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Insegurança Alimentar no Brasil

18.05.2006
 
Pages: 1234

Observou-se maior prevalência de insegurança alimentar nos domicílios em que residiam crianças. A medida que aumentava a idade, cresciam as proporções daqueles que viviam em domicílios em segurança alimentar e, conseqüentemente, diminuíam as dos moradores em domicílios com insegurança alimentar. No Brasil, moravam em domicílios com algum tipo de insegurança alimentar 50,4% da população de 0 a 4 anos de idade. Este percentual foi de 48,3% na população de 5 a 17 anos de idade, 36,9% na de 18 a 49 anos de idade, 32% na de 50 a 64 anos de idade e 28,1% na de 65 anos ou mais de idade. Nos domicílios com insegurança grave, viviam 10,3% da população de 0 a 4 anos e 10,3% da população de 5 a 17 anos, sendo esta proporção de 4,6% na população de 65 anos ou mais de idade.

Cerca de 17% das crianças com menos de cinco anos de idade na Região Norte e na Nordeste viviam em domicílios em situação de insegurança alimentar grave. A proporção de pessoas com idade de 65 anos ou mais residentes em domicílios em situação de insegurança alimentar grave nestas duas regiões foi quase a metade (8,8% e 8,5%, respectivamente). No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o percentual de crianças com menos de cinco anos de idade residentes em domicílios com insegurança alimentar grave era de 5,3%, 5,3% e 5,9%, respectivamente, enquanto na faixa de 65 anos ou mais de idade caía para 2,4%, 3,4% e 4,5%.

Domicílios com pessoa de referência do sexo feminino tiveram menor segurança alimentar

O número de moradores em cada domicílio também tem impacto no padrão de Segurança Alimentar. A pesquisa mostrou que a Segurança Alimentar dos domicílios com até três moradores (71,8%) caía para 35,2% nos domicílios com sete moradores ou mais. Por outro lado, a prevalência de Insegurança moderada ou grave foi de 15,3% em domicílios com até três moradores e de 42,6% no caso de domicílios com sete moradores ou mais. Este padrão se repetiu ao ser considerada a situação de residência, urbana ou rural. Em áreas urbanas, a prevalência de IA moderada ou grave foi de 14,6% nos domicílios com até 3 moradores e de 40,5% naqueles com sete moradores ou mais. Nas áreas rurais, estes percentuais foram 19,5% e 47,9%, respectivamente.

A prevalência de IA moderada ou grave foi maior em domicílios cuja pessoa de referência era do sexo feminino. Essa diferença foi mais expressiva nos domicílios onde moravam menores de 18 anos. Nestes domicílios, a prevalência de segurança alimentar foi de 60,6% quando a pessoa de referência era do sexo masculino e de 49% quando do sexo feminino.

Insegurança alimentar foi maior entre pretos e pardos

Outra condição que aparece associada à Segurança Alimentar nos domicílios é a cor ou raça da população. No Brasil, viviam em 2004 em domicílios em situação de insegurança alimentar grave, 11,5% (10 milhões de pessoas) da população preta ou parda, sendo que esta proporção era de 4,1% (3,8 milhões de pessoas) entre os brancos. Por outro lado, a população com garantia de acesso aos alimentos em termos qualitativos e quantitativos, ou seja, que vivia em domicílios em condição de segurança alimentar era de 71,9% (67,3 milhões de pessoas) entre os brancos e de 47,7% (41,7 milhões de pessoas) entre os pretos ou pardos. As diferenças na proporção de Insuficiência Alimentar Grave relacionadas à cor ou raça na população do Brasil se reproduziram em todas as Unidades da Federação, sendo de maior magnitude nas regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste, embora as maiores proporções de população em IA grave tenham sido verificadas no Norte e no Nordeste do País. No Espírito Santo, por exemplo, 1,9% da população branca e 6% da população preta ou parda viviam em domicílios com insegurança alimentar grave. Em Santa Catarina, este percentual é de 1,7% de brancos frente a 5,2% de pretos ou pardos; enquanto no Mato Grosso, 2,1% dos brancos contra 6% dos pretos ou pardos.

Segurança alimentar presente em 17,5% dos domicílios com rendimento de até $65 per capita

Os dados da PNAD 2004 confirmam a magnitude da associação entre rendimento e segurança alimentar. Enquanto a segurança alimentar no Brasil, em 2004, estava presente em 65,2% dos domicílios (onde moravam 109,2 milhões de pessoas), ela ocorria em apenas 17,5% daqueles com rendimento domiciliar mensal per capita de até um quarto de salário mínimo (R$65). Nessa faixa, a IA moderada ou grave atingia 61,2% dos domicílios, enquanto naqueles de rendimento mensal domiciliar per capita de mais de três salários mínimos era de apenas 1,0%.

De acordo com a PNAD 2004, dos cerca de 22 milhões de pessoas que viviam nos domicílios sem rendimento ou com rendimento mensal domiciliar per capita de até R$ 65, 6,3 milhões (28,6%) viviam em domicílios em condição de IA grave. Enquanto na área urbana 14,8% dos domicílios que viviam com rendimento domiciliar mensal per capita de até ¼ de salário mínimo apresentaram segurança alimentar, na área rural esta prevalência foi de 21,6%. A diferença entre área urbana e rural se repetiu para todas as faixas de rendimento, exceto para os sem rendimento e para os com rendimento não declarado, entre os quais a SA foi maior na área urbana e a IA moderada ou grave foi maior na área rural.

Na região Nordeste, 12,9 milhões de pessoas (25,6% da sua população) viviam com rendimento mensal domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo, aí incluídas as pessoas sem rendimento domiciliar, sendo que cerca de 4 milhões destas viviam em IA grave e, portanto, conviveram com a fome. Nas faixas de rendimento superiores a 2 salários mínimos per capita, a IA grave atingiu menos de 1% da população.

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