por escalar a posição dos que estão em cima: aqueles e aquelas repórteres querendo extrair a fórceps, ou, melhor, a martelo, declarações contra o governo das famílias em lágrimas, ou de profissionais assoberbados de trabalho e preocupação, ou de especialistas que querem descobrir a verdade e não ser usados numa politicagem golpista.

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