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A Fragilidade do Mito Reacionário de "Doutrinação" Progressista

17.06.2017
 
A Fragilidade do Mito Reacionário de

A Fragilidade do Mito Reacionário de "Doutrinação" Progressista

O discurso cada vez mais difundido - e agressivo - de que progressistas o são por terem sido "doutrinados" é insustentável por motivos bastante simples, tão simples quanto a baixa estatura intelectual dos setores reacionários, particularmente no Brasil (não que nossa "esquerda" seja uma grande coisa, dona de grandes engenharias intelectuais e morais: pelo contrário).

Sem entrar no mérito da questão progressista, ou mais precisamente da visão de políticas focadas na inclusão social, a primeira grande imbecilidade do mencionado discurso reside no óbvio fato de que elas vão na mais absoluta contramão da "visão" predominante, no Brasil e em praticamente todo o mundo ocidental, contaminado pela grande mídia de idiotização das massas. 

O discurso corrente trata de alegar uma tal "liberdade" através do modelo de diminuição do Estado em favor do livre-mercado, a ditadura do capital, e de ridicularizar e até agredir opiniões divergentes. 

Portanto, andar em sentido contrário já evidencia, por si só, conscientização e não um cérebro lavado: geralmente, e justamente pela mídia e materiais didáticos predominantes (estes últimos também, nenhuma novidade, elaborado pelas oligarquias nacionais mundo afora, cujos métodos e histórias são ditados pelos donos do poder), dá-se exatamente o oposto, mais uma inversão de papeis neste mundo que prima pela distorção dos fatos. 

Neste universo, a posição mais cômoda, evidentemente, é manter-se adequado à "visão" preponderante, sendo o contrário uma árdua tarefa que vale adjetivos pejorativos e, não raras vezes, muita agressão (repita-se: não se trata, até aqui, de uma defesa de nenhum dos espectros políticos). 

Agora sim, aprofundando-se na atmosfera conservadora e progressista, um exemplo de irracionalidade pode facilmente ser observado nos discursos reacionários - e o Fez-se buque do Zückerberg, laranja da CIA, pode ser uma útil ferramenta na checagem do pé que anda a estupidez reaça tupiniquim. 

A lista do cúmulo da ignorância neste sentido é vastíssima, portanto fiquemos com uma das últimas postadas pelas "cabeças mais pensantes" da direita tupinica: O Brasil é comunista, e quem, para ela, iniciou este processo de "comunização" à brasileira? Prepare a gargalhada: nada menos que ele, Fernando Henrique Cardoso! 

Para completar esta "análise" que anda difundida, a solução, é claro, não poderia ser outra: intervenção militar já! O que evidencia outra imbecilidade neste festival da ignorância: essa mesma ditadura esteve por 21 anos no Brasil, sem trazer o avanço democrático prometido, sem educar e politizar a sociedade como prometiam em sua "Revolução Democrática" iniciada com o golpe contra o então presidente João Goulart, em 1964. Se a ditadura fosse eficiente, hoje esses mesmos setores reacionários não estariam rosnando tão ferozmente contra a sociedade e a política brasileira. 

Outra difundida postagem (in)digna de menção pela inigualável estupidez, alega que após o final da ditadura todos os governos brasileiros foram incompetentes e corruptos (o que não se trata de mentira, é verdade), com a devida foto dos presidentes da República sendo o primeiro da fila nada menos que ele: José Sarney, presidente exatamente da Arena, da mesma ditadura que os mais incautos agora defendem! Parece piada, não? É a direita brasileira "apolítica", "não-doutrinada"!

Mais uma dentre as inúmeras evidências do "quem é quem" nesta questão, que a direita tenta a todo custo transformar em belicista a começar pela difusão da ideia de que progressistas arquitetam aprovação de uma PEC para trocar as cores da "sagrada" bandeira nacional, do "amado" verde e amarelo do Penta pelo vermelho "do demônio", é que os capitalistas defendem concorrência e acúmulo de bens, onde valha a lei do mais forte e poderoso, enquanto os "comunistas comedores de criancinhas" (para eles, qualquer um que defenda políticas sociais), esperam nada mais que um mundo em que haja solidariedade e não competitividade, igualdade e não uns com excesso e outros na miséria (essência do capitalismo). 

Diante desse "resumo da ópera", que cada um possa tirar suas conclusões - que se não forem tiradas por si só, diante desses fatos que falam muito por si mesmos - de nada adiantará se estender em mais análises sócio-econômicas.

Nada disso, contudo, é uma defesa da "esquerda" brasileira, em grande parte a outra face de uma mesma moeda politiqueira, demagoga, esquizofrênica, ignorante e corrupta em relação à direita nacional. E aí está a realidade, de novo, para não nos deixar mentir...

Mas outro Brasil é possível.

 

Edu Montesanti

 


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