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Sessenta dias depois do acidente aéreo mais grave da história do Brasil

17.09.2007
 
Sessenta dias depois do acidente aéreo mais grave da história do Brasil

A Secretaria de Segurança Pública informou ontem depois de sessenta dias depois do acidente aéreo mais grave da história do Brasil, que todos os fragmentos de corpos recebidos pelo Instituto Médico-Legal (IML) foram analisados. O resultado é que nenhum dos 285 fragmentos estudados era das quatro vítimas ainda não identificadas, adianta Estadão.

Ainda não há nenhuma identificação de Levi Ponce de Leão, Ivalino Bonatto, Andrei François de Mello e Michelle Leite, que constavam da lista de passageiros do vôo 3054, conforme a empresa aérea TAM. A Secretaria de

Segurança afirma, porém, que nem por isso os trabalhos serão encerrados. Médicos legistas que se reuniram ontem com os familiares das 199 vítimas do acidente disseram a eles que ainda têm esperanças de a empresa contratada pela TAM para vasculhar os escombros encontrar outros fragmentos do local do acidente: o prédio da TAM Express.

Foram feitos cinco estudos de cada fragmento encontrado.Na seqüência, todos foram levados para um laboratório, onde se executaram as análises de DNA. Cada fragmento demora cerca de 36 horas para se chegar a um resultado.

RESIGNAÇÃO

Luiz Salcedo, pai de Diogo Salcedo, uma das vítimas do acidente, admite que as possibilidades de identificar as quatro vítimas restantes são cada vez mais remotas. "Não se pode dizer que as tentativas foram encerradas. Mas pelo decurso do tempo (dois meses) presume-se que a tendência é de não identificar." Embora demonstre resignação, Salcedo, que é um dos porta-vozes do grupo de familiares, pede pela continuidade dos trabalhos.

"Todos nós, inclusive quem teve seu parente identificado, estamos tristes com a situação", diz. "É um velório de 60 dias. É muito difícil a família perder um ente querido e tentar retomar a vida sem poder dar um sepultamento digno a ele."

Apesar da tristeza, ele aproveitou para elogiar o trabalho do IML. "Hoje (ontem) o doutor Coelho (Carlos Alberto de Souza Coelho, diretor do Centro de Analises, Exames e Pesquisas do IML) esteve conosco e explicou tudo que foi e vem sendo feito. Fomos sempre bem atendidos e só temos a elogiar o trabalho do instituto."

Segundo Salcedo, identificar 195 dos 199 corpos já foi uma grande tarefa. "Dez dias após o acidente nos preparávamos para a dificuldade que seria identificação. Todo mundo viu pela TV a forma como foi o acidente. Quase todos foram identificados. Apenas 2% não foram. Pode ser considerado um milagre esse trabalho."


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